Os autores adoram distopias. Existe uma infinidade de livros que tratam sobre o tema o fim dos tempos como o conhecemos. Muitos destes livros foram lançados em períodos de pré-guerra, durante uma guerra ou na iminência de uma guerra. E não é para menos, é comum as pessoas mais sensíveis procurarem entender o mundo em transformação através da criação de um outro mundo fictício. E por qual motivo eu estou falando isso?

Estou dizendo isso, pois, ao contrário do que você possa pensar, o livro Os Pássaros, escrito por Frank Baker em 1936 e lançando no Brasil pela Darkside em 2016 (que janelinha hein) não conta a história do filme do Hitchcock. Deixa eu repetir bem lentamente, o filme “Os Pássaros” do Alfred Hitchcock não tem a mesma história do livro. Independente de que a capa do próprio livro diga sobre o assunto. Agora, isso significa  que o livro seja ruim? Nem um pouco.

Ambientado em uma Inglaterra pós-apocalíptica, o livro conta a história dos dias finais da sociedade como a conhecemos através do ponto de vista de um personagem idoso que viveu os últimos momentos dessa sociedade.

Vivendo em um mundo turbulento e ameaçado por guerras, os cidadãos das grandes capitais do mundo recebem a visita de pássaros misteriosos que parecem dotados de uma missão própria. A dramaticidade da situação evolui de maneira bem gradativa e as cenas de ação são intercaladas por monólogos e análises filosóficas particulares do personagem.

Abordando os mais diversos temas e colocando o dedo na ferida de muitos assuntos, o livro faz um panorama geral da insegurança e da incerteza que estavam presentes no inicio do século XX. Lançado naquele período entre guerras, o livro é um recorte das angústias que viviam os moradores dos grandes centros urbanos.

Apesar de ser um livro reflexivo e temperado com críticas, o livro é uma história de suspense com toques de terror. Os pássaros invadem o cotidiano com um desprezo visível por tudo aquilo que os humanos prezam. Defecam nas estátuas de grandes líderes. Debocham das lideranças religiosas. E tornam a vida dos cidadãos insuportável. A força do livro está na sensação de claustrofobia que essas criaturas causam aos humanos. O personagem chega a se sentir como um rato que é perseguido por um falcão.

A edição é muito bem feita. Claro que existe um certo apelo feito ao filme do Alfred, mas não se engane. Os temas tratados no livro passam longe do filme de suspense.

Um livro muito interessante e uma história de distopia que foge do comum. É um daqueles livros que deixam muitas perguntas sem resposta e fazem o leitor decidir por si o que poderia ter acontecido ou não.

Repleto de cenas angustiantes, o livro será uma alternativa para todos aqueles que adoram Stephen King mas gostariam de tentar algo novo. Além de possuir insights filosóficos para os que gostam de marcar o livro e refletir sobre a história. Vale a leitura.

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