Estou certo de que você sabe reconhecer um bom filme de terror quando encontra um.

Não dá para negar, é fácil selecionar algo genérico de algo genuíno, poxa, não é difícil assistir a um filme com aquele monstro secreto escondido em algum lugar que atazana todo mundo, principalmente casais perfil fitness pré-sexo, aí a “criatura do mal” mata uma dúzia de desavisados antes de ser morta pela mocinha, mocinho, amigo do mocinho, amigo da mocinha… essa é a fórmula, eu conheço, você conhece.

Agora, se você assistiu ao sexto sentido (“I see dead people”), e eu acredito que você assistiu, você certamente consegue compreender que um bom filme de terror deve manipular a expectativa do público com paciência, passar longe dos sustos telegrafados e deixar de lado as cenas genéricas, é aqui que eu quero chegar, The Witch é um filme destes.

Lembra-se do filme “A Vila” do mesmo diretor de o Sexto Sentido? Pois é, nas vésperas do lançamento deste filme existiu uma hype enorme sobre toda a ambientação da história, todos pensaram “uou, se esse cara me fez mijar nas calças com um garotinho e uma bexiga vermelha, imagina o que ele vai fazer com uma vila inteira a luz de velas…. já estou tremendo só de pensar” infelizmente todos nós fomos desapontados. O filme é bagunçado e o final é deprimente.

Mas nós estamos aqui para falar do filme The Witch (A Bruxa, escrito originalmente como The VVitch), um filme que veio para fazer justiça a todos os que estavam esperando um bom filme de terror ambientando no período que para fins de descrição vou chamar aqui de pré-tecnológico.

A história se passa em 1630, quando uma família é forçada pela situação a ir viver em meio a uma floresta, longe da proteção da cidade. E é aí que a coisa fica interessante.

Qualquer outro filme de terror com a mesma prerrogativa faria o básico, teria uma criatura maléfica que apareceria pedacinho por pedacinho até que surja inteira na “cena-de-susto definitiva-do-filme-onde-nós-vemos-o-fantasma-de-corpo-inteiro-e-todas-as-pesonagens aceitam-a-presença-do-mal-e-lutam-contra-ela” é o básico, mas não aqui, não neste filme.

 

Para começar, em The Witch a crueldade da criatura vai além de todas as expectativas dos filmes comuns de terror,

não estou falando de jovens bonitos morrendo, estou falando de uma frieza que vai fazer você entortar os dedos dos pés de angústia.

Além disso as cenas de sustos e tensão não estão colocadas em cadeia ou sequência, após uma cena de muita expectativa é possível que o filme volte para o completo silêncio.

Um outro elemento muito importante para criar atmosfera neste filme é a situação precária da família, a crueza da realidade e a dificuldade das diversas situações cotidianas, como por exemplo ter o que comer, tornam The Witch um filme ainda mais potente.

Para os mais apaixonados por cinema vou deixar a dica de prestarem atenção especial na iluminação e na composição das cenas, a textura sempre fria e molhada do filme passa uma sensação gelada, o cenário é de desamparo.

A trilha sonora é excelente, eu assisti ao filme usando fones de ouvido e confesso que em alguns momentos pensei que o meu coração ia sair pela boca.

Veja bem, The Witch não é um filme de jump scares,

não existe um vilão correndo atrás de ninguém com uma faca/serra na mão. Este é um filme de paciência, o desenvolvimento da trama e das cenas são feitos sem nenhuma pressa, o filme também possuí o mínimo possível, para não dizer quase nada, de exposição do roteiro, o que é isso? Não têm ninguém explicando a trama a todo momento, você deve assistir e entender por si mesmo, para complicar um pouco mais as cenas verdadeiramente aterrorizantes, aquelas que aparece alguém morto sabe, acontecem rapidinho e o filme não fica reprisando tudo a todo momento.

Nossa, então para que eu preciso ver esse filme?

Por que esse é um ótimo filme de terror, se você tiver paciência, se você  largar o celular e se concentrar na dela e se você se deixar levar pelo filme, eu tenho certeza que você vai encontrar uma história muito potente e um ótimo filme de terror como não via em muito tempo, vou me atrever até a dizer, se você assistir a esse filme com a calma que ele merece talvez esteja diante de um novo “Sexto Sentido”.

Talvez esse filme não entre na lista de grandes clássicos do terror mas é certamente um ótimo filme.

Concorda? Discorda? Nós adoraríamos saber o que você tem a dizer.