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Andrew Clement Serkis era um ator de teatro que tinha feito papéis em filmes pequenos, até o dia em que o diretor Peter Jackson o convidou para a produção que mudaria não só sua carreira, mas também a indústria Hollywodiana em geral. Andy apareceu pela primeira vez como Gollum, um ser desprezível de O Senhor dos Anéis consumido pelo poder do Anel, assim deixando de lado sua humanidade. O personagem foi feita com a ajuda da tecnologia de captura de movimentos, que logo em seguida se propagaria pelos filmes blockbusters como uma extrema novidade, e que atualmente o público já considera algo comum.

Andy continuou no papel de Gollum/Smeagol até o terceiro filme da franquia, e segundo o próprio já disse em entrevistas, achava que aquele seria seu único papel com captura de movimentos, e já tinha planos de participar de séries de TV e outros filmes. Mas logo após todo o sucesso da trilogia O Senhor dos Anéis, o diretor Peter Jackson o convidou para trabalhar com ele novamente. E novamente com captura de movimentos. Dessa vez, para um dos personagens mais icônicos de todos os tempos e que praticamente faz parte da própria história do cinema, o gorila King Kong. O filme do gigante não teve tanto sucesso quanto os outros três filmes anteriores do diretor, e logo após a produção, Andy se afastou do mundo da captura de movimentos, até o filme que o tornaria tão icônico quanto o Gollum.

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Em O Senhor dos Anéis, 2001, fazendo o motion capture do Gollum

Em 2010, começou a produção da nova versão de Planeta dos Macacos, com Andy escolhido para ser o protagonista, o macaco com inteligência quase humana, Caesar. O primeiro filme dos remakes foi quase tão importante para o avanço da tecnologia de CGI quanto o primeiro Senhor dos Anéis. O público, que já tinha se encantado com o universo fantástico de Avatar em 2009 por James Cameron, teve a confirmação de que era possível transformar um ser humano em qualquer outra coisa com uma precisão absurda, e Andy Serkis se tornou a cara dessa ”revolução tecnológica”. Antes desses dois citados, quais outros filmes você conhecia que tinha protagonistas e grande parte do elenco formado apenas por captura de movimentos e computação gráfica ? Poucos.

2014, Matt Reeves assume a franquia dos primatas, e realmente dá um choque no espectador, mas positivamente. Se antes os efeitos já eram excelentes, aqui eles se tornaram absurdamente bons. O diretor apresenta um filme muito diferente do primeiro, mais violento, mais aprofundado nas relações dos macacos após ”tomarem” os Estados Unidos para sua própria sociedade símia. Caesar adquiriu mais personalidade, mais expressividade, e a computação ajudou muito nisso, obviamente, mas talvez estejamos esquecendo que apesar do computador transformar os macacos, existe um ator raro, capaz de dar humanidade à um macaco, e fazer o espectador simpatizar com ele. Isso não é pra qualquer um.

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Chegamos em 2017, Reeves de novo na direção, traz o enceramento do arco de Cesar, que já virou um personagem icônico e muito popular, simplesmente caiu no gosto do público, que o acompanhou desde quando era um filhote até se tornar chefe de família e um líder respeitadíssimo pelo seu povo. Sua primeira aparição em Planeta dos Macacos : A Guerra, é simplesmente linda, nesse que já se tornou um dos melhores filmes do ano, mas isso fica pra outro texto.

A questão é que é impossível negar o talento de Andy Serkis. Ele está sim no nível de Leonardo DiCaprio, Cassey Affleck, ou qualquer outro ator que já ganhou um Oscar, mas por que a academia nunca o reconheceu nem mesmo com uma indicação ? A desculpa de que quem faz todo o trabalho é a tecnologia e que o ator só fica por trás de uma máscara para ser animada depois não cola mais. É um trabalho 50 a 50, e um só funciona bem se o outro também for bom. Quando perguntado antes, Andy desviava de assunto e tentava nã o criar polêmicas, mas agora ele, e todo mundo que é fã de cinema de qualidade, pede por um prêmio de melhor ator ao homem que se tornou símbolo de um novo jeito de fazer cinema. Em uma entrevista coletiva essa semana em São Paulo, o ator falou o seguinte :

”É preconceito e ignorância não reconhecer os atores que trabalham com motion pictures. Os membros mais antigos da academia se recusam a aceitar. Atuar é o que acontece no set, com outros atores. Basta ver as cenas de bastidores. Se eu me maquiasse as pessoas aceitariam melhor, mas como coloco o macacão, não consideram. É frustante”

Então, se por acaso, Andy não tiver nenhuma indicação de melhor ator ao Oscar ou Globo de Ouro, já poderemos concluir que existe muita gente ‘conservadora’ dentro das academias de cinema. É um novo tempo, e uma nova maneira de fazer as coisas, mas uma ótima atuação continua sendo uma ótima atuação.