Locke é um filme arriscado em todos os sentidos. Vai na contramão da indústria frenética dos efeitos visuais, das explosões, das tramas maquiavélicas. Isso porque ele conta apenas com a presença de Tom Hardy e as interpretações vocais dos outros atores (incluímos até o então desconhecido Tom Holland). Como cenário, o interior de um carro, ruas e avenidas. 
Ivan Locke (Hardy) tem a vida totalmente destruída com um telefonema que o informa de algo que ele cometeu no passado e que agora gerou consequências. Então ele decide dirigir até Londres para resolvê-lo. Durante a sua viagem que dura cerca de 80 minutos (a trama se desenrola em tempo real e isso tem um resultado impressionante) ele precisa resolver inúmeros problemas do trabalho, dos conflitos que surgem com a família, um jogo de futebol que está acontecendo e que seus filhos esperavam que ele assistisse em casa, além de um passado que o assombra drasticamente.

Pode parecer muito cansativo ver um personagem dirigir por 80 minutos e ficar falando ao telefone praticamente o filme inteiro. E é nesse cenário que percebemos o quão profundo, tenso e frenético se torna. Ele não tem correrias desenfreadas, nem perseguições. Ele é construído com diálogos profundos e intensos e a interpretação espetacular de Tom Hardy dita o tom de cada cena, que te prende de maneira surreal.
Steven Knight (roteirista da excelente série britânica Peaky Blinders) escreve e dirige este que é o seu segundo longa metragem, e tem todos os méritos ao conseguir fazer inúmeros planos num cenário extremamente pequeno, que consegue dar inúmeras referências visuais ao momento do personagem: estrada vazia num momento de solidão, sirenes passando em conversas mais dramáticas, a placa do carro de Locke que indica algo importante. Sem contar com uma fotografia e edição que corre junto com a história, cadenciada e no tempo certo.


Posso afirmar que este foi um projeto arriscado e muito bem executado. Ele é a prova de que o cinema pode sempre se reinventar com histórias muito bem contadas, sem precisar do apelo comercial.
Locke não é uma obra prima irretocável, porém foge do convencional e isso com certeza é ótimo.

Título: Locke
Ano: 2013
Direção: Steven Knight
Roteiro: Steven Knight
Duração: 80 minutos
Classificação: 10 anos
Gênero: Drama