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Você certamente já ouviu falar em Olavo de Carvalho e no filme de Josias Teófilo “O JARDIM DAS AFLIÇÕES“. Esse filme tem muita história pra contar, sofreu censura antes mesmo de ser assistido e criticado pelo público. O que ocorreu com O Jardim das Aflições foi um boicote no Cine PE, por parte de outros diretores de cinema que anunciaram a retirada de seus filmes da programação do festival.

Os diretores afirmaram que o ato foi um protesto contra “um discurso partidário alinhado à direita”. Ora, vejam só, a liberdade de expressão não cabe aqui, a diversidade também não… Sabemos que o documentário é centrado na figura do filósofo Olavo de Carvalho, conservador, tradicionalista etc, mas o que de tão ruim existe na película que não pode ser exibida ao público? Bem, meus amigos, não sabemos. Os diretores que protestaram também não sabem. O filme sofreu represália sem ao menos ter tido a chance de ser exibido e muitos dos que acompanham Olavo de Carvalho, e estavam esperançosos pela sua exibição, também não puderam assisti-lo, infelizmente. Quando procurado, Josias Teófilo falou: “curioso é que o filme não é político, muito menos conservador e um dos temas abordados é exatamente a tirania da coletividade sob a individualidade humana.”

Já naquela data, 10/05/2017, alguns filmes estavam sofrendo com suas apresentações no Festival Cine PE, por já terem sido exibidos e a programação do evento não permite a participação de filmes que não fossem inéditos. A diretora Sandra Bertini disse que o ineditismo é apenas um critério relevante para a seleção, o que gerou muita polêmica entre os responsáveis pela fixação das diretrizes.

Ainda em meio ao caos, Sandra Bertini resolveu suspender a 21ª edição do Festival de Cinema de Pernambuco – Cine PE. No dia 13/05/2017, foi formado um grupo com mais de 30 críticos de cinema de todo o Brasil, ocasião em que publicaram um manifesto de apoio aos cineastas que retiraram seus filmes da edição 2017.

O mais intrigante do discurso é a utilização de termos como: “democracia” (ora, a democracia é a vontade da maioria, respeitando a minoria). Não existiu nenhum tipo de respeito com O Jardim das Aflições, tendo ele sido massacrado; “combate e resistência” (combater algo que não se conhece? Resistir a enxergar o óbvio?). Não existe bom senso por aqui, é inútil tentar dialogar com gente sem estrutura psicológica e vitimista. Dentre os curta e longa-metragens dos cineastas que retiraram seus filmes da exibição, havia outros filmes em que a chamada DEMOCRACIA (vontade da maioria) não iria gostar de vê-los sendo exibidos. Porém, estavam em cartaz. A intolerância com a exibição de filmes é explicada somente por questões ideológicas. Retirar o direito de um cineasta promover seu trabalho, seu esforço, seu estudo por questões mesquinhas e taxativas, com um discurso ultra-violento de que este seria um “alinhamento à direita”, isso é muito sujo! Onde estão o direito de manifestação, a liberdade de expressão e a pluralidade? Esses são os Direitos Humanos Fundamentais de todo e qualquer indivíduo! Quem determinou no Brasil uma ordem excêntrica determinadora de que todo e qualquer brasileiro deve ter caráter de radical de esquerda, de comunista ou socialista? O povo brasileiro é plural, não deve existir desigualdade. Não importa a razão, não importa a ideologia, a raça, o credo ou a cor, todos devemos ser tratados da mesma forma. Se um esquerdista pode exibir seu filme falando sobre uma fada lésbica, Josias Teófilo pode também exibir seu filme sobre Olavo de Carvalho. Já dizia Nelson Rodrigues: “Como são parecidos os radicais da esquerda e da direita. Dirá alguém que as intenções são dessemelhantes. Não! Mil vezes não! Um canalha é exatamente igual a outro canalha”.

O Jardim das Aflições poderia ter sido prejudicado pelos diretores porque na data de estréia do Cine PE o filme ainda não havia sido exibido em nenhum lugar. Porém, já havia data de exibição após a apresentação do Cine PE, e essa programação foi mantida, tendo sido exibido em vários estados do Brasil. Os filmes que já foram exibidos no cinema não podem participar do festival. No entanto, Sandra Bertini teve o bom senso de não restringir mais uma vez a participação d’O Jardim das Aflições.

Após a 21ª edição do festival, que aconteceria entre os dias 23 e 29 de maio, e foi adiada graças ao ato reprovável dos cineastas, Sandra Bertini reorganizou a programação e a edição agora será realizada entre 27 de junho e 03 de julho. E, com ela, O Jardim das Aflições estará de volta ao Cine PE. Afirmou Sandra Bertini: “Devido às mudanças no cronograma do Cine PE, decidimos que o filme O Jardim das aflições não podia ser prejudicado, e além do mais ele permanece inédito nos cinemas de Pernambuco.”

Louvemos a obstinação de Sandra Bertini em insistir na realização do festival e aplaudamos sua coragem na defesa de espaço para O Jardim das Aflições. Venceu a liberdade de expressão. E vencemos nós que desejamos uma arte cinematográfica aberta à pluralidade de ideias e liberta de patrulhas rasteiramente ideológicas-maniqueistas. Como, de resto, liberta deve ser toda e qualquer manifestação artística. Como disse Ariano Suassuna: “A verdadeira universalidade respeita as singularidades locais. Todos entram com sua parte, compondo a vasta sinfonia da cultura. Ela é feita de contrastes, que não são contrários, mas complementares.”.

 

Confira as datas de exibição: