Sinopse: Kat Graham (Meryl Streep) é a dona do The Washington Post, um jornal local que está prestes a lançar suas ações na Bolsa de Valores de forma a se capitalizar e, consequentemente, ganhar fôlego financeiro. Ben Bradlee (Tom Hanks) é o editor-chefe do jornal, ávido por alguma grande notícia que possa fazer com que o jornal suba de patamar no sempre acirrado mercado jornalístico. Quando o New York Times inicia uma série de matérias denunciando que vários governos norte-americanos mentiram acerca da atuação do país na Guerra do Vietnã, com base em documentos sigilosos do Pentágono, o presidente Richard Nixon decide processar o jornal com base na Lei de Espionagem, de forma que nada mais seja divulgado. A proibição é concedida por um juiz, o que faz com que os documentos cheguem às mãos de Bradlee e sua equipe, que precisa agora convencer Kat e os demais responsáveis pelo The Post sobre a importância da publicação de forma a defender a liberdade de imprensa.

Em um período de questionamento quanto ao papel da mídia e da existência de sua imparcialidade na hora de lidar com a informação, The Post – A Guerra Secreta, chega para coroar e promover a retomada de posicionamentos que em outrora já haviam passado pelo imaginário público, e para iluminar um período onde mais uma vez é possível observar esse jogo de poder que se estabelece com frequência entre a mídia e a política.

Retratando o governo Nixon, e o vazamento de informação de documentos do Pentágono que se deu na época, a obra tenta estabelecer a dinâmica existente por trás das relações de pessoalidade entre as figuras políticas e os detentores da informação midiática, e se efetiva enquanto bem sucedida, até um certo ponto. Com o risco de uma romantização demasiada, o filme tentou se colocar em um ponto de maior distanciamento, mas tendo como base a existência de certos diálogos demasiadamente didáticos, a obra falha ao não se galgar enquanto símbolo pilar da liberdade midiática, nem como obra crítica pontual, que poderia se propor a priori a expor com vigor os caminhos tortuosos que se constroem entre a dicotômica relação de poder.

Contando com nomes como Meryl Streep, e Tom Hanks no elenco, o mais novo trabalho de Spielberg parece ser bom, mas não chega a ser nem de perto o melhor. A estrutura cinematográfica é perfeita, a montagem é muito bem elaborada, e a fotografia consegue comunicar com maestria inúmeros pontos, promovendo uma sensação quase arrebatadora diante da ideia do que pode vir a ser a informação, mas com uma temática tão delicada e tão contundente diante de um mundo atual em colapso, com o estabelecimento de um governo danoso e irresponsável, optar por trazer a luz um momento tão significativo deveria ser muito mais do que bem pensado, ou perfeitamente bem aplicado tecnicamente, mas sim tocante.

A obra é oportuna na medida em que se concretiza, mas falta-lhe as vísceras, e o sustento básico que poderia transformá-la em algo muito maior e mais arrebatador. A grosso modo, parece que Spielberg optou por revelar a grandiosidade por debaixo do fato, mas que não foi eficaz em inundar os olhos do telespectador com a real questão por trás dele, e com isso acaba pecando por não ser suficientemente agressivo com a percepção do público. Quase um pecado político.

Dito de tal forma, é evidente que a obra é digna de atenção. É um trabalho bem pensado, com aspectos técnicos e apelos emocionais interessantes, mas que não consegue se coroar enquanto símbolo dessa liberdade da qual se fala. Faltou a obra o potencial de se expor tal qual questão realística e evidente. Ademais, fica aqui a recomendação desse mais novo filme, indicado em duas categorias do Oscar, melhor filme e melhor atriz para Meryl Streep (como de costume).