1. Música: open.spotify.com/track/4U45aEWtQhrm8A5mxPaFZ7

A arte nada mais é do que uma forma de expressão. É por onde expressamos todos aqueles sentimentos das formas mais variadas possíveis e uma delas é chamada cinema. Este, que por muitas vezes, é utilizado como uma forma de escapismo, ou seja, como fuga do mundo cruel em que vivemos. Porém, muitos filmes acabam exagerando nesse conceito e iludindo muitas pessoas passando um padrão de vida, em sua maioria inalcançável. Por isso, venho escrever esse post de utilidade pública, como uma forma de choque de realidade. Como aprendemos em Arquivo X, “A verdade está lá fora”.

Rocky Balboa em seu golpe mais certeiro de toda sua carreira, acertou um direto, não apenas na cara de seu filho, mas de muitas pessoas iludidas. Em uma aula de vida, podemos dizer assim, ele nos traz a mais pura e triste verdade. A vida realmente não é só sunshine and rainbows, a vida pode ser sua mais cruel adversária se você deixar. Não se iluda com uma vida colorida como alguns filmes possam fazer parecer.

A vida é como o porão de Pulp Fiction, se você não estiver preparado, pode ser que você se dê muito mal, mas você pode também aprender com tudo isso, escolher suas armas e acabar um a um com seus problemas, ou não. Mas como um bom cinéfilo que você é,  sabe que o mais importante não é o fim, e sim todo aquele caminho que você já trilhou e aqueles vilões e dificuldades que deixou para trás.

Música: open.spotify.com/album/7drYNu2imHk188vP81icR3

Esperto foi Peter Pan que escolheu nunca envelhecer, ficar uma criança para o resto da vida. Ainda não inventaram nenhum pó mágico (legalizado) que faça você viajar para a terra do nunca e nunca mais envelhecer. Peter Pan serve como um alerta para você aproveitar cada pequeno instante da sua vida, para alguns anos depois não ficar se lamentando como um velho gagá que queria voltar ao passado e aproveitar mais daquele momento.

Música: open.spotify.com/track/2h6ogDxsZ6Tzy82g16nhFa

Woody Allen, conhecido por suas obras quase bibliográficas, sempre tenta mostrar em seus filmes como relacionamentos também podem ser complicados. Em uma de suas melhores obras, Rosa Púrpura do Cairo (filme muito mais conhecido por seu nome, do que por sua história), ele consegue passar incrivelmente bem toda essa ideia entre o mundo perfeito do cinema versus a vida real, triste, cinza, cruel, de corações partido, pisados, estraçalhados… Respira, inspira, respira inspira. Perdão, me empolguei. Acabei me lembrando de alguns eventos de outrora.

A Rosa Púrpura do Cairo

Poster de A Rosa Púrpura do Cairo

Cecilia (Mia Farrow) é uma clássica mulher dos anos 30 que vive para servir seu marido. Todavia, ele é um marido abusivo e que após ter perdido seu emprego após a grande crise de 29, não faz mais nada além de farrear com seus amigos e “amigas” e viver às custas de sua mulher. Ela é uma apaixonada por cinema, justamente por trazer um escapismo para sua vida, mesmo que tão momentâneo. Em uma de suas idas ao cinema, um dos personagens sai do script, movido por seus sentimentos para com ela. Não satisfeito em conversar com ela, ele cria forças e consegue sair da tela e se materializar no mudo nosso de cada dia. Tom Baxter (Jeff Daniels) consegue convencê-la a viver uma aventura e sair de sua vidinha mais ou menos. Todavia, o ator, Gil Shepherd (Jeff Daniels) que interpreta tal personagem viaja para aquela cidadezinha a fim de convencê-lo a voltar para a telona, mas acaba se apaixonando também por Cecilia. Ela se vê, então, dividida entre um aventureiro, o príncipe encantado que ela e tantas mulheres sonham, mas irreal, ou um galã de carne e osso e apaixonado por ela.

“Estava pensando em coisas muito profundas. Sobre Deus e sua relação com Irving Saks e R.H. Levine. E eu estava pensando sobre a vida em geral. A origem de tudo o que vemos sobre nós. A finalidade da morte; Como quase mágico parece no mundo real, ao contrário do mundo da celulóide e sombras cintilantes.” – Tom Baxter

Será que realmente existe um príncipe encantado como eu, que virá em seu cavalo branco, matará todos dragões de sua vida e te levará para seu castelo e lhe tornar uma princesa e tratá-la como tal? Ou não existe nada disso, apenas Shreks (pessoas com muitos defeitos, mas que no fundo talvez seja uma boa pessoa)? Talvez exista os dois, mas não haja príncipes suficientes para todos, e precisamos nos contentar com um Shrek ou nem isso às vezes. A vida pode ser muito cruel também no que tange o mundo dos relacionamentos e é justamente esse o cerne da maioria dos filmes de Woody Allen. Talvez as pessoas passem muito tempo esperando um príncipe encantado no cavalo branco e não conseguem ver a beleza no Shrek a seu lado.

P.S.: A vida não é de todo mal. Uma boa notícia, por exemplo: estou livre mulheres! Me chame de C&A, use e abuse-me.

Nesse momento, talvez você esteja no canto do quarto, abraçando os joelhos, balançando em movimento periódico e chorando, pensando que o mundo cruel. Você está certo, mas é essa a beleza da vida. Uma vez que você veja a vida dessa maneira, cada dia é uma batalha vencida e só os fortes sobrevivem, e uma dica (sussurrando), se você chegou até aqui, você é um dos fortes. Procure viver, não apenas sobreviver. É isso o que nos diferencia dos outros animais. Busque sua felicidade, não passe essa responsabilidade para os outros, esse é um poder exclusivo seu.

A ROSA PÚRPURA DO CAIRO

Escrito e dirigido por Woody Allen; diretor de fotografia, Gordon Willis; editado por Susan E. Morse; diretor de arte, Stuart Wurtzel; música por Dick Hyman; produzido por Robert Greenhut; distribuído por Orion Pictures Corporation. Tempo de duração: 84 minutos. Elenco: Cecilia (Mia Farrow); Tom Baxter, Gil Shepherd (Jeff Daniels); Monk (Danny Aiello).