Tag: A Forma da Água

Guillermo del Toro é um daqueles cineastas que possuem uma identidade própria, e quase sempre marcante…e isso é evidente em seu novo filme.
“A Forma da Água” tem a “assinatura” do diretor: é artístico…fantasioso…lúdico e misterioso.
Porém…mesmo sendo um grande filme, não está isento de possíveis falhas…mesmo que pequenas.
O longa se assemelha a um prisma…com lados distintos.

Sally Hawkins e Octavia Spencer como Eliza e Zelda

É visualmente lindo. Envolve o espectador através de uma fotografia muito bem trabalhada em tons de azul esverdeado.
A trilha sonora compõe maravilhosamente o ambiente fantástico que a trama descreve.
Em alguns momentos, é impossível não se lembrar de “O Labirinto do Fauno”, consagrado trabalho do diretor…ou ainda encontrar semelhanças com o gracioso”O Fabuloso destino de Amelie Poulain”.
Sally Hawkins está maravilhosa como a faxineira Eliza, que é muda e se apaixona pela criatura encontrada em um rio da América do Sul, e aprisionada em um laboratório no auge da guerra fria.
A atriz entrega uma interpretação sensível e que diz muito…sem ao menos usar palavras faladas. A emoção transborda em seus gestos e seu olhar.
A “criatura” do filme…também se mostra um belo e competente trabalho de caracterização. A interpretação do ser fantástico ficou a cargo de Doug Jones, antigo colaborador do cineasta.
Junte a tudo isso cenas envolventes, delicadas,e bem feitas…que em alguns momentos fazem a plateia esquecer a noção de tempo/espaço.
Como já foi dito…visualmente lindo. Artístico e sensível.

Eliza e a “criatura” : Amor Incomum

Por outro lado…o roteiro tem alguns furos. Eles são pequenos, mas acaba sendo impossível não perceber.
O principal, talvez seja o desenvolvimento da relação entre Eliza e a criatura. Criatura esta que num primeiro momento se mostra agressiva com qualquer humano que se aproxime, mas se rende de primeira aos encantos silenciosos de Eliza, que a conquista presenteando-a com ovos (??!), em cenas recorrentes e destacadas.
O que se percebe é uma certa urgência em fazer da criatura e de Eliza cúmplices. Sem um trabalho maior de “aproximação”…sem maiores explicações.
O tom cômico fica por conta de Octavia Spencer, que interpreta Zelda…amiga de Eliza.
O tom ameaçador fica por conta de Michael Shannon, como o vilão “Strickland”…caricato demais em alguns momentos.
Pinceladas de erotismo também se fazem presentes…e deixam a interpretação de serem pertinentes ou não, a cargo da plateia.
No geral é um bom filme…mas muito se falou…muito se elogiou…e talvez tenha sido uma obra superestimada.
Mas não por isso irá escapar da alcunha de filme “cult”…ou “clássico”, em um futuro próximo.

 

Trailer

O único jeito de começar a falar sobre este filme é dizendo uma palavra: belíssimo! Novamente Guillhermo del Toro nos presenteia com seu mundo de fantasia, delicadeza e amor, fazendo com que fiquemos hipnotizados pela trama do começo ao fim.

Ambientado na década de ’60 durante a Guerra Fria e com muitas discordâncias políticas, Elisa (Sally Hawkins), uma mulher muda com costumes muito simples, tendo sua rotina metódica e quase solitária, não fosse pelas conversas com seu amigo e vizinho Giles (Richard Jenkins), é uma das muitas contratadas para ser zeladora em um laboratório secreto do governo. Sua única amiga e colega de trabalho, Zelda (Octavia Spencer) sempre gostou de conversar muito com Elisa, deixando o ambiente no qual elas se encontram mais leve e descontraído. Papel muito bem designado para Spencer, que consegue dar aquele alívio nos momentos de tensão e despertar a empatia quando toma decisões que o público também tomaria se estivem em seu lugar.

Após a chegada de uma criatura aquática no laboratório quase que instantaneamente Elisa sente-se, de alguma forma que nem ela mesma consegue compreender, atraída por ela. Às escondidas de todos, começa a se aproximar da criatura, primeiro tentando estabelecer sua forma de linguagem por meio dos sinais, depois por meio da música e finalmente acontece um laço sentimental entre ambos. Durante todo esse processo a personalidade de Elisa também é afetada a medida que seu envolvimento com a criatura aumenta, percebendo-se que sua rotina muda, seu olhar atenta-se para outras coisas que antes não a chamavam a atenção e até começa a sonhar que aquela criatura seja seu “príncipe encantado”.

Como parte do experimento e também como forma de torturar a criatura, Richard (Michael Shannon), um dos encarregados do laboratório e braço direito do general percebe a aproximação de Elisa, o que faz com que ele tenha ainda mais raiva e vontade de machucar a criatura. Sádico, fica obcecado por acabar com a vida dele e de quem mais estiver envolvido.

A trilha sonora foi muito bem escolhida, tanto nos momentos de mistério quando ainda não havia se estabelecido nenhum contato entre Elisa e a criatura, ou quando a moça se colocava a sonhar com seu par romântico, até imaginando cenas de musicais a dois. Até mesmo uma preciosidade do nosso tropicalismo brasileiro se faz presente no longa com uma música de Carmen Miranda.

É interessante dizer que a relação amorosa entre os dois vai além de meros tocar de mãos e abraços, há cenas com o apelo sexual muito bem colocadas que não vulgarizam, de nenhuma forma, os dois. Na verdade, desde o início do longa mostra Elisa como sendo uma mulher comum, e como tal sua sexualidade também é.

Como todos os “amores impossíveis”, acontecem muitos fatos que quase impedem os amantes de permanecerem juntos, mas o desfecho dessa trama acontece de modo surpreendente e enaltecendo ainda mais o “conto de fadas” de Elisa. Mas para os bons observadores, não será uma surpresa.

Certamente Toro acertou mais uma vez com sua inconfundível fórmula de fazer cinema, mesclando seus sonhos, pesadelos e fantasias com os nossos. Assistam e permitam-se levar!

Trailer: