Vivemos em uma era de exibicionismo extremo em que se vendem vida, corpo, carreiras e relacionamentos perfeitos.

Enquanto isso, o ser humano comum – com celulites e dor nas costas, que pega várias conduções em um único dia, bate a canela na gaveta que o parceiro esqueceu aberta e que deixou seus sonhos morrerem por causa da vida – está do outro lado da tela se perguntando aonde foi que errou.

Eis a verdade: não existe perfeição.

Filmes de romance normalmente trazem um problema que o casal precisa resolver, faz parte do paradigma do roteiro descrito por Syd Field em Manual do Roteiro:

Existe uma necessidade de confrontação para que haja os pontos de virada, para que haja o clímax do filme. E no final, tudo acaba bem. “E viveram felizes para sempre!”. Só que essa não é a verdade.

Não que não existam relacionamentos que durem até o fim eterno. Mas sem dúvidas, contos de fada não existem. Você pode até viver dias mágicos, mas a realidade cotidiana é bem diferente do que vemos nos filmes românticos (e nas redes sociais, não se deixem enganar!).

Então aqui vai uma lista de filmes que contam de forma honesta estórias de relacionamentos genuínos para você que é de verdade poder se identificar e refletir sobre o amor real (que vale muito a pena, apesar de tudo).

10 – The Last Five Years (Os Últimos Cinco Anos)​ 

O longa baseado no musical escrito por Jason Robert Brown e dirigido por Richard Lagravenese (P.S. Eu Te Amo) narra os Últimos Cinco Anos das vidas de Cathy (Anna Kendrick) e Jamie (Jeremy Jordan).

A cada número musical temos um momento diferente da vida do casal que é contada através de uma montagem não linear, começando pelo fim.

Vemos e ouvimos em belíssimas canções o êxtase do início de um romance e a esperança depositada no novo relacionamento; os altos e baixos do meio, a frustração, desconfiança, o afastamento… e no fim, a tristeza.       

(Não necessariamente nessa ordem).

9 – By The Sea (À Beira Mar)

À Beira Mar foi escrito e dirigido por Angelina Jolie e produzido e estrelado por ela e Brad Pitt, casal que também viveu a ascensão e o declínio de um longo relacionamento na vida real.

Juntos há 14 anos e cada vez mais distantes, Vanessa (Angelina) e Roland (Brad) são confrontados involuntariamente por dois jovens recém casados hospedados no quarto ao lado do hotel em que estão passando férias.

O ritmo lento é essencial para que possamos sentir a angústia, repulsa, e até mesmo o tédio, presentes no casamento dos dois protagonistas.

Também é interessante como o filme mostra que assim como na vida real, muitas vezes o desgaste das relações em geral é influenciado por traumas não tratados que nos impedem de viver relacionamentos saudáveis.

8 – Blue Jay (Blue Jay)

Com direção de Alex Lehmann e roteiro de Mark Duplass (The League), que também aparece no elenco principal ao lado de Sarah Paulson (American Horror Story), Blue Jay conta a estória de Jim e Amanda, um casal dos tempos do colégio que se reencontra anos depois, por acaso (ou destino).

Eles iniciam um longo passeio pela cidade, conversando sobre o presente e relembrando o passado. Nas entrelinhas podemos ver que algo ainda está vivo dentro deles, mas não necessariamente o amor da juventude.

Às vezes nos apegamos tanto a estória que vivemos que a confundimos com um sentimento que já não existe mais, não da mesma forma.

Às vezes não. Às vezes aquele primeiro amor fica guardado mesmo pra sempre, até o fim.

Blue Jay nos faz pensar nessas versões de amores reais de uma forma simples e leve, além de mostrar como assuntos não resolvidos no passado podem direcionar nossas vidas até o presente.

7 – To The Wonder (Amor Pleno)

A sexta obra de Terrence Malick fala sobre a busca pelo amor do jeito que só ele sabe fazer: muitas imagens, poucas palavras – mas o suficiente.

Neil (Ben Affleck) conhece Marina (Olga Kurylenko) na França e apaixonado, ele a convida para mudar-se com sua filha para Oklahoma.

Marina deixa sua terra para viver aquele amor e na medida em que o tempo passa, ele deixa de ser correspondido, pouco a pouco.

Entre términos, novos amores e reatamentos, o filme mostra o quanto perdemos em busca de sermos amados, o quanto abrimos mão de coisas importantes para nós e que às vezes é necessário dizer adeus para que se encontre o amor pleno: o amor próprio.

6 – Revolutionary Road (Foi Apenas Um Sonho)

O longa é dirigido por Sam Mendes (Beleza Americana) e baseado no livro Revolutionary Road de Richard Yates, de 1961.

Jack e Rosie, ops! Leonardo Di Caprio e Kate Winslet dão vida a Frank e April Wheeler, um casal aparentemente feliz que vive com seus dois filhos uma vida confortável e tediosa, bem diferente do que sonharam juntos no inicio do romance.

Ela queria ser atriz e ele odeia o seu trabalho e é assim que as decepções da vida vão matando dia após dia a paixão entre os dois, dando lugar a brigas, traições e um fim trágico que mostra a fragilidade fragilidade de uma relação e como precisamos cuidar dela para não perdermos quem amamos.

5 – Candy (Candy)

Adaptado do romance de Luke Davies, Candy: A Novel of Love and Addiction, o filme é dirigido pelo diretor australiano Neil Armfield e estrelado por Heath Ledger (O Cavaleiro das Trevas) e Abbie Cornish (Tempestade: Planeta em Fúria). Eles interpretam um casal apaixonado e cheio de sonhos que veem suas vidas desmoronando pouco a pouco por causa do vício em drogas.

Ao contrário dos outros filmes, a paixão não morre, eles continuam apaixonados e por isso se mantém juntos numa parceria autodestrutiva passando pelas mais terríveis situações, como a prostituição, o desabrigo e uma gravidez traumática.

O filme faz pensar em até onde devemos ir para manter um relacionamento em que há amor, mas que não é saudável, e mais uma vez vemos que em primeiro lugar precisa estar o amor próprio.

4 – Like Crazy (Loucamente Apaixonados)

Um filme de Drake Doremus, Loucamente Apaixonados conta a estória de Jacob (Anton Yelchin) e Anna (Felicity Jones), dois jovens que se conhecem em uma faculdade de Los Angeles onde ela é aluna intercambista.

Após a formatura dos dois, ela tem seu visto de estudante vencido e precisa retornar ao seu país, no entanto, Anna decide ficar ilegalmente para viver seu romance com Jacob.

Após um verão apaixonado, Anna vai para casa estar com sua família e quando tenta voltar para Los Angeles é impedida por oficiais da imigração, por causa de seu visto vencido.

O relacionamento de encontros e desencontros se abala com o tempo e a distância. Eles até vivem outros casos, mas não conseguem seguir adiante. No fim não sabemos se aquilo ainda é amor ou apenas apego pelo não vivido.

3 – The Broken Circle Breakdown (Alabama Monroe)

Dirigido e escrito por Felix Van Groeningen, o drama musical nos mostra duas fases do amor através de montagem não linear e belas canções interpretadas pelo casal Didier (Johan Heldenbergh) e Elise (Veerle Baetens).

Um é o completo extremo do outro. “Ele fala, ela escuta. Ele é um ateu romântico e ela é uma religiosa pé-no-chão.”

Apesar das diferenças os dois vivem um ótimo relacionamento, cheio de paixão e momentos de diversão. Mas após um acontecimento trágico, o casamento dos dois se abala e as diferenças começam a ter voz.

Ela muda o nome para Alabama e o nomeia de Monroe, é quando vemos que os dois não são mais os mesmos, assim como sua relação jamais será a mesma, mas que apesar do lugar para onde as coisas se encaminharam, ainda havia amor.

2 – The Theory Of Everything (A Teoria de Tudo)

Baseado numa história de amor real no sentido mais puro da palavra, o filme narra os eventos contados no livro Travelling to Infinity: My Life with Stephen, escrito por Jane Hawking.

O filme mostra como o amor e o cuidado de Jane (Felicity Jones) possibilitou que Stephen (Eddie Redmayne) chegasse tão longe.

Através de mais 25 anos de relacionamento, Jane adiou e abriu mão de objetivos pessoais por sua família.

Vemos como amar pode nos exigir sacrifícios que muitas vezes causam um desgate irreversível e que o fim de uma relação nem sempre significa o fim do amor.

1 – Blue Valentine (Namorados Para Sempre)

Blue Valentine, em livre tradução: “Namorados Azuis”, a cor que representa tristeza e fragilidade no universo cinematográfico.

A obra de Derek Cianfrance (autor de A Luz Entre Oceanos e O Lugar Onde Tudo Termina, assistam!) é o equilíbrio perfeito entre romance e realidade.

A montagem não linear mais uma vez brinca com nossos sentimentos alternando entre presente e passado, uma hora estamos no ápice do amor de Dean (Ryan Gosling) e Cindy (Michelle Williams) e em outra estamos envolvidos em uma discussão angustiante.

Dilacerante por sua honestidade, o filme é a maior referência atual de uma história de amor real.