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Crítica | O Touro Ferdinando

Ele continua simpático, parrudo e não envelheceu, apesar dos seus mais de 80 anos. Publicado originalmente em 1938, O Touro Ferdinando marcou gerações. Para se ter uma ideia da importância desse querido touro, seu livro foi traduzido para mais de 60 idiomas. No Brasil, a obra idealizada pelos amigos Munro Leaf (escritor) e Robert Lawson (ilustrador), foi publicada pela Editora Intrínseca.

Desenvolvido pelo brasileiro Carlos Saldanha (criador de Robôs; Rio e A Era do Gelo) em 2010, para a Blue Sky Studios, braço de animação dos estúdios FOX (recém-adquirido pela gigante The Walt Disney Company), chega aos cinemas brasileiros a animação, O Touro Ferdinando, que estreia nesta quinta-feira, 11 de janeiro.

A animação conta a história de um touro que, apesar de seu tamanho e sua força, não tem interesse em lutar nas touradas. Tudo o que ele quer é cheirar as flores e ficar quietinho no seu lugar, mas às vezes o mundo não compreende aqueles que são diferentes da sua maioria.

Com roteiro de Brad Copeland (Zé Colmeia – O Filme), a adaptação foi muito bem desenvolvida. Com uma narrativa simples, mas que carrega grandes ensinamentos tanto para os baixinhos, quanto para os “altinhos”. A mensagem de paz está muito presente na animação e vai agradar toda a família. Sem dúvida nenhuma, é um filme voltado para a educação. Vale ressaltar que, em virtude da repercussão do livro, O Touro Ferdinando, o autor, Leaf, fez algumas turnês mundiais a convite da Casa Branca, distribuindo a mensagem de paz a crianças, educadores e bibliotecários.

Sobre o personagem principal, Ferdinando (John Cena), é muito mais do que um simples touro, é um grande personagem, que foi muito bem construído para levar uma mensagem de amor ao próximo. Como o protagonista da história, o seu lugar já está garantido. Mas, quem conquista seu espaço e rouba algumas cenas, são os personagens, Lupe (Kate McKinnon), a extrovertida e divertida cabra, amiga e fã do protagonista. E também o trio mais dinâmico e esperto do cinema mundial, Una (Gina Rodriguez), Dos (Daveed Diggs) e Cuatro (Gabriel Iglesias). Juntos, eles vão arrancar todas as gargalhadas da plateia. Por falar nesse elenco, vale ressaltar que os dubladores estão todos agradáveis.

Porém, todos os personagens (coadjuvantes e vilões) foram bem trabalhados e, cada um conquistará o público da sua forma. Todos tem seu espaço e são bastante simpáticos. Cada um, aparece na sua hora e no seu momento. Com muito sucesso, cativam e encantam os espectadores. Não tem nenhum excesso, tampouco algum apresenta pouca relevância a história. Muito pelo contrário, só fazem somar e trazer uma boa diversão para a família.

Outro ponto que chama a atenção é a fotografia do também brasileiro, Renato Falcão, que repete o trabalho bem feito em Snoopy e Charlie Brown: Peanuts, O Filme, aqui o colorido é sempre o lúdico para encantar a criançada. Consequentemente, o mesmo elogio vai para a direção de arte assinada por Thomas Cardone, que desenvolveu os efeitos visuais da animação A Bela e a Fera.

Sobre a realização de Carlos Saldanha, mais uma vez, entrega uma obra bem conduzida e competente. Pode-se arriscar afirmando que trata-se de um dos seus melhores trabalhos. Foi além da mensagem de paz da obra original, ao tratar temas como maus-tratos contra os animais e o veganismo. Claro, com a responsabilidade de entregar a mensagem ao seu público-alvo. Tudo com muito humor e momentos engraçados. Como brasileiro que é, Saldanha deixou a marca do país em alguns detalhes, como uma lata de um famoso refrigerante guaraná, que aparece no chão.

Com uma mensagem universal e atemporal, O Touro Ferdinando é uma produção infantil, que também agradará o público formado pelos adultos. A animação é uma concorrente leal a Viva – A Vida é Uma Festa.

Acesse o site: http://www.intrinseca.com.br/otouroferdinando/

Assista ao trailer:

? Blue Sky Studios / Divulgação

 

Me and Earl and the Dying Girl

Me and Earl and the Dying Girl

Me and Earl and the Dying Girl

Me and Earl and the Dying Girl

Esqueça um roteiro que tenha romance convencional. O filme de hoje é sobre estar presente e ser invisível. É sobre amizade e outras preocupações juvenis além do amor. É um filme de AMOR amizade.

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Desde a primeira vez que assisti o filme independente Medianeras (2011), passei a ter atração por filmes desconhecidos. Agora, desconhecido e tão franco no título e no roteiro, como este longa é, é de deixar quem o assiste absorto o restante da madrugada. Falo de Eu, Você e a Garota que Vai Morrer (Me and Earl and the Dying Girl).

Sob a direção de Alfonso Gomez-Rejon (dirigiu alguns episódios de American Horror Story), o filme é bem criativo ao seguir sequências alternadas de animações-cenasreaislúdicas e tomadas de cenas rápidas e minimalistas. E ainda, a autoafirmação do persona central — Greg — em ser o cara que move a história; o que afeta e é afetado neste grande melodrama.

O que se assiste é a vida de Greg (Thomas Mann)antes e depois de conhecer a garota que vai morrer. É, o título entrega.

O roteiro foi bem dividido por partes que o próprio Greg introduz e narra, favorecendo seu apelo existencial.

Olivia Cooke as "Rachel," Katherine Hughes as "Madison" and Thomas Mann as "Greg" in ME AND EARL AND THE DYING GIRL. Photo courtesy of Fox Searchlight Pictures. © 2015 Twentieth Century Fox Film Corporation All Rights Reserved
A parte em que eu entro em pânico por pura falta de jeito

Thomas Mann (Projeto X; The Preppie Connection)é incrível, ao ser aquele cara que carrega todas as incertezas, e, mesmo assim, sobrevive com esforços que te leva a gargalhar de uma equivalente tragicomédia. São esforços quase inatos à personalidade afável e artística de Greg, onde sua tática para enfrentar o último ano colegial é tão brilhante, ao ter ¨passaportes¨ em todos os grupos separatistas do ensino médio.

O tema central abordado pelo diretor não deixa de ser um dos mais frequentes na vida dos queridos teenagers. A falta de identidade no mundo. Muita carga emocional os jovenzinhos suportam! E esta idílica fase só não ganha da crise dos 20 anos.

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¨Me deixe apenas sentar aqui e arrepender das coisas.¨

O sereno e ainda estonteante Greg, vive a trama de forma bem singular. Com pais liberais e excêntricos na medida do possível; faz o colegial e produz filmes caseiros paródicos. Sim! O Greg faz filmes! O que daria outra matéria bem legal sobre o inventivo, porém original, trabalho dele e seu co-worker Earl.

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¨Meu jantar com Andre, o grande¨

Mas a questão que o filme impressiona com força, é a amizade. É de grande solidez como isto é tratado.

Ao vermos Greg, o grande inspirador e com laços seletos de amizade, conviver com Earl, seu amigo, não tão best friend forever, desde a infância. É importante mencionar  que uma das melhores cenas seja talvez a briga entre os dois. Diz tanto sobre o espaço vazio e o preenchido, que divide e consagra uma amizade-parceria de longa data.

 Esta é a parte que você conhece o Earl. ¨Prático. Perverso. Profundo.¨
Esta é a parte que você conhece o Earl. ¨Prático. Perverso. Profundo.¨

A garota que…, Rachel(Olivia Cooke), entra num círculo mais próximo de uma amizade com Greg de forma embaraçosa e involuntária , segundo ele chama de doomed friendship. Pela insistência da mãe, ele passa o tempo com esta garota limitada pela condição física mas acessível para ser a pessoa que abriria os olhos dele. As cenas com estes dois, meus caros, são as essenciais para filosofar em conjunto com esta pérola de filme. Todas as pressões versus as possibilidades estão aí. E de forma delicada, galante e hilária, o afeto juvenil deles é construído e tocante.

E ainda que Rachel e Greg tenham tudo para serem mais um casalzinho romântico bláblá, o filme não perde por ser brilhante em mostrar um super romancedramacomédia que supera as expectativas. Ou então, um espetáculo de celebração à amizade.

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¨A vida pode continuar revelando-se para você, apenas contanto que você preste atenção.¨

Eu, Você e a Garota que…, é imperdível. É revelador. Traz aqueles primaveris temperamentos e a adição de novos sentidos para o amor entre duas pessoas. ótimo para se identificar.


Bônus: se ainda falta mais motivo para ir conferir ou afirmar a perolicisade que é esta obra prima, confira este bate-papo entre o mestre Martin Scorsese — que aprovou o filme ! — e o próprio diretor Alfonso Gomez-Rejon. Vá nas configurações pra legenda.

 

 

É isso.