Finalmente Capitã Marvel chegou nas telonas. Depois de polêmicas, brigas e discursos ideológicos, podemos assistir ao tão esperado filme da heroína.

Foto/Divulgação.

E aparentemente não desistiram de usar a “fórmula Marvel”. O que não seria um problema, se fosse bem utilizada.

Capitã Marvel tem o primeiro ato cansativo demais. Por mais que o roteiro de
Nicole Perlman (Guardiões da Galáxia), Geneva Robertson-Dworet (Tomb Raider) e Meg LeFauve (Divertidamente) tente inovar e sair dos clichês de filme de origem de herói, o filme ainda repete as piadas foras de horas, tem apresentação fraca e forçada dos personagens.

A primeira impressão é que a direção de Anna BodenRyan Fleck tentou emular uma versão feminina de Guardiões da Galáxia – talvez por se passar no espaço – mas isso não funciona e acaba parecendo mais um fanmade do que uma produção bilionária da ‘Disney-Marvel’.

E como é ruim de engolir a atuação da Brie Larson como Carol Danvers. Por mais que Brie Larson tenha uma desenvoltura enorme pra cenas de dramas e suspenses, parece que não consegue alcançar o mesmo talento quando se trata de uma heroína de gibi. A Capitã em si é sem graça, sem presença, sem postura e grande parte do filme a sensação que temos é que ela não é a heroína badass que deveria ser.

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E depois do início sofrível no espaço, o filme parece – finalmente – querer começar a andar. Agora temos nossa heroína indo para a Terra convenientemente, onde podemos enxergar o início do MCU na representação de Nick Fury (Samuel L. Jackson) e apresentação de Maria Rambeau (Lashana Lynch).

O segundo ato carrega o filme nas costas até a batalha final. Tirando as piadas fora de hora ou com os personagens errados, como é o caso de Nick Fury querendo ser o alívio cômico do filme (rasguem suas HQ’s), até que da pra assistir. As referências e trilha sonora juvenil do grunge da década de 90 ajuda um pouco, confesso.

A representação dos Kree-Skrulls pode ser um problema pros fãs mais ferrenhos de quadrinhos. Confesso que não me incomodou – talvez por eu nunca ter me interessado tanto pelas batalhas dos Skrulls – mas no filme funciona bem a briga territorial e política.

A relação e química de Carol com Maria é uma das poucas coisas que funcionam no filme e não temos nada forçado em tela, o que é um alívio gigantesco.

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Tentei evitar falar do gato Goose, mas é complicado quando ele tem mais “presença” em tela que a própria Capitã Marvel. Os efeitos de CGI são terríveis em todos aspectos e cada vez que aparecia uma interação dele com o Nick Fury, minha vontade de sair da sala aumentava. Me parece mais uma tentativa de criar patente pra bonecos licenciados do que pro roteiro em si.

Pra não ter que me estender mais, queria falar um pouco da direção, ou mais especificamente das cenas de ação. Além do ritmo fraco que o enredo todo carrega, as cenas de ação são desagradáveis visualmente. Dezenas de cortes que lembram mais um filme policial da década de 90 do que um filme do MCU. O CGI da batalha final não é tão sofrível, mas ainda falha algumas vezes, o que pra alguns pode trazer desconforto.

No mais, Capitã Marvel não traz peso nenhum pro MCU em si. É um filme tão ignorável quanto Thor: Mundo Sombrio ou Homem Formiga.

Mas caso você ainda queira ver o filme, vá e tire suas próprias conclusões. Não se esqueça de que opinião crítica não precisa ser a SUA opinião. Certo?