Danish director Lars von Trier poses during the photocall for the film "Nymphomaniac Volume I (Long Version)" at the 64th Berlinale Film Festival in Berlin on February 9, 2014. The 64th Berlinale, the first major European film festival of the year, with 24 international productions screening in the main showcase takes place until Febuary 16, 2014. AFP PHOTO / JOHANNES EISELE (Photo credit should read JOHANNES EISELE/AFP/Getty Images)

Quem seria Lars Trier? Nascido em 1956, na cidade de Copenhagem, é carinhosamente chamado de Lars von Trier. O “von” foi adotada por ele durante o período em que esteve na Danish Film School, pois se tratava do apelido dado por seus amigos da época. Trier consegue ser um dos mais (ou o mais) polêmicos diretores do nosso tempo. Tendo até recebido pela direção do Festival de Cannes a declaração de persona non grata, como sinal de repulsa ao cineasta dinamarquês, por suas declarações , brincalhonas, segundo ele alegou mais tarde, de simpatia por Adolf Hitler e pelo nazismo. Dá pra ver que tanto atrás das câmeras quanto pelas obras realizadas, ele é polêmico. Mas brilhante e completamente fora do padrão, costuma ser o oposto do que chamamos previsível. Com filmes que abordam temas pesados ou assuntos mais delicados, ele é responsável por várias obras primas do cinema. Você nunca vai saber o que esperar, já que a surpresa é uma das maiores armas desse grande diretor.

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Mas não foram apenas seus filmes que o tornaram conhecido. Ele, junto a seu amigo Thomas Vinterberg, foi um dos idealizadores do “Dogma 95”. Trata-se de um manifesto para a criação de um cinema mais realista e menos comercial, contendo 10 regras para um filme, podemos dizer que, mais teatral. Nele não são permitidos o uso de algumas tecnologias, tendo que ser filmado em câmera de ombro e sem qualquer tipo de suportes. A trilha sonora seria apenas o que ressoar no local da cena, e nada de muitos cenários, efeitos especiais ou truques fotográficos. Os filtros são estritamente proibidos (Claro que o Dogma 95 é muito mas complexo que isso, e apenas dei um resumo básico do seu conceito). Porém em seus filmes, apenas um deles segue à risca essas 10 regras: Os Idiotas, de 1998. Então sem mas delongas, vamos para os filmes:


1-Dancer in the Dark (2000)

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Protagonizado pela cantora Björk, Selma é uma imigrante tcheca, mãe solteira, que se muda para os Estados Unidos com seu filho Gene. Para sobreviver, trabalha em uma metalúrgica. Porém Selma sofre de uma doença hereditária degenerativa, que a cada dia lhe ocasiona uma rápida cegueira progressiva. Por este motivo Selma guarda cada centavo que ganha, em uma lata na sua cozinha, com o objetivo de custear uma operação que evite que seu filho sofra do mesmo destino que o seu. E foi justamente por isso que se mudaram pra os E.U.A, onde existem mais opções de médicos e tratamentos. Mas o que já esta ruim tende a piorar, e várias coisas começam a acontecer com a personagem ao longo do filme. Sendo um dos filmes mais tristes de Trier, é realmente impressionante e muito bonito. Com vários prêmios importantes ganhados, como a palma de ouro e o de melhor atriz para Björk (Cannes), é um dos meus favoritos.


2-Dogville (2003)

Dogville (2003)

Um dos filmes de Lars Trier que mais cumprem com as regras do Dogma 95, apresentando muita simplicidade em seus cenários ou até com ausência deles. Literalmente são riscos no chão e cortes de cenas pouco convencionais. Todo o filme foi gravado dentro de um galpão na Suécia, com câmera no ombro e ausência de trilha sonora ou deslocamentos temporais. Entretanto foi usada iluminação artificial e cenografia, itens proibidos no Manifesto Dogma 95. Com várias referencias ao teatro incluídas no longa, como o absurdismo, em que os atores improvisam e criam situações em que interagem com objetos que não estão ali como portas invisíveis e assim por diante, o filme é parte de uma trilogia com dois que eram para serem lançados, mas apenas um saiu, a terceira parte ainda esta sem previsão.

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Começa quando Grace se esconde de criminosos que a perseguem. A pequena cidade de Dogville se dispõe a refugiar-la, desde que ela faça valer o esforço. Ela trabalha duro para várias pessoas da cidade para obter seus favores. Mas aos poucos eles começam a perceber que ela lhes deve muito mais. O filme começa aparentemente normal, e com o passar do tempo vai mostrando um lado sombrio e pesado, chegando a um final de deixar qualquer um boquiaberto. (Para um maior aprofundamento veja na nossa de Dogville aqui no cinerama, não vai se arrepender)

3-Anticristo (2009)

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Considerado um dos mais violentos,macabros e explícito filme de Trier, esse filme de terror é protagonizado por Willian Dafoe e Charlotte Gainsbourg. Trata-se de um casal que acaba de perder, de uma forma trágica, seu único filho. A mãe entra numa depressão gravíssima, e seu esposo, que é psiquiatra, os isola totalmente da sociedade, indo viver com ela rusticamente em uma cabana na floresta.

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É um filme que começa lento, mas a partir do momento que eles se mudam para a cabana, começa a esquentar. Com uma beleza visual fantástica e fotografia que te joga dentro da história, o clima passa a ficar cada vez mais sombrio. Com atuações impactantes e roteiro um pouco forte e pesado, é um filme inteligente e assustador. Lars não poupa o seu público e entrega um produto doloroso de se ver e que muito se assemelha a uma espécie de tortura para a sua mente. Para poucos, mas, uma obra prima.

4-Melancolia (2011)

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Mas uma vez contendo Charlotte Gainsbourg, como também Kirsten Dunst e Kiefer Sutherland. Todos eles sensacionais em seus papéis. Como o próprio nome diz, umas das produções mais tristes de Trier. Com uma mistura de drama e suspense, esse longa traz uma fotografia bem sombria/escura, com os clássicos takes em câmera lenta que dão aquele toque mais macabro ao filme. Justine (Kirsten Dunst) está prestes a se casar com Michael (Alexander Skarsgard), e recebe a ajuda de sua irmã, Claire (Charlotte Gainsbourg). Mas ao mesmo tempo que tudo isso acontece, nossa protagonista passa por problemas pessoais, chegando a surtar muitas vezes. E como se não bastasse, eles estão perto do fim do mundo, pois existe o risco de um outro planeta colidir com a terra. O filme é uma clara alusão a depressão em si e em todo o seu contexto. Com fotografia, trilha e atuações belíssimas e que ajudam bastante, um claro estudo da vida por Lars von Trier. (Também temos uma ótima crítica aqui no cinerama sobre o Melancolia, confere lá porque vale a pena!)

5-Ondas do Destino (1996)

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O filme que trouxe a tona o grande potencial de Trier, pois foi quando ele passou a ser mais reconhecido. Nunca espere um filme tranquilo, quando a direção esta nas mãos de Lars von Trier. A trama é passada no norte da Escócia, onde uma jovem mulher com uma leve deficiência mental, Bess (Emily Watson), se apaixona e se casa com um dinamarquês (Stellan Skarsgard, 1 de 5 filmes que ele viria a participar com Lars). Ele trabalha em uma plataforma de petróleo e sofre um acidente onde quebra o pescoço e fica provavelmente incapacitado para o resto da vida. Nesta situação e vendo sua mulher sofrendo, ele a pressiona para procurar amantes e depois a contar os prazeres e detalhes de suas experiências. Bess não deseja isso e sofre tremendamente em seu suplício. Mas assume que seu propósito em vida é servir aos outros e abdicar de si mesma em nome do amor. Isso é só um breve resumo da grandiosidade que o filme tem, numa atmosfera totalmente única e com interpretações e abordagens bem delicadas. Como sempre uma fotografia lindíssima, paisagens de grande beleza e com a brilhante e hipnotizante atuação de Emily Watson. Muito, mas muito comovente. Uma obra essencial sobre o amor, a bondade e principalmente a humanidade.