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The Handmaid’s Tale foi sem dúvida a série mais marcante do ano passado. Nela, em um futuro não tão distante assim, a humanidade se tornou quase toda estéril, e um golpe de estado transformou os EUA em “Gilead”, um território de governo totalitário e teocrata. As mulheres capazes de engravidar são transformadas em aias, que irão gerar os filhos dos homens poderosos da nação. Nesse contexto, o telespectador é apresentado a Offred (Elisabeth Moss), uma aia que já teve outro nome, uma família, uma filha e através dela o público se lança na vida e rotina de uma Aia e em suas relações com o Comandante (Joseph Fiennes), sua esposa Serena (Yvone Strahavoski) e seu desejo de escapar e achar sua filha e seu marido Luke (O.T. Fagbenle).

Bruce Miller é criador, produtor e roteirista da produção e, nesta quarta-feira, 04 de abril, marcou presença na Rio2C® em um painel sobre a série e na coletiva de imprensa.

Durante o painel, Miller falou sobre o processo de escrita e produção da série, explicando sobre as dificuldades e maravilhas do processo criativo. Se assumiu como fã louco do livro e falou sobre a recepção do público com relação a ele, como homem, ser showrunner da série, sobre a forma que ele se relaciona com a história e contou diversas histórias sobre as gravações e como é trabalhar em The Handmaid’s Tale e em especial ao lado de Elisabeth Moss apelidada de “Lizzie” que ele não poupa elogios, dizendo que a atriz, que também é produtora da série, está presente em todos os momentos da filmagem e edição.

Na entrada do painel havia uma fila de Aias para recepcionar o público

Miller falou sobre as dificuldades de adaptar o livro, e que com a consultoria de Margareth Atwood, autora do livro, ele conseguiu fazer uma ótima transição das páginas para as telas, pensando em como foi impressionante a autora se lembrar de cada detalhe que estava pensando quando escreveu o livro, que foi publicado há trinta e cinco anos.

O produtor é extremamente minucioso em seu trabalho, e apontou diversos detalhes que provavelmente nenhum espectador conseguiu notar na série, como os quadros na casa do Comandante que são réplicas de todos os quadros do Museu de Boston, como as personagens femininas não usam nenhum tipo de maquiagem, e que devido a gravação ser feita em 4k é impossível colocar o mínimo que seja nas atrizes. Falou sobre a criação dos figurinos e como o vestido das aias, que já é uma roupa de gravidez, não sendo necessária uma nova roupa, pois a única função da aia é gerar uma criança para uma família importante.

Falando sobre o tom da série, ele disse que tem inspirações em filmes dos anos 1970, como  O Bebê de Rosemary (Roman Ponlanski) e O Iluminado (Stanley Kubrick), além de tentar mesclar esse tom com o de filmes recentes que falam muito sobre a realidade atual, como Spotlight (Thomas McCarthy).

Sobre a trilha sonora, Miller disse que como a série é contada do ponto de vista de Offred, as músicas da série seriam as músicas que estão tocando na cabeça da personagem. “As vezes, em situações difíceis nossa cabeça se lembra daquela música péssima que combina muito com a situação, e nós tentamos passar isso.”

O painel teve duração de uma hora e meia, e nele o showrunner mostrou vídeos da primeira temporada, explicando o contexto em que as cenas foram mostradas, contando piadas e atentando o público para detalhes em cena, explicando passo a passo sobre as gravações e montagem da primeira temporada. O produtor estava bastante empolgado e compartilhou diversos detalhes sobre o elenco, como Ann Dowd ser “a pessoa mais doce do mundo” apesar de sua personagem, Tia Lydia ser uma das encarnações de diabo, contou também que Serena Joy (Yvone Strahavoski) é fria só em cena, e que na vida real é a “pessoa que tem a boca mais suja” que ele conhece.

O Cinerama falou com Bruce Miller na Coletiva de Imprensa após o painel, e essa conversa deu algumas informações importantes sobre a segunda temporada da série. Quando perguntado sobre a dificuldade de escrever a segunda temporada sem o apoio do livro, Miller respondeu que para ele foi muito mais fácil continuar a história, pois a primeira temporada, usando o livro, lançou as bases para as temporadas seguintes, e que como ele trabalhou com programas totalmente originais, para ele foi muito tranquilo escrever a nova temporada. A reportagem questionou também sobre o desenvolvimento de Offred/June nessa temporada e ele apenas pediu desculpas pelo que vai fazer o público passar.

Bruce disse que o telespectador irá conhecer as Colônias, para onde os degenerados são enviados, que os fãs entenderão melhor a questão da fuga para o Canadá e sobre a situação que os refugiados passam lá. Talvez também se descobrirá o destino de Ofglen (Alexis Bledel) e também haverá flashbacks sobre a estruturação de “Gilead”. Ele promete uma temporada muito difícil de ser assistida “Não por ter mais crueldade, mas por serem muito realistas“.

The Handmaid’s Tale exibe sua primeira temporada no Brasil através do canal por assinatura Paramount aos domingos às 21h. A segunda temporada estreia no dia 25 de abril, na plataforma de streaming Hulu.

Confira o trailer da segunda temporada abaixo: