Sinopse: Sarah desconfiada da mudança de atitudes do seu filho Miles, inicia uma investigação por conta própria para entender o que está acontecendo e, pressente que uma força maligna está controlando cada vez mais o garoto em suas ações.

Maligno o filme dirigido por Nicholas McCarthy (Holidays- 2016) teve sua estreia na última quinta (14) trazendo uma perspectiva de terror sobre crianças assassinas com complexidade no enredo e perguntas questionáveis sobre se o comportamento do filho seria fruto direto dos pais ou se a criança nasce bondosa até isso ser corrompido pela sociedade.

Toda vez que essas questões aparecem se percebe que o foco principal foge de Miles (Jackson Robert Scott) e vai para Sarah (Taylor Schiling), quem é tomada pelo sentimento de ser uma mãe que carrega culpa e raiva. Nesses momentos que se percebe a presença da agressividade do filho, quem pronuncia frases estranhas e diz escutar as vozes dentro de sua cabeça. Sarah e seu marido John (Peter Mooney) se voltam para os conflitos do filho, não havendo qualquer tipo de interação com outras pessoas por parte da família. Não existem amigos ou qualquer planejamento à longo prazo por parte deles. A partir disso Sarah e John são alvos da narrativa apenas para confrontar uma criança e esse é o ponto perverso, porque mesmo como pais eles são colocados como vítimas.

Uma das melhores cenas construídas no filme é feita quando se sugere que as atitudes de Miles podem ser consideradas problemas mentais, uma forma de autismo associada ao seu QI elevado ou fenômenos sobrenaturais, como a reencarnação e a possessão demoníaca. O roteiro tem uma excelente forma de brincar com essas sugestões para se chegar a uma conclusão. O suspense psicológico na trama se encaixa bastante, mas não é trabalhado na narrativa, pois logo quando descobrimos o que causa isso na criança já se inicia uma perda de interesse a esses jogos de adivinhações do que vêm a seguir, como as imagens do espelho e o uso de hipóteses sobre o bem contra o mal.

Scott teve uma boa interpretação como Miles, ele trouxe algo maior do que se vê nos filmes de terror, lidando com sua inteligência fora do comum e a dupla personalidade.
Schiling também desempenha um bom papel, considerando que ela é a mãe e vítima de uma criança com tantas questões a serem compreendidas durante a trama.

Por mais que o roteiro de Jeff Buhller tenha essa dificuldade de trabalhar os estereótipos do filme, a direção de Nicholas McCarthy deve ser considerada por vários méritos, como, por exemplo, desde o começo a boa construção de tensão com composições eficazes e valiosas para a direção dos atores. Maligno se mostra um filme que atendeu as expectativas, mas sem uma imersão total.