Muito se falou do grande ganhador do Oscar de 2015, BIRDMAN, mas do que ele trata, qual seu diferencial? Isso que espero passar um pouquinho pra vocês, ou não. E aproveitando essa temática já bastante batida, porquê não falar também sobre O ÚLTIMO ATO, filme com o mesmo tema de BIRDMAN. Então, vale a pena dar uma lida nesse post e tentar entender o que cada um tem de igual, diferente, o que fez de um ganhar Oscar e o outro não. Isso tudo, claro, sem spoilers, e com a opinião de ninguém mais ninguém menos do que OITAVO ANÃO (então, é claro que vale a pena conferir).

BIRDMAN

Uma metalinguagem cinematográfica. O filme que atraiu a atenção do público desde o momento de divulgação, afinal tratava-se de um filme quase que bibliográfico da vida de Michael Keaton. Porém, o filme é muito mais do que isso, é uma obra de arte. Birdman traz nomes de peso como o “eterno” Batman/Birdman, Emma Stone, Edward Norton, Zach Galifianakis (Alan de Se Beber não case) e consegue mais do que honrar esse elenco com uma história dramática, com toques cômicos e retratada com maestria.

DeviantArt user hugohugo

Riggan Thomson (Michael Keaton) é um ator veterano, decadente que carrega o peso de ter representado um personagem marcante nos cinemas, Birdman (qualquer semelhança com a vida real é mera coincidência), seja para o bem ou para o mal. Ele acaba indo para o teatro e monta uma peça para que ele possa se reerguer. O filme mostra como ele vive ainda à sombra do Birdman e vive como se sua vida fosse uma peça de teatro, na qual ele é o personagem principal e precisa da aprovação de todos. – E pode-se perceber isso, ao notar que o filme “não possui cortes”, representando o teatro, onde o show não pode parar. – Ao longo da história ele tenta recuperar sua carreira, sua família e a si próprio, que vive atormentado pelo demônio, mais conhecido como Birdman.

Ao contrário dele, Edward Norton (Mike Shiner) vive um personagem que vê a peça de teatro como sua vida, ou seja, enquanto Riggan vê a vida como uma peça, Mike vê a peça como uma vida. Porém, ninguém realmente vive a própria vida. E isso é só mais um atrativo desse filme, que mostra essa evolução dos personagens, onde Riggan expulsa seus demônios, tira sua máscara de Birdman e recupera sua vida, torna-se livre, e Mike passa a viver de verdade ao invés de viver no palco.

É de tirar o fôlego, cenas imensas sem corte algum, uma história de drama, mas sem todo aquele peso e contado de uma forma artística, poética que nos faz filosofar um pouco durante o “espetáculo”. O roteiro, a direção, os atores, tudo se conecta de maneira harmônica passando a exata intenção do filme. Então, se você ainda não viu, vá ver Batman, digo, Birdman, não vai se arrepender, e por favor bata palmas no fim, afinal é o fim de um espetáculo.

 

THE HUMBLING (O Último Ato)

Filme lançado no final de 2014 / início de 2015, baseado na obra de  Philip RothTHE HUMBLING. Assim como em Birdman, nesse filme, o ator principal estava meio apagado no mundo cinematográfico, Al Pacino, porém, as semelhanças não param por aí. O tema: Ator decadente que tem dificuldade de entender o que é realidade e o que não é. Contudo, acho que não cabe comparar esse dois filmes (embora tenha mais filmes com esse tema e quando assisti os primeiros 8 minutos de The Humbling, eu podia ter certeza que era Birdman), porque esses filmes acabam abordando o mesmo tema de maneira bem distinta, tanto que um ganhou alguns Oscar e o outro passou bem longe disso, recebendo até críticas negativas por alguns (isso não quer dizer nada, não se levem pela crítica, se levem pela minha opinião, é melhor).

Enfim, vamos falar de Tecpix, digo, vamos falar sobre o filme. Antes de qualquer coisa, 2 palavras “Al Pacino“. Muita gente falava que ele já tava morto (para o mundo cinematográfico), mas esse filme foi um tapa na cara da sociedade com luva de pelica com uma atuação que a gente sentia falta. Por isso, se você é fã dele, ou pelo menos era, você tem a obrigação moral de parar agora (mas deixa a página do post aberto pra me ajudar, ou se quiser pode terminar de ler e ver mais outros posts, avisar seus amigos(as) sobre o site… pensando bem termine de ler, porque aí você já pega um pouquinho do clima do filme, e é melhor pra mim também XD, não vou negar) e ver esse filme.

Nele, como eu já falei, Al Paccino é um ator de teatro que com o passar do tempo não consegue mais diferenciar o real da ficção e acaba se internando em uma clínica. Depois de algum tempo ele volta para sua casa, mas continua suas consultas periódicas através da Internet com um psicólogo. Coisas novas e diferentes vão acontecendo em sua vida e ele vai relatando tudo. Entretanto, o que é real? Nem ele, nem o psicólogo, nem nós sabemos. E isso é o diferencial do filme e o faz atraente e interessante.

Porém, nem tudo são flores. A maioria dos atores não acompanham o nível de atuação do Al Paccino, o que tira alguns pontos do filme e ele perde um tanto da beleza que ele poderia ter. Além disso, algumas situações que acontecem ao longo do filme são meio forçadas e desnecessárias. Por exemplo, mostrar o Al Pacino falando sozinho acaba quebrando essa ideia do filme que é você ficar pensando se é real ou não, acaba quebrando a magia.

Resumindo, o filme, ao meu ver, é bem interessante e filosófico, com uma atuação que há muito tempo não se via do Al Pacino. O filme é bem dinâmico, a todo momento com um novo acontecimento e consequentemente um novo “mistério”, uma nova peça no quebra-cabeça que você vai tentando montar e a atuação dele é fundamental pra tudo isso funcionar. Embora, eu tenha falado que não cabe a comparação entre os dois filmes, sei que o ser humano gosta de comparar as coisas. Então, eu diria que Birdman é bem mais completo, com todos atores sensacionais, mais artístico e cheio de metáforas e por isso mais cabeça, não tão acessível a todos os públicos. Já The Humbling, é um filme mais dramático, com um elenco não tão forte, mas mesmo assim com Al Paccino, que se esforça em fazer as engrenagens do filme girarem perfeitamente. Ele não é tão redondinho, nem tão cabeça, mas um bom filme e que te leva com ele até o fim.