Tag: Agonia

Suspiria
Suspiria

 Por ser uma forma de arte, o cinema é capaz de nos despertar as mais diversas emoções. Rimos, choramos e às vezes até cantamos junto com os personagens, mas nem mesmo na ficção tudo são flores. Às vezes o sentimento que um filme quer nos transmitir é obscuro, como medo, aflição, angústia ou uma junção dos três; a agonia.

Nessa lista vamos ver 10 dos filmes que melhor passam esse sentimento, seja por meio de claustrofobia, imobilidade ou cárcere.

Antes de começarmos é importante ressaltar que essa não é uma lista de filmes perturbadores, já que isso é assunto para outro dia.

 

10 – Os Invasores de Corpos

 Imagine o seguinte cenário: Uma a uma, todas as pessoas à sua volta começaram a se comportar de maneira estranha. Elas estão apáticas e aparentemente tramando algo. Tenso, não é? Agora imagine que a causa de tudo isso é uma invasão alienígena sutil, que busca colonizar a Terra tomando os corpos dos humanos enquanto eles dormem. Essa é a premissa do clássico de 1978, Os Invasores de Corpos, onde os protagonistas Matthew e Elizabeth precisam se esconder em meio a multidões de pessoas já tomadas pelos invasores com extremo cuidado para não serem descobertos como hospedeiros ainda livres, e o pior: Não podendo dormir.

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As multidões apáticas

 Há quem diga que o filme é uma metáfora para o comunismo, já que tanto essa quanto a versão original do filme (Vampiros de Almas, de 1956) foram lançadas durante a Guerra Fria. Por falar na versão original, ela perdeu o lugar na lista pelo final do remake, que é infinitamente mais apavorante e pessimista.

 

9 – O Massacre da Serra Elétrica

 Em 1974 não haviam muitos meios de checar a veracidade dos acontecimentos em um filme, então sempre que um diretor ou roteirista dizia que o que estava na tela era “baseado em fatos reais” a tendência era que grande parte do público acreditasse. Nesse contexto foi lançado O Massacre da Serra Elétrica.

O jantar
O jantar

 Quando esse filme foi lançado, o gênero slasher não era tão comum quanto é hoje, já que até mesmo o percursor Halloween só iria aos cinemas 4 anos depois. Ainda não se tinha consciência do clichê dos amigos que vão passar férias em um lugar isolado com moradores misteriosos. Logo, o sentimento predominante em quem o assistia era o de incerteza pelo destino dos personagens e a angústia, por não saberem ao certo se aquilo de fato aconteceu. Hoje em dia há um conhecimento coletivo de que os eventos do filme são puramente fictícios, e mesmo assim ele consegue ser chocante, tornando-se um belo exemplo de uma obra que envelheceu bem o suficiente pra te fazer segurar o fôlego nas últimas cenas e apenas soltar quando sobem os créditos: “Nossa…”

 Os ambientes úmidos e inóspitos, a gritaria constante e o cara de dois metros de altura correndo atrás da protagonista com uma motosserra fazem com que este seja, sem sombra de dúvidas, um dos filmes mais agoniantes que você vai ter a chance de ver.

 

8 – A Bruxa

 Ame ou odeie: Não há dúvidas de que A Bruxa, de Robert Eggers é um dos filmes de terror mais relevantes da nossa geração.

 A história se passa em 1630 (62 anos antes do julgamento das bruxas de Salém) e retrata uma família da Nova Inglaterra, que é expulsa da comunidade em que vivia por exercer uma fé diferente da permitida no local. William e Katherine então se mudam com seus cinco filhos para uma casa à beira de um bosque, onde sofrem com escassez de comida e com o desaparecimento de seu filho recém-nascido. Logo a família começa a acreditar que uma bruxa assombra as redondezas.

A fotografia do filme nos aproxima de Deus

 Vivemos numa época do terror em que busca-se apenas assustar o público, sem muito compromisso com qualquer coisa além do lucro (salvo algumas exceções), então quando um filme aparece fazendo uma rica reconstrução de época e de mitologia em prol do medo do espectador, é óbvio que ele ganhará destaque.

 Além disso o diretor faz questão de não quebrar a tensão do filme com jumpscares ou saídas fáceis para a trama, banhando a experiência com uma trilha sonora enlouquecedora capaz de causar desconforto até no mais ávido fã de terror.

 

7 – O Bebê de Rosemary

 O segundo filme da trilogia dos apartamentos, de Roman Polanski, fala sobre Rosemary, uma jovem que se muda para Nova York com seu marido, onde eles passam a conhecer um invasivo casal de idosos que além de se comportarem de forma suspeita, começam a, gentilmente, desrespeitar a privacidade de Rosemary, que está grávida. Aos poucos a jovem cria desconfianças a respeito de todos ao seu redor, temendo pela vida se seu filho ainda não nascido.

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Mia Farrow como Rosemary

 Esse é mais um filme cujo valor de choque foi ampliado pela sua época de lançamento. Em 1968 pouca coisa se parecia com o que presenciamos aqui. Tudo começa bem, a vida do jovem casal é promissora e os vizinhos, aparentemente, generosos. Acontece que, aos poucos, a ordem da vida de Rosemary vai sendo perturbada, chegando ao ponto de ela (e quem assiste ao filme) não saber mais o que é realidade e o que é sonho. A sensação de agonia vem quando ela tenta questionar ou pedir ajuda a alguém, tendo sempre como resposta que está tudo bem e sendo indiretamente enclausurada em seu apartamento, onde todos parecem se preocupar demais com sua gestação.

 Além disso, a cereja do bolo é a escolha de Mia Farrow para o papel de Rosemary nesse clássico definitivo do terror. Fala sério, quem mais você imagina fazendo essa cena (spoiler alert para um filme de 1968…):

 

6 –  Suspiria

 Mais um filme desse gênero rico em tensão que é o terror. Suspiria é um longa de 1977 dirigido pelo mestre italiano Dario Argento, e gira em torno da personagem Susan, uma americana que se muda para a Europa a fim de estudar em uma grande escola de balé. A garota percebe, porém, que desde o seu primeiro dia no lugar, situações estranhas se estabelecem durante a noite, o que a faz acreditar que está dormindo em um local tomado por bruxas.

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Susan

 Aqui o aspecto mais agoniante é provavelmente a fotografia, com cores sufocantes que fazem parecer que as paredes são de neon. Em momento algum essa estética excêntrica se torna cansativa, mas incômoda? Com certeza.

 A incerteza sobre a sanidade mental da protagonista paira sobre o filme até seus últimos momentos, conduzindo o espectador a também questionar o que está vendo e ouvindo.

 

5 – Rua Cloverfield, 10

 Depois de 8 anos de espera, os fãs de Cloverfield finalmente receberam um sinal de vida a respeito de uma sequência. Ninguém sabia ao certo onde esse filme se encaixaria em relação ao original, e ninguém sabe (até hoje) que droga de final foi aquele, mas uma coisa é inegável: Tudo antes dele foi brilhantemente executado.

 Mary Elizabeth Winstead é Michelle, uma jovem que brigou com seu namorado e resolveu sair de carro por aí, sem rumo. Como ficamos sabendo logo em seguida, ela sofre um acidente e perde a consciência, acordando um tempo depois no bunker de Howard (John Goodman), um homem que diz a ter salvo da superfície, que agora estaria inabitável por conta de um ataque químico.

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O brilhante uso da linguagem cinematográfica para criar tensão

 A construção do bunker é excelente, tornando o filme extremamente crível, juntamente com as brilhantes atuações de Mary e John em seus respectivos papéis, o que faz com que todas as pequenas reviravoltas e paranoias da protagonista, que não sabe se realmente foi salva ou se foi sequestrada, tenham muito mais peso sobre o público.

 Infelizmente o final de Rua Cloverfield, 10 deixa muito a desejar, mas o decorrer do filme é inteligente o suficiente para que ele ocupe o 5° lugar na nossa lista.

 

4 – 127 Horas

 Baseado em uma história real, o filme estrelado por James Franco se passa em 2003, quando o Alpinista Aron Ralston escalava as montanhas de Utah. Ele caiu e prendeu seu braço em uma fenda, onde ficou por cinco dias até (spoiler alert de uma história real) finalmente cortar seu braço com um canivete cuja lâmina estava cega.

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James Franco como Aron

 A princípio você pode imaginar que um filme sobre alguém que ficou 127 horas parado no mesmo lugar pode ser morfético ou simplesmente desinteressante. Ledo engano. Danny Boyle escolhe uma abordagem que mergulha na cabeça de Aron, em muitos momentos já enlouquecido pela falta de água, comida e sono. O resultado é um filme angustiante com um segmento final que poucos conseguiram ver sem reagir ao sofrimento do alpinista. Segue a cena em que Aron corta seu braço (imagens fortes e efeitos sonoros perturbadores):

 

3 – Enterrado Vivo

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E o celular só tinha metade da bateria…

 Paul Conroy (Deadpool) (Ryan Reynolds) é um empreiteiro americano que foi sequestrado no Iraque e acorda dentro de um caixão com apenas um celular, um isqueiro, uma lanterna e 90 minutos de oxigênio. Paul não sabe o porquê de estar ali, e precisa usar tudo que estiver ao seu alcance para sobreviver. Enterrado Vivo é um filme que dividiu a opinião do público, mas que foi muito elogiado pela crítica por ser original e tenso. Muito tenso, especialmente por tocar em um medo muito comum, a tafofobia (pânico de ser enterrado vivo).

 Claustrofóbico, diferente e controverso. Merece o terceiro lugar.

 

2 – O Quarto de Jack

 É comum ouvirmos histórias de pessoas que desapareceram há muito tempo e voltaram, após escapar de algum tipo de cativeiro. Menos comum do que isso, porém, é um filme que consegue nos fazer sentir como a pessoa em questão, ou se mostrar relevante o suficiente para nos fazer refletir a respeito do sofrimento das vítimas desse tipo de crime. O Quarto de Jack é esse filme.

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Jacob Tremblay e Brie Larson como Jack e Ma, respectivamente

 Dividido em dois atos (um dentro e um fora do cativeiro), o filme nos mostra, através dos olhos de Jack, um menino de 5 anos, o sofrimento de uma mãe que há seis anos foi sequestrada e presa em um quarto de 10m². Se você assistiu ao filme (ou sabe o básico da matemática) percebeu que o garotinho nasceu dentro do quarto, e viveu nele durante toda a sua vida, sequer acreditando que exista um mundo fora dele.

 A sensação agonia é uma característica intrínseca a filmes sobre confinamento, e aqui não é diferente. A angústia da mãe de Jack, o fato de ele não conhecer a realidade e é claro, uma das cenas mais aflitivas da história do cinema:

 Uma cena indiscutivelmente bem dirigida e angustiante por vários motivos: Uma mãe mandando seu filho a um destino incerto pela liberdade de ambos, um garoto que não conhece o mundo sendo abruptamente exposto a ele e um desfecho duvidoso. Garante o segundo lugar do filme na lista.

 

1 – Fome

 Em primeiro lugar, o filme mais curto, e ironicamente, difícil de assistir da lista: Fome.

 Assim como 127 Horas, Fome é um filme baseado em uma história real, contando a história dos violentos motins que aconteceram em 1981 no presídio irlandês Maze Prison, onde os presos exigiam condições de vida dignas. As rebeliões começaram a fugir do controle, e no centro de tudo estava o prisioneiro Bobby Sands, que chegou aos próprios limites para concretizar uma greve de fome, disposto a morrer pela causa que defendia. A greve durou 66 dias, e Bobby foi o primeiro de dez prisioneiros a morrer.

Fassbender emagreceu cerca de 16 quilos para o papel
Fassbender emagreceu cerca de 16 quilos para o papel

 O que torna Fome um filme quase impossível de se terminar é a direção de Steve McQueen, que faz questão de nos inserir no sofrimento do personagem, que é interpretado pelo não menos dedicado Michael Fassbender, explorando todo o desgaste físico e mental pelo qual ele passou. Feridas, pratos de comida disponíveis, mas negados por ele a todo o momento e uma audiência que só consegue pensar “Por favor, coma”. Sem dúvidas um dos filmes mais agoniantes de todos os tempos.

 

 Mas e você, que filmes colocaria na lista? Quantos da lista conseguiu assistir? Sinta-se convidado para comentar aí embaixo.

Bons Filmes!