Autor: Ricardo Correa

9 Obras Primas Caídas No Esquecimento

 

São muitos os filmes que, por varias razões, caem no esquecimento ou que quase ninguém nota ou vê, muitas deles obras-primas. Num mercado saturado por blockbusters (que quase nunca merecem o reconhecimento), é preciso parar para apreciar os filmes mais pequenos, que nos mostram o ser humano e a sua condição de formas novas e profundas, e que são o que permite a continuação desta forma de arte que nos, cinéfilos, tanto amamos, o cinema.

 

ORDET (1954)

 

Carl Theodor Dreyer, talvez mais conhecido por ter dirigido o filme La passion de Jeanne d’Arc, precisou de muitos poucos filmes para cimentar o seu nome como um dos maiores artistas da história da 7ª arte. No entanto nenhum dos seus outros trabalhos chega a magistralidade de Ordet, que um crítico descreveu como “a mais bela e apaixonante expressão da religião que o cinema já viu”. Baseado numa peça de teatro dinamarquesa do começo dos anos 20, o filme é incrivelmente escrito, minuciosamente realizado, atuado e fotografado de forma excecional.

Sinopse: A história de duas famílias religiosas, o filho de uma delas deseja se casar com a filha da outra mas por problemas religiosos o pai da moça não aceita o jovem. Enquanto isso, Inger (esposa de Mikkel) está gravida. O irmão de Mikkel, Johannes, é taxado como louco por acreditar que é Jesus Cristo.

 

THE CREMATOR (1969)

 

Um trabalho visual ao nível dos melhores alguma fez feitos, The Cremator, proveniente da Republica Checa, é normalmente descrito como um comédia, no entanto (e apesar de usar muitos elementos cómicos para contar a sua historia) dizer que o é apenas uma comédia é redundante ao um nível extremo. O filme explora a absurdidade e perversidade da mente humana e do seu comportamento e evolução, fazendo-o num dos períodos mais negros da humanidade, o Holocausto. Dirigido e atuado de forma brilhante, principalmente pelo ator principal (Rudolf Hrusínský) que entrega uma das melhores atuações da década, não há como negar que The Cremator é uma obra-prima.

Sinopse: Em uma Tchekoslovakia prestes a ser invadida pelas forças alemãs durante a guerra, cremador nacionalista, crente que a cremação alivia o sofrimento terreno, se contamina pela ideologia nazista e passa gradualmente a demonstrar comportamento estranho e obsessivo para com seus compatriotas e sua família. A situação se complica quando ele descobre que sua esposa pode ter sangue judeu.

 

BLEAK MOMENTS (1971)

 

O diretor inglês Mike Leigh, é um hoje um nome bastante conhecido do publico cinéfilo, tendo produzido alguns dos filmes mais interessantes das últimas três décadas. Naquele que é o seu primeiro filme como diretor, Bleak Moments, passou totalmente despercebida na época, e pode muito bem ser o seu melhor filme. Uma viagem a uma existência sombria e monótona, Mike Leigh consegue de forma engenhosa construir um retrato da vida da protagonista através de detalhes, gestos e por vezes até a ausência destes. A atriz principal, Anne Raitt, tem aqui a atuação de uma vida.

Sinopse: Momentos da existência intransigentemente sombria de uma secretária, sua irmã intelectualmente incapacitada, o seu namorado distante e desconfortável, vizinho estranho e o irritante companheiro de trabalho.

TWO-LANE BLACKTOP (1971)

 

A década de 70 tem sido muitas vezes descrita como a melhor para o cinema americano, algo completamente distante da verdade, no entanto é inegável que produziu várias obras-primas, entre as melhores esta Two-Lane Blacktop, o “road movies” mais fascinante que já vi. Poucos são os filmes que conseguem captar uma geração como este filme consegue, Two-Lane Blacktop consegue tirar o prazer e a emoção do mundano, não tanto dos grandes acontecimentos das viagens, mas sim dos momentos existencialistas da estrada e do “viajar”. Absolutamente absorvente

Sinopse: Um mecânico e um piloto viajam pelos Estados Unidos em um Chevy 55 à procura de competições de corrida. Num posto de gasolina os dois – agora acompanhados da garota mal humorada que encontraram pelo caminho – conhecem G.T.O , um homem tão viciado em velocidade quanto eles. Eles travam uma corrida até Washington e quem chegar primeiro ficará com o carro perdedor.

THE AGE OF EARTH (1980)

 

Talvez a joia na coroa do cinema brasileiro, A Idade Da Terra de Glauber Rocha (aquele que viria a ser o ultimo trabalho) é a obra de ambição colossal, o filme consiste de cenas largas, maioritariamente improvisadas, que tentam explorar, nas palavras do próprio Glauber Rocha, “a vida de Cristo no 3º mundo”. Composto por grandes arranjos musicais, imagens arrojadas e alguma da edição mais brilhante já vista na 7ª arte, A Idade Da Terra é uma arrojada examinação ao Brasil e aos seus demónios e virtudes.

Sinopse:  “O filme mostra um Cristo-pescador, interpretado pelo Jece Valadão, um Cristo – negro interpretado por Antonio Pitanga; mostra o Cristo que um conquistador português Dom Sebastião interpretado por Tarcísio Meira e mostra o Cristo Guerreiro-Ogum de Lampião, interpretado por Geraldo Del Rey. Quer dizer os quatro Cavaleiros do apocalipse que ressuscitam o Cristo do terceiro mundo, recontando o mito através de dos quatro evangelistas: Mateus, Marcos, Lucas e João, cuja identidade e revelada no filme quase como se fosse um terceiro testamento. E o filme assume um tom profético, realmente bíblico e religioso.” — Glauber Rocha

 

THE CONSTANT FACTOR (1980)

 

É quase que difícil que acreditar que The Constant Factor foi feito há quase 40 anos atrás, um trabalho profundamente pessoal e ironicamente devastador. Zanussi, o diretor polaco do filme, já se provou muitas vezes como um dos melhores diretores que já viveram, e este filme é talvez o melhor da sua carreira. Uma “investigação” sobre o azar e miséria humana, impecavelmente dirigida e atuada, e com uma fotografia que se destaca com uma das melhores (senão mesmo a melhor) da história do cinema, este é um filme intransigente sobre um homem intransigente.

Sinopse: Um homem que se depara com a morte da sua mãe, encontra o seu sonho de escalar os Himalaias ameaçado por problemas no trabalho.

A BORROWED LIFE (1994)

 

O melhor filme dos anos 90, A Borrowed Life é o mais belo tributo alguma vez feito a um pai. Pouco são os filmes que conseguem tão fielmente e delicadamente evocar um lugar e um grupo como este. A Borrowed Life é, de certo modo, um memorial a uma geração inteira, a sua cultura e a sua perceção da cultura que a antecedeu. Concebido de forma poética, o filme mostra apenas o suficiente, sendo que o resto é captado pela musica e pelas suas imagens poderosas. A atuação de Chen-Nan Tsai como o pai do nosso protagonista é uma das melhoras a alguma vez aparecer no grande ecrã.

Sinopse: A difícil relação entre um pai e um filho numa pobre vila em Taiwan, bem como a dificuldade da criança em entender a afeição do seu pai para com a cultura japonesa.

AN EXPERIENCE WORTH DYING FOR (1995)

 

Quando se fala dos melhores diretores asiáticos o nome de Ki-young Kim merece ser colocado ao lado dos maiores como Akira Kurosawa ou Kar-Wai Wong. O seu ultimo filme,  An Experience Worth Dying For é um dos seus melhores trabalhos. Um filme visceral, que mescla horror com drama, esta é uma das mais intensas experiencias cinemáticas pela qual já passei.

Sinopse: Duas mulheres presas em casamentos infelizes e violentes aceitam matar o marido uma da outra.

UNDERTOW (2004)

 

Estranhamente belo, Undertow tem um sentimento quase que espiritual na sua fusão do meio rural americano com um conto místico gótico. David Gordon Green, o diretor por detrás desta obra-prima, mostra um controlo total sobre o que esta a mostrar, poucos são os filmes com um ritmo tão próprio e sedutor. Lirico, magnético, brilhantemente dirigido, atuado, fotografado e com uma trilha fenomenal, Undertow é o melhor filme de 2004.

Sinopse: Chris e Tim são dois irmãos que moram com o pai, em uma cidade no sul dos Estados Unidos. A chegada de Deel, o seu tio ex-presidiário, muda completamente a vida de todos. Ao tentar se apossar de uma coleção de velhas moedas mexicanas, Deel mata a sangue frio o seu próprio irmão. Testemunhas, Chris e Tim fogem com as moedas, mas esquecem a arma do crime. Eles passam então a fugir da polícia e também de Deel, que deseja matá-los a todo custo.

 

Ficha tecninca:Diretor: Clint Eastwood
Roteirista: Paul Haggis e F.X Toole
Elenco: Hilary Swank, Clint Eastwood, Morgan Freeman

 

Clint Eastwood tem um percurso instável para dizer o menos, com mais filmes medíocres do que bons há claro sempre algumas exceções a regra, sendo a maior delas Milion Dollar Baby, um filme que consegue superar o seu género e o melodrama e tornar-se quase que num hino dedicado a todas as mulheres.

Tudo se joga em sobriedade e economia de meios, tudo se joga na concentração e progressão da narrativa – mas ao mesmo tempo tudo se joga também num constante pingue-pongue entre a transparência (a sensação de que se vê tudo e se sabe tudo o que há para ver e saber) e a obscuridade (a sensação oposta: a de que não se vê nada nem se sabe nada, do que é verdadeiramente importante, pelo menos). Pequeno exemplo anedótico: em “Million Dollar Baby” há incontáveis referências à relação entre a personagem de Eastwood e a sua filha, sempre ausente do filme; percebe-se que essa relação (ou algo que aconteceu a essa relação) é causa de grande inquietação, e que muito da relação entre a personagem de Eastwood e a de Hilary Swank tem origem nessa incomodidade. Pois bem, digamos assim: como espectador, é uma alegria imensa perceber que se chega ao fim sem que nada, absolutamente nada, dessa questão tenha sido explicitado. O que aconteceu ninguém sabe – é o mistério, é o pudor da biografia. Sabemos apenas que a personagem de Eastwoodn corre (e faz correr) em busca de uma pacificação interior (assim como frequenta uma igreja católica e faz perguntas insolentes ao padre que já não o pode ver à frente). Não precisamos de saber mais – e que esta “economia” do saber transformada em mistério e pudor (em obscuridade no meio da transparência) não é uma regra aprendida no “clássico” eis o que ninguém se atreva a negar.

Mas podemos saber isto: Maggie, a personagem interpretada por Hilary Swank é candidata a boxer e procura Frankie Dunn (Clint Eastwood), um velho treinador que acabou de ficar sem o seu pupilo, para a ajudar. Ele resiste em aceitá-la, mas a persistência dela convence-o. Ela tem uma carreira em ascensão rapidíssima, chega à beira de ser campeã do mundo, mas acontece um acidente que a atira para um hospital…

Hilary Swank é extraordinária no papel principal, reduzindo-se a si própria totalmente no processo, no fim de tudo estamos a ver Maggie, todas as notas parecem verdadeiras e entregues com um grau de concentração extraordinário. Clint Eastwood (geralmente bastante inapto como ator) da uma excelente performance, uma rara ocasião em que consegue ir mais longe do que sempre maneirismos. Morgan Freeman faz aqui o melhor trabalho da sua carreira como Scrap, o confidente de Frankie.

Milion Dollar Baby explora temas como o arrependimento, a determinação, a afeição e o preconceito de forma tão refletiva e deliberada que o resultado final acaba por ser um dos filmes mais dolorosos que já assisti. E ainda que não chegue o resultado final sem alguns erros pelo meio (sobretudo de lógica) não deixa de ser de louvar, uma obra-prima.

Poucos filmes em memória recente conseguiram aliar tão bem uma mensagem politica forte a uma historia tão entretenga. Hell Or High Water faz aquilo que muitos grandes filmes fazem, não só é um fantástico entretenimento como é realmente importante e socialmente relevante.

Sinopse: No coração do Texas, Toby (Chris Pine) e Tanner (Ben Foster) dois irmãos que, pressionados pela proximidade da hipoteca da fazenda da família, resolvem assaltar bancos para obter a quantia necessária ao pagamento. Com um detalhe: eles apenas roubam agências do próprio banco que está cobrando a hipoteca. Só que, no caminho, eles precisam lidar com um delegado veterano (Jeff Bridges), que está prestes a se aposentar e tenta alcançar uma última gloria antes do fim da sua carreira.

 

O filme começa com a imagem de uma parede na qual se pode ler “três turnos no Iraque e nenhuma ajuda financeira para pessoas como nós”. David Mackenzie, o talentoso diretor escocês por detrás do filme, espalha pelo filme várias destas mensagens, este não se inibe de mostrar a pobreza e miséria que se vive no Oeste americano.

O roteiro, pelo excelente Taylor Sheridan é, de entre todas as qualidades do filme, talvez a melhor. O filme esta cheio de surpresas e reviravoltas, é incrivelmente denso sobre os problemas que assombram aquela região, mas talvez nenhum aspeto seja mais encantador do que a forma como o filme soa, nunca parece que estamos a ouvir um roteirista a falar, mas sim pessoas (texanos mais concretamente), o dialogo é suficientemente estilizado para ficar no ouvido, sem nunca ser “showoffy”.

É feito claro desde o início quem é o vilão do filme, os bancos. Quando o xerife Marcus tenta obter informação das pessoas a cerca de quem roubou o banco estas não estão interessadas em colaborar, como diz uma das testemunhas “o banco esta a roubar-me a 30 anos”, este é só um dos muitos exemplos ao longo do filme em que se aponta o dedo aos bancos, que vieram para aquelas terras sugar o pouco que os seus habitantes tinham, e aproveitar-se da ingenuidade , falta de educação e conhecimento  das pessoas.

O que salva tudo isso do sentimentalismo é que os dois protagonistas, ou pelo menos Tanner, não são exatamente Robin Hoods. Tanner rouba porque ama a adrenalina que o ato de infringir a lei lhe proporciona. Ele tem um radar embutido para atrair o perigo. Em contraste, Toby é impulsionada unicamente pelo desejo de tirar seus filhos de uma vida de pobreza. Ele é bondoso com todos, exceto os banqueiros. Em uma das melhores cenas do filme, uma garçonete de um pequeno restaurante local, que está atrasada em sua hipoteca e tem dois filhos para cuidar, conversa suavemente com ele. Este dá-lhe uma gorjeta de US $ 200, um sinal de compaixão.

Numa das melhores e mais poderosas cenas do ano passado vemos Toby a falar com um dos seus filhos, que já não via há muito tempo, o homem diz para o filho “vais ouvir muitas coisas sobre mim e o teu tio, coisas sobre o que andamos a fazer” ao que o jovem interrompe “não te preocupes eu não vou acreditar em nada”, Toby responde “acredita, nós fizemos essas coisas”. Este ama os seus filhos, a sua maneira, e esta disposto a fazer tudo ao seu alcance para que os seus filhos sejam melhores pessoas que ele, e que não precisem de viver uma vida de criminalidade.

Hell Or High Water deixa-nos a todo o momento a espera de que não seja disparado nenhum tiro, a abominar a violência, pois nós sabemos que depois do primeiro tiro ser disparado não há volta a dar.

As atuações são todas muito boas, com especial destaque para o trabalho de Jeff Bridges e de Ben Foster. Bridges um ator de excelência da vida ao xerife Marcus de forma brilhante, este é um homem que se sente aterrorizado com a ideia da reforma, e que sente a deteriorar com a idade. Por outro lado Ben Foster (que vergonhosamente não foi nomeado a um Oscar pelo seu trabalho neste filme) é uma bomba, os seus olhos revelam a raiva e a frustração de quem nasceu sem escolhas, destinado a pobreza, o ator interpreta a natureza violenta do personagem como se esta fosse não a causa de todo o mal que se passa, mas sim a consequência. A cena em que Tanner e o seu irmão falam pela primeira vez da morta da mãe é dolorosamente comovente.

Hell Or High Water á nada mais nada menos que uma obra-prima, e um dos melhores filmes de 2016.

 

20 filmes mais desvalorizados do seculo XXI

 

Beau Travail

 

Diretor: Claire Denis
Pais: França
Ano de lançamento: 2000

Sinopse: A diversa Legião Estrangeira da França, formada por homens de todas as raças e cores, está sendo submetida a um rigoroso treinamento na África. Debaixo do céu azul e claro e no meio do deserto, o sargento Galoup (Denis Lavant) entrega toda sua devoção ao enigmático comandante Bruno (Michel Subor). Quando o novo recruta Guilles Sentain (Grégoire Colin) chega, Galoup é consumido pelo ciúmes, o que o levará a cometer uma grande besteira.

O maior erro que vários realizadores quando fazem filmes sobre guerra é tentar mostrar a força daqueles que estão envolvidos, Claire Denis, uma realizadora notável foge completamente dessa tentação. Os homens são completamente “engolidos” pelos visuais cativantes, estes quase que parecem minúsculos face ao que se passa a sua volta. Um filme lento, mas extremamente recompensador, naquela que é uma das melhores histórias de vingança e ciúmes alguma vez adaptada ao grande ecrã.

 

The Man Who Wasn’t There

 

Diretor: Irmãos Coen
Pais: Estados Unidos
Ano de lançamento: 2001

Sinopse: Em meio aos anos 40, Ed Crane (Billy Bob Thornton) é um barbeiro infeliz, que vive com sua esposa Doris (Frances McDormand). Ao descobrir que ela o está traindo, Ed passa então a planejar uma trama de chantagem contra ela, a fim de ensinar-lhe uma lição. Mas quando seu plano vai por água abaixo uma série de consequências desagradáveis ocorrem, incluindo vários assassinatos.

Os irmãos Coen são dos melhores autores da sua geração, com um estilo único e inconfundível. The Man Who Wasn´t There é um dos seus melhores filmes, um noir com uma historia incrivelmente densa e que deixa o espetador a interrogar-se a todo o instante. Noir é um estilo que geralmente não tem heróis, apenas pessoas de pouca estatura, que são desviadas das suas rotinas por sonhos de dinheiro, romance, etc. No caso deste filme a situação é levada um pouco mais ao extremo, pois concentra-se na vida de um homem que mal existe além de suas transgressões. Um excelente trabalho sobre aquele que é um dos temas favoritos dos Coen, a sorte (ou a falta dela).

 

25th Hour

 

Diretor: Spike Lee
Pais: Estados Unidos
Ano de lançamento: 2002

Sinopse: O último dia de liberdade de um homem, Monty Brogan (Edward Norton), antes de começar a cumprir uma pena de sete anos por tráfico de droga. Deambulando pela cidade com os seus dois melhores amigos e a namorada, acaba por ser forçado a reexaminar a sua própria vida e a forma como se deixou arrastar para aquele final trágico

Nos anos que se seguiram ao 11 de Setembro foram muitos os realizadores que tentaram captar o impacto que este acontecimento teve em New York, mas nenhum teve tanto sucesso como Spike Lee, naquele que é o seu melhor filme. 25th Hour resulta é um trabalho cativante, a premissa do filme é captar os últimos dias de liberdade de Monty Brogan, um jovem cuja vida e a sua imprevisibilidade o guiou até ao trafico de droga, o filme sucede ao não tentar fazer o espetador simpatizar com o personagem, este estava a fazer algo errado pela qual merece ser castigado, simplesmente apresenta-nos a situação do mesmo, e como a sua vida ira mudar, pois mesmo quando for libertado nada será igual. Outro ponto forte do filme é dar espaço para personagens secundárias, especialmente a de Jacob Elinsky, lindamente interpretado por Philip Seymour Hoffman.

 

Owning Mahowny

 

Realizador: Richard Kwietniowski
Pais: Canada
Ano de lançamento: 2003

Sinopse: Desde os 12 anos, Dan Mahowny (Phillip Seymour Hoffman) é viciado em jogo e não passa um dia sem efetuar algum tipo de aposta, seja em cassinos, corridas de cavalos ou outros esportes. Seu prazer, no entanto, não está no lucro, mas no excitante ato de jogar. Perante sua namorada e seus amigos Mahowny é apenas um devotado funcionário de banco, visto como extremamente eficiente por seus superiores. Apesar de sua aparente ingenuidade, durante um ano e meio ele conseguiu desviar mais de 10 milhões de dólares para financiar suas compulsivas apostas.

Owning Mahowny é uma das mais poderosas representações do vício que a sétima arte pode oferecer. E em grande parte deve-se ao extraordinário trabalho de Philip Seymour Hoffman no papel principal, uma atuação digna de um Oscar, Mahowny é um autentico fracassado, e o trabalho do ator em interpreta-lo como um miserável é extraordinário, uma atuação de uma concentração e controlo fora do comum, Hoffman nunca olha para cima, nunca levanta a voz, os muitos tiques nervosos, desde o entrelaçar de dedos aos arrepios ocasionais, é um trabalho de atuação magistral. Um homem que não esta preocupado em ganhar ou perder, mas sim em quanto tempo mais é que vai conseguir jogar antes de ser apanhado.

 

Monster

 

Diretor: Patty Jenkins
Pais: Estados Unidos
Ano de lançamento: 2003

Sinopse: Vítima de abusos durante a infância, Aileen Wuornos (Charlize Theron) tornou-se prostituta ainda na adolescência. Ela está prestes a acabar com a própria vida quando conhece Selby (Christina Ricci), uma jovem lésbica com quem acaba se envolvendo. Certa noite, depois de ser agredida por um cliente, Aileen acaba matando o sujeito. O incidente desencadeia uma série de outros assassinatos, que faz com que ela fique conhecida como sendo a primeira serial killer dos Estados Unidos.

Patty Jenkins tem nos últimos tempos sido reconhecido por ter dirigido o filme Wonder Woman, que comparada com Monster (o seu primeiro filme)  é um filme fraquíssimo. Monster é ancorado pelo trabalho monumental de Charlize Theron, que da a melhor atuação por um mulher na historia do cinema. Esta não tenta perdoar os homicídios, simplesmente pede que observemos a tentativa desesperada de Aileen em tentar ser uma pessoa melhor do que a vida lhe destinou a ser. É preciso observar-se o trabalho de Theron, esta não perde a concentração em um único momento, e os seus olhos revelam um desespero em tentar explicar o que esta a sentir. O trabalho superlativo da atriz e o bom desempenho do resto da equipa de produção e do elenco fazem de Monster um dos melhores filmes sobre empatia humana alguma vez vistos.

 

Undertow

Diretor: David Gordon Green
Pais: Estados Unidos
Ano de lançamento: 2004

Sinopse: Chris (Jamie Bell) e Tim (Devon Alan) são dois irmãos que moram com o pai (Dermot Mulroney), em uma cidade no sul dos Estados Unidos. A chegada de Deel (Josh Lucas), tio ex-presidiário, muda completamente a vida de todos. Ao tentar se apossar de uma coleção de velhas moedas mexicanas, Deel mata a sangue frio seu próprio irmão. Testemunhas, Chris e Tim fogem com as moedas, mas esquecem a arma do crime. Eles passam então a fugir da polícia e também de Deel, que deseja matá-los a todo custo.

David Gordon Green, no começo da sua carreira, demonstrou ser um dos realizadores mais sensivelmente poéticos da sua geração, algo no seu estilo remonta para as obras de Yasujirô Ozu ou Andrei Tarkovsky. Undertow é uma obra prima, um filme cujo estilo visual se encaixa entre o realismo puro e o surrealismo, o filme não segue regras convencionais, não se preocupa apenas com a historia (que por sinal é muito boa), por vezes Green para de modo a observar um momento que o fascina. Undertow é um filme de emoções, tom e momentos de verdade, um dos melhores da década.

 

Woman Is The Future Of Man

 

Diretor: Sang-soo Hong
Pais: Coreia do Sul
Ano de lançamento: 2004

Sinopse: Dois homens perseguem uma mulher do seu passado. Heon-jun (Kim Tae-woo), um cineasta em dificuldades que acabou de voltar dos Estados Unidos, encontra seu antigo amigo Mun-ho (Yu Ji-tae), agora professor de arte, e eles decidem jantar juntos. Durante o jantar, eles se acham falando sobre Seon-hwa (Seong Hyeon-ah), uma mulher bonita que ambos namoraram na faculdade. Enquanto ambos os homens se divertem com a garçonete, falando sobre como Seon-hwa renovou seu fascínio pelo amor antigo, e individualmente decidem localizá-la. Eles descobrem Seon-hwa, uma vez que é um artista, agora está trabalhando como gerente de um bar; Eles aprendem, sobre a vida pessoal de Seon-hwa , o destino não tem sido gentil com ela, e em muitos aspetos, ela não é a mulher que em tempos foi.

Sang-soo Hong consegue fazer um dos filmes mais introspetivos que já vi, o realizador não se inibe de mostrar as situações sexuais embaraçosas, desajeitadas, apressadas, enganosas e as vezes poucos eróticas. A sua abordagem é sobretudo o uso de takes longos e camera estática, este deixa-nos ver o que esta a acontecer, a perceber os detalhes, um ponto muito importante do cinema asiático. A primeira vista pode parecer uma comédia de maneirismos, mas é muito mais que isso, uma inspeção a sobre como o tempo pode mudar as pessoas. Tudo em volta de um grande roteiro.

 

Tsotsi

 

Direção: Gavin Hood
Pais: Africa do Sul
Ano de lançamento: 2005


Sinopse:
Tostsi (Presley Chweneyagae) é um rapaz de 19 anos que mora em um gueto de Joanesburgo. Junto com mais três amigos, pratica assaltos para viver. Após uma briga com um de seus companheiros da gang, Tsotsi rouba um carro e atira na mulher que tenta impedir o roubo. Tostsi não sabe que a mulher queria retirar o filho que está no banco de trás. Depois de andar alguns quilómetros, ele ouve o choro e para o carro. Resolve levar a criança consigo, ainda que não tenha a menor condição de criá-la.

Tsotsi retrata a situação de um jovem assassino cujos olhos frios não revelam qualquer tipo de sentimento, que mata sem pensar, que é transformado pelo desamparo de um bebé, vítima da crueldade do nosso protagonista. O filme é em certos momentos bastante político, este mostra-nos a pobreza e o desespero que se vive nos pequenos bairros da Africa do Sul, onde uma boa parte das pessoas esta destinada a viver uma vida de criminalidade. Aquele bebé desperta o melhor de Tsotsi, este não tem condições de o criar, mas mesmo assim não o consegue abandonar, ele próprio havia sido abandonado na infância e portanto era incapaz de fazer o mesmo a um bebé, este projeta na criança as expetativas de uma vida que nunca viveu. O filme contudo não tenta com que o espetador simpatize com o seu protagonista, nem tão pouco tenta sentimentalizar a situação, apenas nos apresenta como o jovem se deixou “distrair de ser um homem mau”. Um filme extraordinário.

 

Before The Devil Knows You Are Dead

 

Diretor: Sidney Lumet
Pais: Estados Unidos
Ano de lançamento: 2007

 

Sinopse: Andrew “Andy” Hanson (Philip Seymour Hoffman) é um viciado em drogas cuja carreira de executivo está desmoronando. Para se livrar de uma auditoria, que demonstrará graves problemas na sua área, convence o irmão Hank (Ethan Hawke), que também tem problemas financeiros (deve três meses da pensão da sua filha, cuja guarda está com a ex-mulher), a assaltar a joalheria dos pais deles, Charles (Albert Finney) e Nanette (Rosemary Harris). O plano parece fácil, pois eles conhecem bem o funcionamento do lugar. Na hora da ação, os dois esperavam encontrar apenas uma idosa funcionária, mas sua mãe aparece de surpresa na hora do roubo. O cúmplice de Hank acaba ferindo-a tão gravemente que ela, apesar de não falecer, é considerada clinicamente morta. Charles jura se vingar a qualquer custo dos culpados, sem saber que está à caça de seus próprios filhos. Agora os dois irmãos precisarão lidar com as repercussões do seu trágico plano.

Before The Devil Knows You Are Dead é um dos melhores thrillers dos ultimos 50 anos.
Um dos roteiros mas bem escritos deste seculo com toda a certeza, não só o enredo é complexo como também tem algum dos melhores diálogos que já vi, a cena em que Charles conversa com um dos seus filhos acerca do assassinato da sua mulher sem saber que este é um dos culpados é uma das mais poderosas cenas que já vi. Excelentes atuações de Ethan Hawke e de Philip Seymour Hoffman (sim, outra vez!), que conseguem o feito de fazer com que os espetadores parem de pensar nos mesmos e se concentrem apenas em assistir ao “Andy” e “Hank”. Mas o coração do filme é Albert Finney, o pai de ambos, que é absolutamente estonteante. O final deixou-me a pensar por semanas.

 

Redacted

 

Diretor: Brian De Palma
Pais: Estados Unidos
Ano de lançamento: 2008

Sinopse: Os soldados da companhia Alfa estão a guardar uma posição, e tem ordem para disparar quase avistem um carro, quando eventualmente passa um carro a equipa abre fogo, e matam uma mulher gravida que seguia dentro do carro, Rush e Flake encontram dentro do carro uma família do qual faz parte uma rapariga de 14 anos, que os dois num ato de vingança brutalmente violam e matam, ameaçando depois os outros soldados de que se estes dizerem alguma coisa sobre o que se passou também eles morreram.

Nos tempos modernos temos sido presenteados com vários filmes de guerra, alguns como o caso de Hurt Locker, genuinamente brilhantes, e outros como Hacksaw Ridge que são tudo aquilo que um filme de guerra não deve ser. Contudo talvez nenhum filme de guerra contemporâneo seja mais importante que Redacted. O filme da um toque de ficção a atos chocantes (mas verdadeiros) cometidos por soldados americanos durante a guerra do Iraque. Redacted é gravado e apresentado de uma forma original, nós vemos as imagens gravadas por um dos soldados, uma decisão muito inteligente, após ver o filme é impossível imagina-lo de outra maneira, o formato faz pensar que estamos realmente a ver imagens reais. Uma crítica a presença norte americana no Iraque e a como a guerra pode mudar a natureza dos homens que nela participam, e torna-los em autênticos monstros.

 

Synecdoche New York

 

Diretor: Charlie Kaufman
Pais: Estados Unidos
Ano de lançamento: 2008

 

Sinopse: Caden Cotard (Philip Seymour Hoffman), encenador teatral, está a preparar uma nova peça. A sua vida, nos subúrbios de Nova Iorque, está bastante desinteressante. A sua mulher, Adele deixou-o para prosseguir o seu trabalho como pintora em Berlim, levando consigo a filha pequena de ambos, Olive. A sua terapeuta, Madeleine Gravis, está mais interessada no seu best-seller do que em lhe prestar apoio efectivo. A nova relação com a cândida Hazel acabou por terminar prematuramente. E uma misteriosa doença está a incapacitá-lo de dia para dia. Preocupado com a transitoriedade da sua vida, abandona a sua casa e reúne o elenco num armazém em Nova Iorque. Na esperança de criar um trabalho de honestidade extrema, dá instruções a cada um dos elementos do elenco para que construa a sua vida como uma crítica crescente à cidade.

Synecdoche não só é o filme mais desvalorizado do seculo como também é o melhor filme do seculo. É um filme sobre ti, quem quer que sejas, o que faças ou onde vivas. O que Kaufman pretende é (através de metáforas) explorar as estratégias que as pessoas usam para viver as suas vidas, visitando os seus maiores medos e remorsos. Um filme infinitamente ambicioso, talvez a experiencia emocional mais devastadora já posta em filme. E no centro de tudo esta a maravilhosa performance de Philip Seymour Hoffman que como Caden Cotard, um diretor, que vive paranoico com a ideia da sua morte. Os seus olhos tristes e o seu rosto melancólico lindamente transmitem a dor e os medos profundos dentro de Caden.

 

Singularidades de uma Rapariga Loura

 

Diretor: Manoel De Oliveira
Pais: Portugal
Ano de lançamento: 2009

Sinopse: A história acompanha o percurso amoroso de Macário, jovem simples e trabalhador que se enfeitiça por uma loura misteriosa, tirando sua vida completamente do eixo. Aos 22 anos, o jovem não havia ainda – como lhe dizia uma velha tia – sentido Vênus. Mas quando foi morar em frente a um armazém, na casa de seu tio, uma vizinha o encantou. Macário se apaixonou perdidamente pela rapariga loura, querendo casar-se de imediato com ela. A família discorda e o expulsa de casa, mas Macário consegue enriquecer em Cabo Verde e finalmente tem a aprovação do tio. Após realizar seu sonho matrimonial, o jovem descobre então a singularidade do caráter da noiva.

Mesmo com uma duração de só 64 minutos o lendário realizador português Manoel De Oliveira (que quando fez este filme tinha 101 anos) consegue produzir um dos seus filmes mais profundos e subtis. Desde a cativante fotografia da autoria de Sabine Lancelin que seduz completamente o espetador para a paixão que Macário esta a viver até a fantástica decoração de set, Singularidades de uma Rapariga Loura é uma obra-prima. A direção de Oliveira é antiquada, é preciso admitir, mas há algo na forma como este raramente mexe a camera e a forma como a posiciona que é ao mesmo tempo consegue ser familiar e estranha. Uma peça de cinema brilhante.

The King´s Speech

 

Direção: Tom Hooper
Pais: Inglaterra
Ano de lançamento: 2010

Sinopse:
Desde os 4 anos, George (Colin Firth) é gago. Este é um sério problema para um integrante da realiza britânica, que frequentemente precisa fazer discursos. George procurou diversos médicos, mas nenhum deles trouxe resultados eficazes. Quando sua esposa, Elizabeth (Helena Bonham Carter), o leva até Lionel Logue (Geoffrey Rush), um terapeuta de fala de método pouco convencional, George está desesperançoso. Lionel se coloca de igual para igual com George e atua também como seu psicólogo, de forma a tornar-se seu amigo. Seus exercícios e métodos fazem com que George adquira autoconfiança para cumprir o maior de seus desafios: assumir a coroa, após a abdicação de seu irmão David (Guy Pearce).

Eu sei que é estranho chamar a um filme que venceu o Oscar de melhor filme um trabalho desvalorizado. Mas The Kings Speech é frequentemente esquecido e ignorado pelos amantes de filmes, o que é uma grande injustiça. The King´s Speech consiste, na grande maioria, de pessoas a terem conversas em salas, e no entanto consegue ser um filme cativante. Tom Hooper (um diretor normalmente bastante fraco) faz um trabalho notável, desde o uso da camera claustrofóbica até as excelentes fotografias que consegue encontrar, o filme é muito bem realizado. Mas talvez ninguém tenha contribuído tanto para o sucesso do filme como Colin Firth, no papel de uma vida. Este encarna o homem que viria a ser Rei George VI não como alguém nobre ou superior a todos os outros mas como um homem assustado e com um problema serio de confiança. Deve ser assustador para um homem que tem problemas em falar com outras pessoas ter que falar através de um microfone sabendo que metade do mundo o esta a ouvir.

 

Kinyarwanda

Diretor: Alrick Brown
Pais: Ruanda
Ano de lançamento: 2011

Sinopse: Durante o genocídio de Ruanda, quando vizinhos matavam vizinhos e amigos traíam amigos, alguns cruzaram linhas de ódio para proteger uns aos outros. Kinyarwanda entrelaça seis contos diferentes, que juntos formam uma grande narrativa que fornece a representação mais complexa e real já apresentada de resiliência humana e da vida durante o genocídio. Com uma amálgama de personagens, que prestam homenagem a muitos, usando as vozes de alguns.

Kinyarwanda é um filme especial, este conta-nos o que se passou em Ruanda em 1994, um acontecimento de mais de meio milhão de pessoas saíram mortas usando vários pontos de vistas, uma estratégia interessante por não permite ao espetador adivinhar o lado do conflito que vai prevalecer. Kinyarwanda é um dos filmes mais tocantes que vi, uma obra que faz justiça a todas as pessoas que viveram aquele horror e um testamento ao seu sofrimento.

 

Shame

Direção: Steve McQueen
Pais: Inglaterra
Ano de lançamento: 2011

 

Sinopse: Brandon (Michael Fassbender) é um publicitário na faixa dos trinta anos, bem sucedido e bonito que vive e trabalha em Nova York. Distante de sua irmã e aparentemente sem amigos próximos, Brandon secretamente luta contra o vício em sexo, assim ele passa os dias buscando todo tipo de aventuras sexuais desde assistir a filmes pornográficos no computador, contratar prostitutas, buscar mulheres em bares, até terminar por entrar em bar gay. De repente, sua irmã (Carey Mulligan) aparece em seu apartamento, o que acaba por incentivar a romper com a vida que levava, a ponto de tentar manter ruma relação sentimental com sua colega de trabalho Marianne (Nicole Beharie).

Steve Mcqueen é, tirando Paul Thomas Anderson, o diretor mais talentoso da sua geração, e Shame é uma das suas obras primas. Uma das melhores meditações sobre o vicio em sexo e masturbação alguma vez vistas. Já a bastante tempo que Brandon não consegue tirar prazer do ato do sexo, contudo este não consegue evitar o seu desejo de o fazer a mesma, é abuso próprio. Este tem medo de entrar numa relação, a ideia assusta-o. A chegada da sua irmã interrompe o seu ciclo, esta não tem para onde ir, este não quer saber, mais tarde descobrimos que algo se passou na infância dos dois que os magoou, mas nunca sabemos exatamente o que. McQueen faz um trabalho poético, parece que estamos a seguir Brandon com a camera, não há um único momento de subjetividade na sua realização. Michael Fassbender merecia ter ganho o Oscar pelo seu trabalho aqui, uma performance corajosa, uma peça extraordinariamente subtil que parece real. Elogios ainda para a atuação de Carey Mulligan, que também merecia ter ganho um Oscar.

 

Like Someone In Love

 

Diretor: Abbas Kiarostami
Pais: Japão
Ano de lançamento: 2013

Sinopse: Akiko (Rin Takanashi) é uma jovem japonesa que secretamente se prostitui para pagar os estudos universitários. Ninguém, nem mesmo o seu namorado Noriaki (Ryo Kase), sabe desta actividade. E ela protege esse segredo não apenas pelo medo do julgamento, mas também pela sua própria dificuldade em lidar com a situação. Um dia, conhece Takashi Watanabe (Tadashi Okuno), um velho professor catedrático, que se torna seu cliente regular e é, em todos os aspectos, a absoluta antítese de Noriaki. É assim que, inesperadamente, Akiko se começa a sentir dividida entre um namorado jovem, mas rude e ignorante, e um velho amável com quem consegue uma partilha intelectual que a faz sentir-se viva e, acima de tudo, respeitada.

Abbas Kiarostami é um dos melhores realizadores de todos os tempos, um artista que nos deixou muito cedo, este foi o seu último filme, e uma autêntica obra-prima. O realizador mostra a indecisão de Akiko, esta sente-se envergonhada e humilhada por ter que se prostituir para conseguir sobreviver, esta sente nojo de si próprio. Quando esta conhece Takashi e se envolve com este, devido ao seu trabalho, a rapariga não espera nada do velho. Mas acaba por descobrir um conforto no mesmo, que a puxa intelectualmente e a faz sentir respeitada. Like Someone In Love é uma viagem profunda ao tema do amor próprio, através dos olhos de uma mulher que por se sentir miserável e insignificante e que por achar que não merece amor aceita um namorado que não a trata bem. Notas para as extraordinárias performances de Tadashi Okuno e Rin Takanashi bem como para a brilhante direção de fotografia de Katsumi Yanagijima, uma das melhores do seculo.

 

New World

 

Direção: Hoon-jung Park
Pais: Coreia do Sul
Ano de lançamento: 2013

Sinopse: O chefe do sindicato do crime está morto, deixando seus dois principais tenentes. Aproveitando a oportunidade, a polícia lança uma operação chamada de “Novo Mundo”, com a arma perfeita. Braço direito do chefe, Ja-sung, tem sido um agente infiltrado por 8 anos, acompanhado de perto pelo manipulador chefe de polícia Kang. Com um bebê a caminho, ele vive com um medo mortal de ser exposto, Ja-sung está dividido entre seu dever e honra como policial, e os membros da gangue ferozmente leais que vão segui-lo ao inferno, se preciso.

Um dos thrillers recentes que mais interesse me despertou New World é uma luva de ar fresco para um género que já saturado com filmes medíocres. Hoon-jung Park prova aqui ser um dos diretores contemporâneos com mais habilidade. Este constrói o filme com um cuidado fantástico, Hoon não esta muito interessado em sangue mas sim na corrupção dos homens, e em explorar o mundo da mafia de uma maneira refletiva.

 

Embrace Of The Serpent

 

Diretor: Ciro Guerra
Pais: Colômbia
Ano de lançamento: 2015

Sinopse:
  Théo (Jan Bijvoet) é um explorador europeu que conta com a ajuda do xamã Karamakate (Nilbio Torres) para percorrer o rio Amazonas. Gravemente doente, ele busca uma lendária flor que pode curar sua enfermidade. Quarenta anos depois, a trilha de Théo é seguida por Evan (Brionne Davis), outro explorador que tenta convencer Karamakate a ajudá-lo.

Tem qualquer coisa em Embrace Of The Serpent que remonta a outros grandes clássicos do cinema como Fritzcaldo ou Appocalypse Now, o filme funciona como uma espécie de sonho que celebra as culturas em desaparecimento e também uma crítica ao imperialismo. Um filme com a habilidade única de transportar o espetador para o seu universo, Embrace Of The Serpent é poético, lento, mas imensamente recompensador. Uma autêntica obra-prima.

6 atores ou atrizes que ganharam o Oscar pelo papel errado

 

Nicole Kidman

 

Vitoria: The Hours (2002) / Melhor Atriz Principal
Quem devia ter ganho em 2002: Julianne Moore (Far From Heaven)
Devia ter ganho por: Rabbit Hole (2010) / Melhor Atriz Principal

Nicole Kidman é extraordinária em The Hours, uma performance que muitas vezes não recebe o valor que merece, mas a verdade é que o trabalho dela é um papel secundário, logo a australiana devia estar logo excluída do premio para melhor atriz principal.

No entanto a atriz devia ter ganho em 2010 pela sua performance extraordinário em Rabbit Hole como uma mãe que se vê obrigado a lidar com a depressão causado pela morte do filho de 4 anos, um trabalho de uma sensibilidade incrível.

 

Russell Crowe

Vitoria: Gladiator (2000)/ Melhor Ator Principal
Quem devia ter ganho em 2000: Tom Hanks (Cast Away)
Devia ter ganho por: The Insider (1999)/ Melhor Ator Principal

 

Gladiator é um filme horrível, completamente cliché e com diálogos terríveis, Russel Crowe é uma das coisas menos más do filme, mas ainda assim esta a anos luz de ter merecido o Oscar por uma performance como aquela.

A sua vitoria devia ter sido pelo filme “The Insider”, um ator que geralmente entrega atuações “musculares” e “de macho”, Crowe é o oposto aqui, um homem que ao longo do filme vai ficando cada vez mais pequeno e mais fraco, uma grande representação de impotência.

 

Judi Dench

Vitoria: Shakespear In Love (1998)/ Melhor Atriz Secundaria
Quem devia ter ganho em 1998: Christina Ricci (The Opposite of Sex)
Devia ter ganho por: Notes On A Scandal (2006)/ Melhor atriz principal

Em Shakespear In Love a grande atriz inglesa tem um papel que é facilmente esquecível (tal como o próprio filme), não é uma má performance, mas não é um desafio de maneira nenhuma. Judi Dench merecia ter ganho um Oscar, por aquele que é o seu melhor trabalho, como Barbara Covett em Notes On A Scandal, no qual interpreta uma mulher idosa cuja solidão e a incerteza quanto a sua sexualidade a transforma num autêntico monstro.

Jualianne Moore

 

Vitoria: Still Alice (2014)/ Melhor Atriz Principal
Quem devia ter ganho em 2014: Marion Cotilard (Two Days, One Night)
Devia ter ganho por: Far From Heaven (2002)/ Melhor Atriz Principal

Para dizer a verdade Julianne Moore podia ter ganho um Oscar por mais que uma vez, tal é o seu currículo, e ainda que seja extraordinária no papel principal de Still Alice, numa das melhores representações de Alzheimer alguma vez vistas no grande ecrã não deu a melhor performance desse ano, essa honra pertence a Marion Cotilard.

No entanto é difícil de ignorar o seu trabalho em Far From Heaven, um trabalho de uma calma e controlo que só esta ao alcance dos melhores.

Dustin Hoffman

 

Vitorias: Krammer VS Krammer (1979)/ Rain Man (1988)
Quem devia ter ganho em 1979: Jack Lemmon (The China Syndrome)
Quem devia ter ganho em 1988: Jeremy Irons (Dead Ringers)
Devia ter ganho por: Midnight Cowboy (1969)/ Melhor Ator Principal

Dustin Hoffman é uma lenda, e justamente, o homem deu algumas das melhores atuações dos últimos 50 anos. No entanto, as duas performances pelo qual ganhou os seus Oscars estão longe de merecer esse titulo (especialmente a segunda).

Hoffman devia ter vencido uma década antes da sua primeira vitoria, pois o seu trabalho em Midnight Cowboy como um “outsider” que sonha em escapar a vida miserável que leva em New York, um trabalho corajoso e de uma força impressionante.

Jeremy Irons

 

Vitoria: Reverse Of Fortune (1990)/ Melhor ator principal
Quem devia ter ganho em 1990: Jason Patric (After Dark, My Sweet)
Devia ter ganho por: Deade Ringers (1988)/ Melhor Ator Principal

Em Reverse Of Fortune o ator é muito bom, mas não tão bom como no filme Deade Ringers no qual interpreta dois irmãos gémeos, ambos ginecologistas, duas personagens que ainda que tenham a mesma aparência são completamente diferentes, Irons consegue criar dois seres humanos distintos, ambos com os seus defeitos e virtudes, numa performance genial.

Cinema é sobretudo uma arte visual, e ninguém pode negar a importância que as imagens que vemos, a sua composição, conteúdo e contexto tem sobre a nossa experiência a assistir esse filme. Estas podem-nos fazer chorar, rir ou até mesmo uma mistura dos dois. Ficam aqui 10 das melhores imagens da historia do cinema.

 

The Master (2012)

 

The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford (2007)

 

The Third Man (1949)

 

Children Of Men (2006)

 

The Fall (2006)

 

Tokyo Story (1953)

 

Lawrance Of Arabia (1962)

 

 

The Mirror (1975)

 

Caché (2005)

 

2001: A Space Odyssey (1969)

 

Em 2008, Charlie Kaufman já era considerado um dos melhores e mais arrojados roteiristas do cinema contemporâneo quando a Sony Pictures lhe pediu para escrever um filme de terror, Kaufman começou então a pensar naquilo que realmente o assustava, assuntos como a morte, envelhecer, solidão, etc. Dai nasceu a ideia para aquele que viria a ser a sua estreia atrás das cameras como diretor.

Charlie Kaufman

Synecdoche, New York é um filme complicado, certamente não é para qualquer pessoa, mas nem por isso deixa de ser menos importante ou de menor qualidade.

Sinopse: Caden Cotard, encenador teatral, está a preparar uma nova peça. A sua vida, nos subúrbios de Nova Iorque, está bastante desinteressante. A sua mulher, Adele deixou-o para prosseguir o seu trabalho como pintora em Berlim, levando consigo a filha pequena de ambos, Olive. A sua terapeuta, Madeleine Gravis, está mais interessada no seu best-seller do que em lhe prestar apoio efectivo. A nova relação com a cândida Hazel acabou por terminar prematuramente. E uma misteriosa doença está a incapacitá-lo de dia para dia. Preocupado com a transitoriedade da sua vida, abandona a sua casa e reúne o elenco num armazém em Nova Iorque. Na esperança de criar um trabalho de honestidade extrema, dá instruções a cada um dos elementos do elenco para que construa a sua vida como uma crítica crescente à cidade.

Synecdoche New York é um filme sobre ti, quem quer que tu sejas, e sobre as estratégias que as pessoas usam para viver a sua vida.

Nós enquanto pessoas encontramos algo que queremos fazer, se tivermos sorte, ou que precisamos de fazer e usamos como meio para obter comida, abrigo, parceiro, viagens, sexo, carros, educação, carros, cirurgias plásticas, ou qualquer coisa que precisemos, ou que achemos precisar.

No processo, colocamos as pessoas em nossas vidas em compartimentos e definimos como elas devem se comportar para nossa vantagem. Porque não podemos forçá-los a seguir nossos desejos, lidamos com as projeções deles criadas em nossas mentes. Mas eles serão contrários e terão vontade própria. Eventualmente novas projeções de nós estão lidando com novas projeções deles. Às vezes, as versões de nós não concordam. Nós sucumbimos à tentação, ficamos arrependidos, mas maior parte das vezes por impulso caímos outra vez nos mesmo erros. Mantém essa trajetória em mente e deixa-a interagir com a idade, desânimo, maior sabedoria e mais incerteza. Você vai entender o que “Synecdoche, New York” está tentando dizer sobre a vida de Caden Cotard e as “vidas em suas vida”. Charlie Kaufman é um dos poucos escritores verdadeiramente importantes a fazer roteiros o seu meio.

“Synecdoche, New York” não é um filme sobre o teatro, embora pareça um. Um diretor de teatro é um personagem ideal para representar o papel que Kaufman pensa que todos interpretamos . Os sets magníficos, que acumulam quartos independentes uns em cimas dos outros são os compartimentos que atribuímos às empresas da nossa vida. Os atores são as pessoas em papéis que vemos segundo do nosso ponto de vista. Alguns deles desempenham dobres atribuídos para fazer o que não há mundo e tempo suficiente para. Eles têm uma maneira de agir de forma independente, em violação das expectativas. Eles tentam controlar suas próprias projeções. Enquanto isso, a fonte de toda essa atividade envelhece e cansa-se, doente e desesperadora. Isso é real ou um sonho? O mundo é apenas um palco, e somos meros atores sobre É. Tudo é uma peça de teatro. A peça é real.

O filme tem varias atuações brilhantes, principalmente a de Philip Seymour Hoffman, um dos melhores atores de todos os tempos numa das suas melhores prestações. Ele é um alma perdida, alguém que se sente humilhado, revoltado e impotente em relação a maquina que é o tempo, e ultimamente assustado da morte e do desconhecido. A maioria dos atores seria incapaz de interpretar tantos sentimentos de forma tão brusca e pessoal. Menção honrosa ainda para o trabalho de Dianne Wiest e de Samantha Morton.

Tudo o resto é brilhantemente executado, desde a trilha sonora até a fantástica decoração que é um parte integral da “mood” e caracterização do filme.

Synecdoche, New York é um dos melhores filmes alguma vez feitos, o melhor da ultima década, ele representa o cinema como arte, algo que funciona não só como uma experiência emocional valiosa como uma obra que faz-nos perceber algo mais sobre a condição humana, e é exatamente isso que o filme retrata, pessoas.

Eles são famosos e aclamados, mas será que merecem tanta admiração e carinho por parte dos fãs? Para dizer a verdade a maioria não é digna de tantos elogios, não que só sejam todos maus atores, mas o seu trabalho não justifica todo o “barulho” criado em torno deles.

Estes são os 8 atores mais sobrevalorizados de todos os tempos:

LEONARDO DICAPRIO

Melhor Performance: What´s Eating Gilbert Grape (1993)
Performance mais sobrevalorizada: The Wolf Of Wall Street (2013)

DiCaprio não é um mau ator, o seu reportório inclui meia dúzia de trabalhos interessantes, dois ou três que até podem ser considerados excelentes, mas isso não é razão suficiente para ser chamado de “o melhor ator da sua geração”.
Desde sotaques demasiado forçados a pouca variedade de expressões faciais, existe vários aspetos que o fazem estar um degrau abaixo de outros atores da sua geração como por exemplo Joaquin Phoenix. Convém ainda dizer que uma das principais razões para a sua popularidade é a sua aparência.

WILL SMITH

Melhor Perfomance: Ali (2001)
Perfomance mais sobrevalorizada: The Pursuit of Happyness (2006)

Para dizer a verdade acho que nunca vi uma performance realmente boa de Will Smith, há qualquer coisa que não te deixa esquecer que estas a ver um ator, uma certa artificialidade, mesmo quando esta a fazer drama. Este é um dos casos em que o seu carisma chama muito mais a atenção do que a sua habilidade como ator.

HARRISON FORD

Melhor performance: Blade Runner (1982)
Performance mais sobrevalorizada: Star Wars (1977)

Ford interpretou algumas da personagens mais conhecidas da história do cinema como Han Solo ou Indiana Jones, em nenhum dos casos era necessário muita habilidade pois as personagens eram, convenhamos, pouco dimensionais, qualquer ator com carisma teria conseguido fazer o que Ford alcançou. Dito isto, e diferentemente da maioria dos atores desta lista, foram muito poucas as vezes em que o ator foi deu uma má performance, mas nunca consegui criar uma personagem que se parece-se com um ser humano com falhas e qualidades.

HUGH JACKMAN

Melhor performance: Logan (2017)
Performance mais sobrevalorizada: Les Misérables (2012)

Dar vida a um super herói é a melhor forma, nos dias que correm, de chamar a atenção do publico, Hugh Jackman deu vida a Wolverine pela primeira vez quando os filmes de super herói ainda não eram a tendência, e para dizer a verdade Jackman tem evoluído como ator, mas ainda esta longe de merecer todos os aplausos que recebe.

MORGAN FREEMAN

Melhor performance: Million Dollar Baby (2004)
Performance mais sobrevalorizada: The Shawshank Redemption (1994)

Morgan Freeman é celebrado sobretudo pela sua voz, e na maior parte dos vezes é só isso que o ator esta a fazer, não a atuar, mas a “entregar” dialogo. Evidentemente que existem performances que fogem a regra, sobretudo aquelas em que o ator esta num papel secundário, como em Million Dollar Baby, Gone Baby Gone ou Unforgiven, no qual o ator entrega performances brilhantes, mas um ator que é talvez o mais adorado pelo mundo fora deveria ter um currículo melhor.

SYLVESTER STALLONE

Melhor performance: Creed (2015)
Performance mais sobrevalorizada: Judge Dredd (1995)
A maior parte dos defensores de Stallone, bem como de outras estrelas de ação como Arnold ou Jackie Chan não estão minimamente interessados em ver uma boa atuação, estes atores são chamados de “grandes atores” apenas por estarem em filmes populares, ainda que a única coisa que façam é parecer “forte” e carismático, alguém que o espetador aspirasse a ser. Stallone é horrível como ator, desde a forma como interpreta o diálogo até as expressões faciais, se alguma vez tiverem interesse em ver o que é uma atuação deem uma olhada no filme Judge Dredd, simplesmente horrível.

CLINT EASTWOOD

Melhor performance: Million Dollar Baby (2004)
Performance mais sobrevalorizada: Dirty Harry (1971)

Um bom ator não precisa de usar um sotaque diferente em todos os filmes, mas percebemos que um ator não é muito capaz quando ao fim de uma carreira de 62 anos todas as personagens da sua autoria tiveram exatamente a mesma caraterização. Eastwood tem dois ou três trabalhos que mostram a sua capacidade como ator, de interpretar sentimentos e não apenas ser o “macho alfa” que é o que o ator faz em quase todos os seus trabalhos.

KEANU REEVES

Melhor performance: The Last Time I Committed Suicide (1997)
Performance mais sobrevalorizada: Matrix (1999)

Keanu Reeves é absolutamente horrível em The Matrix, não consegue representar sentimento absolutamente nenhum, quando o ator quer tentar passar emoção dá por vezes vontade de rir, pois este tenta usar uma expressão de surpresa que parece ridícula. No entanto há uma exceção, Reeves é brilhante no filme The Last Time I Committed Suicide, um filme quase desconhecido, que mostra o que poderia ter sido se Reeves tivesse sido mais consistente.

Brian De Palma, detestado por muitos que alegam que o diretor valoriza estilo sobre substancia, amado por outros, mas nunca indiferente a ninguém, o cineasta americano é um dos nomes mais conhecidos da sua geração de diretores, mas há uma grande parte da sua carreira, principalmente a mais recente, que é desconhecida do público em geral.

De Palma estabeleceu-se como um dos realizadores mais populares da sua geração com filmes como o Carrie (1976), um dos filmes de terror de maior culto, Blow Out (1981), um grande filme, e ainda Scarface (1983), na minha opinião a pior desculpa de sempre para fazer um filme. Após isso os seus filmes futuros (pelo menos a grande maioria) não desfrutaria de muito reconhecimento por parta do público. No entanto foi depois disso que De Palma fez aqueles, que a meu ver são os seus 3 melhores filmes:

CARLITO`S WAY (1993)

Um dos melhores filmes da década de 90, Carlito´s Way representa tudo aquilo que De Palma sabe fazer melhor, o filme é uma combinação brilhante de visuais estilísticos, personagens interessantes, uma história cativante e um filme que consegue ser profundo.

Sinopse: Carlito Brigante (Al Pacino), o primeiro lorde das drogas, sai a prisão através de uma técnica legal engendrada pelo seu advogado, e jura levar uma vida digna. Ao aceitar o trabalho de gerente de um clube nocturno, ele reencontra a sua antiga namorada e com a promessa de uma mudança para melhor, eles reatam o romance. Mas o seu sonho é interrompido pelos seus antigos companheiros do crime e até por novos bandidos que cometem homicídios somente para serem reconhecidos e temidos por todos. Contudo, o seu maior inimigo é ele próprio. Apesar das suas boas intenções, a lealdade pouco sensata de Carlito e um código de honra antiquado irá envolve-lo num mundo violento de vida ou morte contra as forças implacáveis que o impedem de sair.

FEMME FATALE (2002)

De Palma aventurou-se num território típico de Alfred Hitchcock, o diretor trabalha e manipula tão bem o suspense, quase só usando imagens que o resultado final é algo de que até o próprio Hitchcock ficaria muito orgulhoso. Femme Fatale é um dos raros filmes que consegue verdadeiramente deixar-te a tentar adivinhar o que se vai passar aseguir, um filme sexy, elegante, por vezes lento, preocupando-se sempre por seduzir o espetador para o que se esta a passar, sem no entanto ser burro ou simples.

Sinopse: Laura Ash é uma linda mulher que é também mestre na arte da manipulação. Após ter um papel crucial em um assalto de joias, ela repentinamente decide deixar para trás sua carreira criminosa. Reinventando a si mesmo como a respeitável esposa do embaixador norte-americano na França, Laura quer agora fugir dos holofotes e atrair a menor atenção possível. Porém, um repórter paparazzi, Nicolas Bardo, fica atraído por sua beleza e decide segui-la. Subitamente exposta pelas lentes de Nicolas, Laura passa a ser vulnerável aos ataques de seus inimigos e decide usar seus talentos e o instinto voyeurístico de Nicolas para criar uma nova identidade para si e escapar novamente.

REDACTED (2008)

Nos tempos modernos temos sido presenteados com vários filmes de guerra, alguns como o caso de Hurt Locker, genuinamente brilhantes, e outros como Hacksaw Ridge que são tudo aquilo que um filme de guerra não deve ser. Contudo talvez nenhum filme de guerra contemporâneo seja mais importante que Redacted. O filme da um toque de ficção a atos chocantes (mas verdadeiros) cometidos por soldados americanos durante a guerra do Iraque.

Redacted é gravado e apresentado de uma forma original, nós vemos as imagens gravadas por um dos soldados, uma decisão muito inteligente, após ver o filme é impossível imagina-lo de outra maneira, o formato faz pensar que estamos realmente a ver imagens reais. Uma crítica a presença norte americana no Iraque e a como a guerra pode mudar a natureza dos homens que nela participam, e torna-los em autênticos monstros.

Sinopse: Os soldados da companhia Alfa estão a guardar uma posição, e tem ordem para disparar quase avistem um carro, quando eventualmente passa um carro a equipa abre fogo, e matam uma mulher gravida que seguia dentro do carro, Rush e Flake encontram dentro do carro uma família do qual faz parte uma rapariga de 14 anos, que os dois num ato de vingança brutalmente violam e matam, ameaçando depois os outros soldados de que se estes dizerem alguma coisa sobre o que se passou também eles morreram.

 

6 Melhores performances de todos os tempos por um homem.

Uma grande atuação pode elevar um bom filme para o estatuto de fantástico e tornar um filme medíocre num bom filme.

Por isso hoje apresento as 6 performances que são, na minha opinião , as melhores alguma vez dadas por um ator num papel principal.

Nota: As performances estão por ordem cronológica.

ERNEAT BORGENINE (MARTY) (1955)

Ernest Borgenine é brilhante como um homem de meia que encontra uma oportunidade de amor quando menos espera, como Marty o ator interpreta um homem frustrado que por ser desajeitado e pouco apto socialmente ainda vive com a mãe e falhou sempre na vida amorosa, Borgenine encapsula a raiva e frustração de alguém que se sente inútil e que quer respeito a todo o custo.

PER OSCARSSON (HUNGER) (1966)

Talvez a atuação mais brilhante da história do cinema o ator sueco Per Oscarsson da vida a Pontus, escritor vencedor do prêmio Nobel, nos anos mais complicados da sua vida, o escritor ve-se a ficar sem casa e sem dinheiro na esperança de conseguir tornar-se escritor, este escreve um artigo para um jornal e espera que este seja aprovado, o dono do jornal oferece-lhe dinheiro adiantado mas este recusa por orgulho, também por orgulho e arrogância rejeita dinheiro de todos, não querendo expor as suas fraquezas. A atuação é genial, o ator encarna a fome, o orgulho, a arrogância mas também a alma de um sonhador de uma forma tão subtil e sincera que parece genuinamente real.

 

ROBERT DUVALL (TENDER MERCIES) (1983)

Duvall um autêntico camaleão da a melhor performance da sua vida como Mac Sledge, um homem que após um trágico acidente de vida vê a sua vida destruída, após algum tempo este arranja uma nova esposa , tenta encontrar a sua filha perdida e lançar a sua carreira como cantor country.

Duvall é extraordinário, uma das atuações mais subtis da história do cinema, basta observar os olhos do mesmo para entender a dor e sofrimento da personagem.

Numa das cenas do filme este desabafa como a sua esposa atual acerca do acidente que matou a sua antiga esposa e também a sua filha, não vemos a cara de Duvall em nenhum momento da cena, mas a sua voz é suficiente para impactar tanto a audiencja como a cara de qualquer outro ator, fantástico.

NICK NOLTE (AFFLICTION) (1998)

O filme conta a história de Wade Whitehouse, um policial de uma pequena cidade em New Hampshire, cuja investigação de um aparente acidente de caça é influenciada pelo seu relacionamento com um pai alcoólico e violento, sua obsessão cada vez maior com seu passado, seu relacionamento com sua ex-mulher e filha, e a morte de sua mãe. Todas essas questões causam uma crise pessoal em Wade, enquanto a investigação continua.

Nolte é explosivo como Wade, tendo em mãos uma personagem atormentada e alterada mentalmente o ator explode, nos vemos claramente a personagem a afundar-se no caso que lhe trás memórias complicadas da sua vida, Nolte autenticamente explode no ecrã.

PHILIP SEYMOUR HOFFMAN (CAPOTE) (2005)

Como o famoso escritor Truman Capote o ator tem o papel de uma vida, Hoffman não se parece em nada com o escritor o que ainda torna está performance mais notável, pois o ator não só consegue capturar os maneirismos e sotaque peculiar (quase feminino) de Capote na perfeição como consegue ainda representar os seus problemas. A história segue Truman Capote que após ler no jornal sobre o homicídio de uma família de 4 pessoas numa pequena cidade do Kansas viaja até lá fascinado pela história e decidido em escrever um livro baseado nisso, Capote acaba por se envolver como os assassinos, apaixonando-se por um deles, Perry.

Hoffman é extraordinário como Capote, algo nos seu olhar é profundo, consegue ver-se um homem magoada pela sua infância, e percebe-se que está sempre a pensar, com um grande dilema nas mãos, ter que escolher entre amor e fama.

JOAQUIN PHOENIX (THE MASTER) (2012)

Nesta obra prima de Paul Thomas Anderson o ator entrega uma performance colossal.

Este é Freddie, um marinheiro que combateu na segunda guerra mundial e que devido a isso desenvolveu um stress traumatico, após o fim da guerra Freddie volta para um mundo que não está preparado para o seu problema e que não o entende. Após vários empregos falhados este acaba por encontrar Lancaster Dodd, o líder de um culto religioso que se vê fascinado por Freddie e tenta cura-lo.

É impossível tirar os olhos de Phoenix, a sua postura e expressão facial são absolutamente magnéticas, ele é um homem que não consegue expressar-se, perdeu a noção das normas, e vive atormentado por um passado mal resolvido.

Na melhor cena do filme, Lancaster Dodd realiza uma espécie de “interrogatório” a Freddie, a cena desenvolve-se e Freddie fica cada vez mais irritado e enervado pelas perguntas, acabando por libertar a sua raiva num momento extraordinário, impossível de esquecer.