Esse é um tema polêmico de se defender, mas se não fosse, qual graça teria eu parar aqui e escrevê-lo, não é mesmo?

Quem não lembra do sucesso estrondoso que foi Tropa de Elite bem nos meados de 2007? Isso se deu graças às mais de 11 milhões de cópias distribuídas antes mesmo da estreia oficial no Cinema. Com isso se desenvolveu muitas polêmicas, como; O ator Alexandre Mofati foi acusado de estar envolvido na distribuição pirata do filme, o Governo ficou em choque e sem saber o que fazer com a distribuição avassaladora, entre outras coisas.

Alguns dos DVDs piratas apreendidos. (Foto: Divulgação)

O Diretor até chegou a dizer que:

Existe um grande ressentimento no Brasil em relação à polícia, que extorque, tortura, aceita suborno e mata com impunidade

E o Padilha acertou em quase tudo ao dizer isso. Pois não foi só por ressentimento à polícia, por mais que seja esse o tema do filme, mas uma mágoa à repressão estatal de modo geral.

Economia

Editoria de Arte/G1 Foto: Divulgação

Devemos lembrar que em 2007 o PIB estava crescendo, mas isso não significava riqueza pros indivíduos do país. O cinema não era algo tão popular quanto é atualmente. Não era de fácil acesso e isso foi um dos motivos do sucesso absurdo de Tropa de Elite.

Ora, se ‘eu’ não tenho dinheiro pra ir ao cinema, por que eu não compraria uma versão mais barata de um filme que sequer lançou?

A questão mais interessante disso tudo, é que, por maior que tenha sido a pirataria do filme, foi exatamente esse estrondo popular que tornou Padilha um dos maiores (senão o maior) diretores do cinema brasileiro. Junto de Padilha, Wagner Moura também teve sua carreira elevada a níveis ainda maiores, quando era apenas um (bom) ator global. Hoje, tanto Wagner Moura quanto Padilha estão em boas mãos Hollywoodianas, incluindo a tão falada Netflix.

Netflix

Foto: Divulgação

Ah, Netflix. Como eu te adoro!

E eis aqui a resposta para este artigo. Netflix! A empresa que não só barrou o discurso de que ‘apenas o Governo’ (risos) pode combater a pirataria. Através de leis de direitos autorais ou simplesmente do poder das forças armadas (mais risos).

A empresa não libera os números de assinantes em cada país, mas dois estudos independentes sugeriram que o Brasil se transformou no quarto maior mercado para a Netflix, logo depois de Estados Unidos, Canadá e Grã-Bretanha. São 69 milhões de usuários no mundo todo (isso em 2015).

Foto: Divulgação

O presidente da Netflix, Reed Hastings, que geralmente não comenta sobre países específicos, disse que:

O Brasil é o “foguete” da empresa.

Os preços baixos e a excelente qualidade em conteúdo, provou que a maior luta contra a pirataria é a própria oferta. Quando existe uma oferta melhor e de preço válido, pra que o esforço de baixar filmes pirata, ou ir em alguma feira comprar um DVD pirateado?

Tenho certeza que você que está lendo, conhece alguém que antes consumia conteúdo pirata e hoje quando ouve de algum filme, a primeira coisa que pergunta é: Tem na Netflix?

E eu poderia ficar aqui o dia inteiro dando exemplos, como: Spotify, Itunes, Amazon Prime e etc.

Mas a questão que fica é: Por que ainda existe tanta luta [armada] contra a pirataria, se tanto os produtores de conteúdo, quanto os consumidores finais, já possuem uma alternativa segura?

O interesse é de “proteger” o consumidor? Sabemos que não.
O interesse é “proteger” o produtor? Menos ainda!

Fica aí a reflexão.