Você pega um diretor de programas televisivos, uma ideia ruim – fingindo ser boa – um roteiro absolutamente sem inspiração, disfarça tudo isso de desconstrução e representatividade, e o resultado é Megarrromântico (Isn’t it Romantic).

O que ele promete ser? Uma caricatura das comédias Românticas lançadas entre os anos 80 e os 2000.

Como Megarrromântico tentou fazer isso? Da pior forma possível.

O que ele conseguiu? Fazer um filme tão ruim quanto a pior comédia Romântica lançada em muito tempo (ou o pior filme de comédia lançando em anos e anos).

Megarrromântico tinha material

O casal Rebel Wilson e Adam DeVine têm energia e química para conseguir um resultado melhor. Elizabeth Banks (Diretora) foi capaz de fazer com que o casal funcionasse muito bem em “A Escolha Perfeita 2” – e nós estamos falando de um filme 2.5, no máximo.

Tudo o que Todd Strauss-Schulson (Diretor) fez em Megarrromântico foi tornar essa dupla em um casal óbvio e cansativo.

“O irmão do Thor” também está no filme, Liam Hemsworth, ganhou destaque ao interpretar Gale na sequência de filmes Jogos Vorazes. Em Megarrrômantico Liam está absolutamente caricato, inútil e possui um ponto de virada (?) injustificável e preguiçoso.

Megarrromântico

A piada já está explicada, faça qualquer coisa

Fica claro que os produtores não se incomodaram com a platitude em Megarrromantico. Pegue uma atriz inteligente e interessante – Rebel Wilson é os dois e muito mais – dê para ela um roteiro básico e deixe que o público ame o resultado.

Não deu certo, esqueceram de dar um roteiro (minimamente decente) para a Rebel trabalhar.

Megarrromântico é completamente sem imaginação. Faz as piadas mais óbvias sobre os filmes de comédia romântica. Um humor cansativo, não consegue ir nas camadas mais interessantes com o intuito poder trazer algo verdadeiramente inteligente e engraçado para a superfície.

Toda a embalagem de crítica ao padrão, além é claro, do amor próprio que o filme apregoa também não funcionaram. Na verdade, o filme gosta tanto de si mesmo que acaba cansando o público já nos primeiros minutos. Autocongratulação barata, simplista, chata, irritantemente insistente, como um vendedor dentro da loja perguntando se você quer algo de 10 em 10 segundos.

Netflix tem lastro, só não precisava abusar

Acredito que o carimbo da Netflix nas suas produções originais tenha peso. A produtora sabe desenvolver conteúdo de qualidade – fugindo dos estereótipos – e criar conexão com diversos segmentos do público.

Megarrromântico foi só um ponto fora da curva – espero.

Megarrromântico

Tecnicamente, Megarrromântico pode ser citado?

O figurino não inova, não faz nada, apenas expõe a piada fácil e óbvia. Escolhidas com base nas comédias românticas antigas, você tem uma reação de 2 segundos:

“Ah, ela está usando a mesma roupa da Julia Roberts, hummm, tá. Só isso?”

Contudo, preciso dizer, a construção de mundo foi bem-feita. Tanto a arte quanto a fotografia trabalharam bem na transição entre as viradas do roteiro. Entretanto, como sempre, nada disso dá um passo extra. Toda a equipe: desde a maquiagem, o figurino, a coreografia, todos trabalharam no piloto automático.

Se a Netflix queria um filme sem pretensão, perdeu o controle e fez um filme oco. Completamente esvaziado de sentido.

“Ah, você pode estar levando um filme bobo muito a sério, não acha?!”

Talvez esse seja mesmo o caso, e eu esteja pegando só um filme bobo e sem significado como algo além do que ele deveria ser. Se for o caso, culpa do redator.

De todo modo, tudo o que eu disse sobre Megarrromântico pode ser dito sobre praticamente qualquer comédia romântica feita para o cinema nos últimos 200 anos. Prove o contrário.

Megarrromântico