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O Filme da Minha Vida

Um drama muito bem construído, dirigido por Selton Mello, do ano de 2017, tendo no elenco Johnny Massaro, Vincent Cassel, Bruna Linzmeyer e Bia Arantes. Longa que te paralisa e te faz ter um olhar muito mais compreensivo sobre certos aspectos da vida do que o habitual, é isso que o grande Selton Mello, diretor e ator se propõe a fazer e consegue executar muito bem. Tanto como ator quanto como diretor Mello sempre conseguiu transparecer aquele seu jeito particular e único de envolvimento total com o texto a ser trabalhado, e se percebe nitidamente sua entrega ao papel, neste caso todo o cuidado com os demais personagens do enredo, dirigindo a trama com muito profissionalismo e sensibilidade. O roteiro teve como base a obra Um pai de cinema, do autor Antonio Skármeta, o que justifica o peso poético e o foco intensificado na tristeza no filme.

Tony (Johnny Massaro) retorna a sua cidade natal depois de passar alguns anos longe por causa de seus estudos, percebendo que as lembranças de sua família e de sua infância talvez estejam condicionadas a serem algo de um passado que já se perdeu, pois descobre que seu pai havia retornado para a França enquanto ele estava fora. Transtornado, Tony tenta compreender o que houve, questionando sua mãe, sem conseguir uma resposta definitiva. Paco (Mello), amigo próximo da família também se recusa a dar grandes explicações do que haveria acontecido, ainda insistindo para que Tony seguisse com sua vida e não procurasse respostas. Esse paradoxo entre Paco e Tony, como se fossem herói e anti-herói, bom e mal se explica dentro do enredo, principalmente para que a sensibilidade existente em um seja capaz de romper as barreiras do bom senso, desta forma colocada literalmente como o erro cometido pelo pai de Tony; e a arrogância do outro seja o medo de que essa ruptura aconteça.

Como qualquer outro jovem, Tony tinha seus problemas juvenis, queria se relacionar com garotas, ser desejado e aproveitar as festinhas com os amigos. Como professor, tentava fazer com que seus alunos tivessem algo a mais para pensar do que apenas em garotas e sexo, mas sempre de um jeito que não os repreendessem ou diminuíssem. Essa relação é feita também de interações engraçadas, as quais o público poderá relaxar um pouco de todo o drama inserido no longa.

Todo o cuidado quanto ao figurino, as músicas e ao modo de vida das pessoas daquela cidadezinha afastada de tudo foi muito bem trabalhado para que o público que viveu na década de ’60 se sentisse revivendo aquelas anos, e aos mais jovens que fossem capaz de compreender a essência que aquele tempo tinha. A fotografia durante todo o filme, mas principalmente nas cenas mais abertas em ruas, quintais e envolvendo o trem são de tirar o fôlego.

Este é aquele tipo de filme que você apenas consegue encaixar todos os quebra-cabeças minutos antes do seu final, o que é sensacional! Ressaltando que o fim em si também pode ser considerado como sendo aberto, já que muitas possibilidades nos são dadas para o que seria ‘uma próxima cena’.

Trailer: