Na contramão de grandes nomes para protagonizar, a Netflix trouxe Alfonso Cuáron para dirigir esta obra prima. Além da direção, Cuarón é responsável pelo roteiro, fotografia e edição.
Roma companha mais ou menos um ano na vida de uma família mexicana e a relação com sua empregada doméstica Cleo.
O roteiro entra naquela categoria que eu particularmente adoro que é falar sobre a vida real, essa mesma que vivenciamos diariamente. E por este motivo pode não cair nas graças de quem adora plot twists a cada cena.
Apesar de situar-se na década de 70 a história carrega elementos atuais que vergonhosamente não mudaram durantes os anos como: machismo, violência contra mulher, abandono. Também carrega a semente do que se tornaram lutas grandiosas como igualdade, não dependência do homem.
A atriz Yalitza Aparicio (neste que é seu primeiro trabalho no cinema) está maravilhosa como Cleo (no que lhe rendeu, merecidamente, uma indicação ao Oscar de melhor atriz). As poucas palavras dizem muito, o desamparo, as expressões faciais ditam o quão sofrida ela é. Reparem que Yalitza protagoniza uma cena que, provavelmente, entra na galeria das mais tristes da história do cinema (dentro do hospital).

Tecnicamente Roma também é espetacular. Os planos sequência, a fotografia preto e branco com contraste alto te deixam estarrecido de tanta beleza. E se conseguir, assista na maior tela possível. Isso porque este filme foi rodado em 70mm, explorando o máximo dos ambientes e das cenas horizontalmente (este é o principal motivo de lamentarmos por Roma não ter sido exibido nos grande circuitos. Ele só pôde entrar na concorrência pelo Oscar porque foi exibido em poucas salas no mundo, incluindo São Paulo).

Cuarón faz de Roma uma obra prima instantânea e o seu relato mais pessoal já que muitas memórias do diretor estão no longa (Roma para quem não sabe é o nome de um bairro de classe média no México onde Cuáron passou a infância). E caso você assista e ao final diga: não acontece nada nesse filme!?
Eu respondo, plagiando a crítica de cinema Isabela Boscov: a vida está acontecendo! E isso é maravilhoso.

Título: Roma
Ano: 2018
Direção: Alfonso Cuarón
Roteiro: Alfonso Cuarón
Duração: 2h 15 min
Classificação: 14 anos
Gênero: Drama

Veja também: “Crítica | Poderia Me Perdoar?

REVER GERAL
Geral
Formado em produção audiovisual, fotógrafo, e idealizador de videoclipes musicais quando o tempo permite. Amante da sétima arte, defensor do cinema nacional e apreciador de uma cerveja gelada. Não gosto de fazer lista de diretores favoritos e sim de filmes: Trilogia do Anel, Cidade de Deus, Forrest Gump, O Rei Leão, O Menino e o Mundo... e por aí vai.