Autor: Júlia Tezza

Amante da literatura e da sétima arte.

Comédia capaz de tocar em assuntos sérios como o bullying, a rejeição, e que ainda transita entre a vida na melhor idade e o amor. Longa dirigido por Pat Mills (2017), estrelado por Geena Davis, Anastasia Phillips e Michelle McLeod. Irene (McLeod) é uma adolescente colegial que sonha em ser líder de torcida, mas para ela isso nunca poderá acontecer por causa de sua condição física não ser adequada, já que em seu colégio todas as garotas líderes de torcida são magras e atléticas. Irene é tímida, não tem amigos e apenas conversa com um pôster de sua ídola: Geena Davis, com quem, em sua fantasia, sempre dá conselhos e encoraja a garota a ser como ela é e a persistir em seus sonhos.

Crédito: 📷 Youtube

Depois de se envolver em uma confusão no colégio e ser vítima da maldade de uma de suas colegas que se aproveitou dela, Irene é obrigada a prestar serviços em um asilo no tempo de suspensão das aulas. Com isso, ela acaba se enturmando com os senhores e senhoras que ali habitam, fazendo de seus sonho um meio para que eles também voltem a ter vontade de viver.

As situações onde Irene precisa ser capaz de não se deixar abalar, principalmente em momentos de bullying, também acontecem durante sua passagem pelo asilo, e é com a ajuda da experiêcia dos seus velhos amigos que ela começa a se fortalecer. Mesmo sendo difícil, querendo sempre fugir e se esconder, Irene começa a mudar a si mesma e as pessoas a sua volta.

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Obra de ficção científica é adaptada por Ramin Bahrani, e contará com Michael B. Jordan, Michael Shannon e Sofia Boutella no elenco. A trama se desenvolve em uma sociedade distópica e futurista, onde qualquer tipo de livro é expressamente banido do alcance dos habitantes, ficando sobre a responsabilidade dos bombeiros queimarem todas as obras que ainda existam.

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Dirigido pelos irmãos Michael e Peter Spiering (O predestinado, Jogos Mortais: Jigsaw), A maldição da casa Winchester (2018) propõe contar sobre todos os eventos sobrenaturais que ocorriam na imponente casa de William Wirt Winchester, dono da marca de armas, e de sua esposa Sarah Winchester (Helen Mirren). Após a morte de seu marido, Sarah (Mirren) começa sua incessante reforma na mansão, onde contrata um extenso número de trabalhadores que constroem, dia e noite sem cessar, novos cômodos a pedido da senhora Winchester. Ela fazia isso como forma de se redimir com os espíritos de todas as vítimas de suas armas, para que eles encontrassem a paz e a perdoassem. Mas para a diretoria da empresa Winchester a viúva teria enlouquecido, por isso mandam um médico para diagnosticá-la afim de que ela perdesse todos seus direitos como dona de tudo. O doutor Eric Price (Jason Clarke) vai até a mansão para investigar e entender o que estava acontecendo ali, certo de que tudo aquilo não passava de loucura ocasionada pela tristeza da senhora Winchester. Com o passar dos dias Price (Clarke) é envolvido nos eventos sobrenatuais que ocorrem na casa, colocando sua própria vida em risco e começa a acreditar que tudo o que estaria acontecendo é real.

Crédito: 📷 Ben King / Lionsgate Films

A história dos Winchester é fascinante, mas a narrativa do filme não soube aproveitar isso. Quando se desenvolve o drama pessoal do doutor dentro da casa, como forma de justificar sua presença ali, uma vez que não precisaria ter um motivo além da provável insanidade da senhora Winchester, a trama se perde. Com isso, uma série de aparições fantasmagóricas e possessões acontecem como forma de dar aquela tensão esperada dos filmes de terror, mas não surpreendem. O medo é muito mais psicológico, com toda a ambientação pensada para se ter o peso do sombrio e do oculto. Dessa perspectiva fica claro que perante tantas possibilidades o foco acabou se perdendo e ofuscando a história central.

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Neste longa dirigido por Jared Stern, escritor de Detona Ralph, Os estagiários e Lego Batman: o filme, produzido pela Netflix (2018), tem como proposta mostrar de forma mais crua possível como é a real convivência de um casal, Mollie (Noël Wells) e Sam (Ben Schwartz) prestes a completar três anos de relacionamento. O comportamento deles como casal influencia diretamente em suas personalidades individuais, uma vez que não se pode excluir quem se é realmente por muito tempo. No caso deles, há tanto tempo juntos, seria impossível.

Netflix

Mollie percebe repentinamente na data do aniversário de namoro que algo esta errado, que ela não se sente feliz, o que surpreende Sam que jamais pensaria isso. Depois de discutirem sobre esse fato Mollie decide passar alguns dias na casa de sua mãe, como uma maneira de poder pensar melhor sobre sua vida e tentar encontrar o motivo de sua infelicidade. Isso desinstabiliza o casal, tanto que Sam começa também a se questionar sobre seus sentimentos por Mollie e sobre como levou sua própria vida até ali.

Mesmo se tratando de um rompimento (por um curto espaço de tempo) de casal a trama se desenvolve de forma leve, com doses certas de ironia e comédia presentes nos personagens principais. A escolha por esse tema contribui para que ocorra a conexão entre filme e aqueles quem o assistem, uma vez que se pensar em relacionamentos humanos, de todas as formas, causará a empatia imediata.

A escolha de personagens caricatos ao redor de Mollie e Sam, apresentados por seus amigos, familiares e colegas de trabalho permitem que se perceba o quanto o casal se importa um com o outro, mesmo tendo constantes discussões e opiniões contrárias não modifica o carinho e cuidado que um nutre pelo outro. Uma forma de se analisar como ser humano e como parceiro, percebendo o que realmente importa em uma relação. 

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A sétima arte é capaz de nos presentear de diversas formas, promovendo momentos de descontração, de medo e de muita emoção, mas quando a mensagem contida nas telas consegue ultrapassar a sala de cinema e estabelecer uma conexão com a realidade o resultado é bem maior do que se pensa. Em Our brand is crisis (Especialista em Crises) 2016, dirigido por David Gordon Green, com Sandra Bullock, Billy Bob Thornton, Joaquim de Almeida, Ann Dowd e Anthony Mackie somos pegos de surpresa com um roteiro de comédia tratando de assuntos existenciais.

Jane Bodine (Bullock) é uma especialista em auto-imagem que sempre trabalhou em campanhas eleitorais, mas que está afastada da função após sua última derrota. Isolada entre as montanhas e buscando um pouco de paz ela é visitada por Ben (Makie) e Nell (Dowd) que também trabalham no mesmo meio que Jane e que buscam por sua ajuda em uma nova candidatura a presidência. Mesmo relutante, Jane aceita a proposta, principalmente por saber que seu adversário esta trabalhando para o candidato oposto ao dela.

Por um longo período Jane apenas estuda seu candidato, Pedro Castillo (Almeida), observando o quanto ele aparenta ser totalmente o contrário do que o povo espera de um presidente. Após um incidente o envolvendo Jane decide expor suas ideias e começa seu processo para corrigir os erros de Castillo. Moldando-o, ele começa a ser mais acessível para seu eleitorado, estabelecendo um contato que antes nem mesmo pensou ser importante. Jane percebe o quanto toda a mudança os fazem subir a cada dia nas pesquisas de preferência do povo, mas também percebe que, como já esperava, Castillo não é em nada diferente dos candidatos anteriores que ela também ajudou. 

Os momentos descontraídos são dados excepcionalmente por Bullock, que consegue nos cativar com seus discursos confusos e piadas muito bem colocadas, ironizando sempre que possível. Este tipo de papel cai como uma luva para a atriz, que já coleciona grandes filmes desse gênero.

A crítica contida no longa só vai aparecer quase ao final, quando nos deixa claro o motivo pelo qual Jane teria se isolado lá no início da trama. Em ano de eleições presidenciais ter a oportunidade de assistir a filmes que retratem esse processo, principalmente levantando questões que, por vezes, muitos fazem o possível para esconder, nos instiga ao questionamento, ao ato do pensar antes de tomarmos qualquer decisão apenas manipulados por bonitas palavras e boas ações.

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Quando nos deparamos com filmes onde um dos personagens mais relevantes da história é um animal sempre nos causa algum tipo de comoção. Neste longa dirigido por Roger Spottiswoode (2016), baseado na história real do best-seller de James Bowen, temos um belo exemplo de superação, amizade e companheirismo.

James (Luke Treadaway) vive nas ruas de Londres após entrar em conflito com seu pai por ser usuário de drogas. Sem apoio, James decide tentar uma vida diferente e entra para um programa de reabilitação enquanto ganha a vida tocando violão e cantando. Totalmente sozinho, ele precisa ser capaz de permanecer afastado de qualquer tipo de droga para que o tratamento funcione, mas a vida nas ruas e as pessoas que o rodeiam não são as melhores para o ajudar nesta nova fase. Depois de conseguir um local para morar, cedido pelo programa de tratamento, em uma noite qualquer James é surpreendido com a entrada de um gato por uma das janelas abertas de sua nova casa. Neste momento ambos criam uma relação que ajudaria muito tanto um quanto o outro. James decide deixar o gato ficar, e como ninguém das casas próximas parecida ter perdido o animal ele também começa a tê-lo como um bom amigo. Certo dia, ao chegar em casa vê o gato machucado e pede ajuda para sua vizinha, Betty (Ruta Gedmintas), uma garota que passeava com cães e que trabalhava para um hospital comunitário para animais, mas que era alérgica a gatos. Durante a conversa ela diz a James que o gato teria contado a ela que se chamava Bob e que gostava muito dele.

Bob não desgrudava mais de James, nem quando ele precisava ir para o trabalho, então James decide levá-lo junto. O gato permanecia sempre perto dele, em seu ombro ou no braço do violão enquanto James tocava e cantava. O público que o acompanhava achava curioso a maneira como o gato se comportava, e quanto mais os dias passavam, mais pessoas paravam para ver os dois.

A mensagem que o filme proporciona não se extrai apenas de fatos corriqueiros e de fácil superação, a realidade dos que vivem nas ruas, seja por qual for o motivo, é retratada de maneira realista, contextualizando-se a história do personagem principal. Uma perspectiva que nos é oferecida para que possamos ir além do senso comum, o qual muitas vezes nos limita como seres humanos e pensantes.

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Série exibida pela HBO (2016), criado por Richard Price (Vítimas de uma paixão, O preço de um resgate, A escuta) e Steven Zaillian (A lista de Schindler, Lances inocentes, Millennium: os homens que não amavam as mulheres, O homem que mudou o jogo), com 9 episódios. Este seriado é voltado para aqueles que gostam do gênero criminal, investigativo como CSI, Law and Order e True Detective. O roteiro é muito bem construído e desenvolvido, da mesma maneira que o elenco, mesmo não tendo grandes nomes, consegue cativar o público e entregar uma história interessante.

Quando Nazir sai em uma noite com a intenção de ir a uma festa de seus amigos, pegando o taxi de seu pai escondido, acaba se perdendo na cidade e conhecendo uma garota, Andrea, que pede para fazer uma corrida pensando que o rapaz era taxista. Encantado com a moça ele aceita, a levando para a praia e depois para sua casa, onde os dois consomem algumas drogas e bebida alcoólica, se envolvendo até terminarem a noite juntos. Quando Nazir acorda durante a madrugada e percebe estar em um outro cômodo da casa, sem entender muito bem como chegou até lá, vai em direção ao quarto de Andrea para vestir suas roupas e despedir-se dela, mas a surpresa e o terror de encontrá-la morta, em meio as possas de sangue em sua cama o fazem correr para fora da casa em desespero. É a partir desse fato que começa toda a trama da série.

Quando se trata desse gênero a história precisa ser capaz de não entregar todo o mistério logo nos primeiros episódios, deixando para encaixar todas as peças ao final da temporada. The night of vai além, nos proporcionando a dúvida e a mudança de posicionamento durante cada novo capítulo da história, isso é uma das razões que fazem com que continuemos assistindo. Não se pode confiar em ninguém porque a cada nova atitude do personagem suas intenções também se modificam, não deixando claro se ele é bom ou mal. Instala-se um ambiente perigoso de estar, com muitos fatos que levam a uma conclusão, mas que visto por outro ângulo mostra outros fatos que ainda não haviam sido abordados, bagunçando a cabeça de todo mundo.

Como ao final do último episódio deixa-se muitas possibilidades em aberto para o personagem principal, uma segunda temporada poderia vir para esclarecer a personalidade dele ou para confundir ainda mais. Dessa forma, apenas uma temporada bastou para contar o fato principal e nos deixar com o benefício da dúvida.

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Filme dirigido por J. C. Feyer, de 2017, contando com Rafael Cardoso, Leandra Leal, Natália Guedes, Cláudia Abreu, Domingos Montagner e Jonas Bloch no elenco. A trama se desenvolve em torno do desaparecimento de uma paciente, ainda criança, após o processo de transferência do hospital. Como o lugar já era antigo e não apresentava mais condições de funcionamento, João Rocha (Cardoso), um médico construindo sua carreira na medicina, é nomeado como encarregado para o processo da mudança dos pacientes desse hospital no Rio de Janeiro para outro em melhores condições e funcionamento. Esta determinação não é bem aceita pelos médicos residentes, muito menos pelo diretor do hospital, Heitor (Bloch). A todo o momento se tem a desconfiança de que algo esteja sendo tramado para impedir que haja a transferência e o fechamento do local, mas o roteiro é muito bem fechado e ficamos apenas com as nossas ideias sem entender muito bem o que, de fato, acontece ali. Isso faz com que fiquemos vidrados no filme e até um pouco incomodados em querer desvendar logo o mistério.

Quando toda a transferência é concluída e João percebe a falta de uma paciente começa sua busca por ela, encontrando pistas de que ela não teria apenas fugido do hospital. Não demora muito e ele começa a perceber que esse pode não ter sido um fato isolado, investigando por conta própria todos os outros sumiços sem explicação que aconteceram durante anos. A saúde mental de João também sofre um declínio neste processo, afetando também sua esposa Leila (Leal), que espera seu primeiro filho. A impressão de que temos é que o casal não possui amigos nem familiares próximos que poderia apoiar, de alguma forma, neste momento. Tanto Leila quanto João se fecham apenas com os amigos relacionados ao hospital, ficando presos e manipulados por eles.

Quanto mais João descobre sobre o que acontece no hospital e quais pessoas estão envolvidas seus delírios aumentam, fazendo com que ele fique descontrolado e obcecado pela verdade. Os acontecimentos que se desenvolvem em paralelo a esses eventos nos mostram, de maneira desesperada e angustiante, todo o fechamento do caso. Mas devo ressaltar que ao chegar no final do filme a sensação de decepção por ser um fim tão pobre, mesmo que conclusivo, nos faz lamentar. Poderiam ter desenvolvido mais, talvez não tivessem mais tempo ou mais orçamento, porém faltou algo. Isso não anula o fato de ser um bom filme, vale a pena assistir, mas não espere muito em ver como a coisa toda acaba.

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O único jeito de começar a falar sobre este filme é dizendo uma palavra: belíssimo! Novamente Guillhermo del Toro nos presenteia com seu mundo de fantasia, delicadeza e amor, fazendo com que fiquemos hipnotizados pela trama do começo ao fim.

Ambientado na década de ’60 durante a Guerra Fria e com muitas discordâncias políticas, Elisa (Sally Hawkins), uma mulher muda com costumes muito simples, tendo sua rotina metódica e quase solitária, não fosse pelas conversas com seu amigo e vizinho Giles (Richard Jenkins), é uma das muitas contratadas para ser zeladora em um laboratório secreto do governo. Sua única amiga e colega de trabalho, Zelda (Octavia Spencer) sempre gostou de conversar muito com Elisa, deixando o ambiente no qual elas se encontram mais leve e descontraído. Papel muito bem designado para Spencer, que consegue dar aquele alívio nos momentos de tensão e despertar a empatia quando toma decisões que o público também tomaria se estivem em seu lugar.

Após a chegada de uma criatura aquática no laboratório quase que instantaneamente Elisa sente-se, de alguma forma que nem ela mesma consegue compreender, atraída por ela. Às escondidas de todos, começa a se aproximar da criatura, primeiro tentando estabelecer sua forma de linguagem por meio dos sinais, depois por meio da música e finalmente acontece um laço sentimental entre ambos. Durante todo esse processo a personalidade de Elisa também é afetada a medida que seu envolvimento com a criatura aumenta, percebendo-se que sua rotina muda, seu olhar atenta-se para outras coisas que antes não a chamavam a atenção e até começa a sonhar que aquela criatura seja seu “príncipe encantado”.

Como parte do experimento e também como forma de torturar a criatura, Richard (Michael Shannon), um dos encarregados do laboratório e braço direito do general percebe a aproximação de Elisa, o que faz com que ele tenha ainda mais raiva e vontade de machucar a criatura. Sádico, fica obcecado por acabar com a vida dele e de quem mais estiver envolvido.

A trilha sonora foi muito bem escolhida, tanto nos momentos de mistério quando ainda não havia se estabelecido nenhum contato entre Elisa e a criatura, ou quando a moça se colocava a sonhar com seu par romântico, até imaginando cenas de musicais a dois. Até mesmo uma preciosidade do nosso tropicalismo brasileiro se faz presente no longa com uma música de Carmen Miranda.

É interessante dizer que a relação amorosa entre os dois vai além de meros tocar de mãos e abraços, há cenas com o apelo sexual muito bem colocadas que não vulgarizam, de nenhuma forma, os dois. Na verdade, desde o início do longa mostra Elisa como sendo uma mulher comum, e como tal sua sexualidade também é.

Como todos os “amores impossíveis”, acontecem muitos fatos que quase impedem os amantes de permanecerem juntos, mas o desfecho dessa trama acontece de modo surpreendente e enaltecendo ainda mais o “conto de fadas” de Elisa. Mas para os bons observadores, não será uma surpresa.

Certamente Toro acertou mais uma vez com sua inconfundível fórmula de fazer cinema, mesclando seus sonhos, pesadelos e fantasias com os nossos. Assistam e permitam-se levar!

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O Filme da Minha Vida

Um drama muito bem construído, dirigido por Selton Mello, do ano de 2017, tendo no elenco Johnny Massaro, Vincent Cassel, Bruna Linzmeyer e Bia Arantes. Longa que te paralisa e te faz ter um olhar muito mais compreensivo sobre certos aspectos da vida do que o habitual, é isso que o grande Selton Mello, diretor e ator se propõe a fazer e consegue executar muito bem. Tanto como ator quanto como diretor Mello sempre conseguiu transparecer aquele seu jeito particular e único de envolvimento total com o texto a ser trabalhado, e se percebe nitidamente sua entrega ao papel, neste caso todo o cuidado com os demais personagens do enredo, dirigindo a trama com muito profissionalismo e sensibilidade. O roteiro teve como base a obra Um pai de cinema, do autor Antonio Skármeta, o que justifica o peso poético e o foco intensificado na tristeza no filme.

Tony (Johnny Massaro) retorna a sua cidade natal depois de passar alguns anos longe por causa de seus estudos, percebendo que as lembranças de sua família e de sua infância talvez estejam condicionadas a serem algo de um passado que já se perdeu, pois descobre que seu pai havia retornado para a França enquanto ele estava fora. Transtornado, Tony tenta compreender o que houve, questionando sua mãe, sem conseguir uma resposta definitiva. Paco (Mello), amigo próximo da família também se recusa a dar grandes explicações do que haveria acontecido, ainda insistindo para que Tony seguisse com sua vida e não procurasse respostas. Esse paradoxo entre Paco e Tony, como se fossem herói e anti-herói, bom e mal se explica dentro do enredo, principalmente para que a sensibilidade existente em um seja capaz de romper as barreiras do bom senso, desta forma colocada literalmente como o erro cometido pelo pai de Tony; e a arrogância do outro seja o medo de que essa ruptura aconteça.

Como qualquer outro jovem, Tony tinha seus problemas juvenis, queria se relacionar com garotas, ser desejado e aproveitar as festinhas com os amigos. Como professor, tentava fazer com que seus alunos tivessem algo a mais para pensar do que apenas em garotas e sexo, mas sempre de um jeito que não os repreendessem ou diminuíssem. Essa relação é feita também de interações engraçadas, as quais o público poderá relaxar um pouco de todo o drama inserido no longa.

Todo o cuidado quanto ao figurino, as músicas e ao modo de vida das pessoas daquela cidadezinha afastada de tudo foi muito bem trabalhado para que o público que viveu na década de ’60 se sentisse revivendo aquelas anos, e aos mais jovens que fossem capaz de compreender a essência que aquele tempo tinha. A fotografia durante todo o filme, mas principalmente nas cenas mais abertas em ruas, quintais e envolvendo o trem são de tirar o fôlego.

Este é aquele tipo de filme que você apenas consegue encaixar todos os quebra-cabeças minutos antes do seu final, o que é sensacional! Ressaltando que o fim em si também pode ser considerado como sendo aberto, já que muitas possibilidades nos são dadas para o que seria ‘uma próxima cena’.

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Após ter dirigido três filmes nacionais, Feliz Natal (2008), O Palhaço (2011) e O filme da minha vida (2017) Selton Mello parte para o começo de sua jornada em Hollywood, onde dirigirá o musical Cathedral City, a convite dos produtores Tai Duncan e Paul Schiff, que se impressionaram bastante com seu último filme do ano passado. O novo longa será produzido na Zero Gravity, mesma da série Ozark e do filme Beasts of no nation, e será roteirizado por John Newman, sem data de estreia até o momento.

O protagonista será um músico “autodestrutivo” que, após não ter sido convidado para o funeral de seu próprio pai, vê sua vida tomar outro rumo, ainda mais quando descobre fatos de sua vida até então escondidos.

Se você gosta de monstros, criaturas ocultas na penumbra e personagens mitológicos, com certeza já ouviu falar desse incrível diretor. Seus filmes, com aquela pegada única e característica que apenas assistindo você vai entender qual é, te levam a confundir a realidade com a ficção, misturando-se com um pouco de fantasia e terror. Então, prepara a pipoca e confira minhas indicações de filmes!

1. Cronos (1993)

Terror que se constrói em torno da invenção de um alquimista no ano de 1536, que dava vida eterna para quem estivesse com o objeto e o usasse. Quatro séculos depois um vendedor de antiguidades acha o objeto e acidentalmente começa a usá-lo, sem perceber o terrível mal que faz a si mesmo. 

2. A espinha do Diabo (El espinazo del Diablo) – 2001

Ambientado durante a Guerra Civil espanhola, Carlos é abandonado em um orfanato pelo seu tutor, e é recebido com muita agressividade pelos demais meninos que já vivem lá. Ele começa a ter visões de um fantasma, que também é uma criança, e percebe que precisa ajudá-lo a vingar sua morte.

3. O Labirinto do Fauno (El laberinto del fauno) – 2006

Após o fim da Guerra Civil espanhola ainda restavam conflitos entre civis e rebeldes, o que faz com que Carmen mude-se com sua filha Ofélia para esperar seu novo marido, um fascista que luta contra os rebeldes. Em meio a todo o caos Ofélia se vê totalmente solitária, buscando no labirinto que encontra em sua nova casa um refúgio, onde fantasia e realidade se confundem.

4. Não tenha medo do escuro (Don’t be afraid of the dark) – 2010

Sally se muda para a mansão de seu pai e de sua nova namorada, encontra um lugar escuro de onde começa a ouvir vozes e acaba soltando as criaturas que ali estavam. No começo a menina achava que eram seus novos amigos, mas depois de uma série de acontecimentos ocorrerem com pessoas próximas ela começa a sentir medo e precisa provar para seu pai que tudo é real e não imaginação de sua cabeça.

5. A colina escarlate (Crimson peak) – 2015

Edith Cushing, uma escritora totalmente apaixonada por Sir Thomas Sharpe muda-se para a mansão dele que fica no alto de uma colina. Sombria e cheia de mistérios a casa começa a mexer com a cabeça de Edith, que precisa ser capaz de manter o próprio controle para não se perder no meio da loucura.

Quarto filme lançado em 18 de Janeiro de 2018, Insidious – The last key (Sobrenatural – A última  chave), dirigido por Adam Robitel (A Possessão de Deborah Logan, X-Men O Filme) e ainda não caímos na mesmice! O longa é focado na infância de Elis (Lyn Shaye) e suas primeiras experiências com os espíritos e demônios. O enredo mostra a relação conturbada e doentia que a menina tinha com seu pai, a qual é explicada por meio do estranho dom de Elis muitos anos depois; com seu irmão mais novo que acreditava nela mesmo sempre estando assustado com o que acontecia; e com sua mãe com quem tinha uma ligação muito forte, sincera e de cumplicidade, fundamental para o que aconteceria futuramente.

Quando Elis recebe uma ligação pedindo sua ajuda com um caso estranho que acontece no Novo México, coincidentemente em sua antiga casa, ela é confrontada não somente com os novos fantasmas que assombram o novo morador, mas também com todos os antigos que ainda permanecem lá desde o seu tempo. Para conseguir estabelecer contato com a entidade presente Elis segue as pistas, as quais se relacionam com sua infância a todo o momento. O alívio cômico do longa se faz bem presente, eu diria que até demais, como se trata de terror/suspense isso ajuda a quem assiste a não ficar tenso a todo o momento, o que os personagens Specs (Leigh Whannel) e Tucker (Angus Sampson) se propõem a fazer. Mas neste filme essa quebra talvez tenha sido excedida em comparação com as cenas mais pesadas, o que justificaria o desagrado dos fãs.

O irmão de Elis, Christian Rainier (Bruce Davison) mais aparece na trama como forma de inserir suas filhas Imogen (Caitlin Gerard) e Melissa (Spencer Locke) na história, já que Imogen desempenhará um papel importante ao lado de Elis para a resolução do caso, e o que deixará uma abertura para um possível novo longa.

Se você não acompanha a franquia desde o primeiro filme é possível que em alguns momentos fique sem entender alguns fatos, já que algumas cenas dos anteriores foram inseridas nesse como explicação e sequência. Vale a pena ver todos os já lançados, não apenas para conseguir acompanhar tudo o que acontece com Elis, mas pelos sustos e emoções que você encontrará.

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Colossal

Esta comédia e ficção científica (2017) dirigida por Nacho Vigalondo, estrelada por Anne Hathaway, Jason Sudeikis, Dan Stevens e Tim Blake Nelson nos propicia bons momentos fora de nossa realidade e aflora nossa imaginação. Tudo começa subitamente quando um monstro de proporções gigantes ataca Tóquio, e como a notícia é espalhada por todos os meios de comunicação Gloria (Hathaway) percebe que existe uma estranha ligação entre ela e o temido monstro, mesmo ambas estando à milhares de quilômetros de distância, o que faz com que ela investigue o que causaria essa conexão.

A escolha de Tóquio como o local dos ataques já não atrai tanto nem causa espanto, uma vez que histórias sobre monstros sempre são vinculadas a este lugar, desde o lendário godzilla até bichos amedrontadores sem formato definido que podem voar e possuir milhares de dentes afiados. Mas em Colossal existe a justificativa por Tóquio, a qual aparece junto a revelação de Gloria sobre sua relação com o monstro. Também é interessante perceber a opção pelo sexo feminino tanto na escolha da personagem principal como da construção do monstro, o que contribui, de um ponto de vista, para as atitudes tomadas por ela e o foco ao problema causado. Cabe várias interpretações sobre a materialização da criatura, mas uma delas poderia ser a de um alter ego de Gloria, também causado por um determinado acontecimento de sua infância.

É um filme divertido que não foi feito para ser levado a sério, mas nem por isso é um besterol sem conteúdo. Bem pelo contrário, arrisco dizer que dependendo de sua intenção ao assisti-lo terás várias possibilidades de reflexão.

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A mistura entre ficção científica com o drama, principalmente quando assuntos existencialistas são abordados, tem sido a mistura certeira para grandes filmes. Rememory (2017) se encaixa nesta lista com maestria, dirigido por Mark Palansky, tendo no elenco grandes nomes como Peter Dinklage, Julia Ormond, Anton Yelchin e Henry Ian Cusick. A trama se desenvolve quando após a morte misteriosa de um renomado professor seu valioso projeto desaparece, o qual é uma máquina capaz de reter as memórias em um tipo de lâminas que, inserido novamente na máquina mostra as lembranças em forma de vídeo.

Como qualquer processo de estudo, a organização a qual desenvolvia a possibilidade de recriar o protótipo para consumo em massa não se preocupou tanto com os possíveis efeitos colaterais do produto, fazendo com que o pequeno grupo de pessoas testadas sofressem sérios problemas, psicológicos e físicos. Com o desaparecimento da máquina e a morte do criador todos os pacientes testados acabam sendo suspeitos, até mesmo a viúva Carolyn, interpretada por Julia Ormond acaba sendo suspeita. Em meio a isso, Sam Bloom (Dinklage) decide ajudar a descobrir o que teria acontecido ao professor, começando sua própria investigação atrás dos fatos e pessoas que tenham alguma relação com o projeto. Mas até mesmo Sam esta envolvido de uma maneira que durante todo o desenvolvimento do enredo somente fica claro quando todas as pontas do quebra-cabeça já estão praticamente atadas, revelando um acontecimento surpreendente que se conecta com todo o restante da trama.

A todo momento a justificativa sentimental do personagem, principalmente de Sam, é mostrada como o grande motivo de suas ações, porque se houvesse um lado racional atuando com ele muitas de suas atitudes seriam completamente diferentes das que foram mostradas. Com isso, pensar que uma pessoa pode entrar e sair da casa de um estranho sem ser percebido e ainda roubar um objeto que todos os outros envolvidos na trama estão procurando é possível, mesmo que não seja um ladrão profissional.

A invenção da máquina, a relação de Sam em todo o processo investigativo da morte do professor e todas as atitudes das outras pessoas que se tornam suspeitas do crime são muito bem colocados no longa, nos momentos certos para que não haja a revelação de toda a trama de uma vez. É um filme que faz pensar sobre as relações humanas, como se entende as lembranças durante toda a vida e qual a verdadeira importância delas.

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7 Filmes ruins de 2017

Há poucos dias para o fim do ano e muitos (assim como eu) ainda se perguntam o que teria acontecido para permitirem que aquele péssimo filme fosse produzido com um roteiro tão pobre, ou como aqueles atores que mal conseguem decorar o texto foram contratados, ou os efeitos visuais que não conseguem enganar ninguém, ou ainda tudo isso junto em uma explosão de desastres! Aqui vai a lista de 7 filmes que não deram muito certo:

1. Kingsman: The golden circle

Começando bem, ou o contrário. Depois do imenso sucesso de estreia do primeiro filme, com o maravilhoso Colin Firth nos presenteando com excelentes atuações em cenas de ação, dirigido por Matthew Vaughn, roteiro bem feito e contando ainda com a carta na manga por ser uma ideia inovadora como filme, houve uma queda drástica com o erro de se querer produzir uma continuação. Vemos uma história bem mal contada, situações que não se explicam muito bem, personagens que surgem do nada talvez como justificativa para o acréscimo dos novos atores inseridos na trama, ainda com falas forçadas que não fazem parte do contexto. Decepcionante!

2. The dark tower

Se o próprio autor da série de livros adaptada não gostou muito do resultado final, o que dizer? Realmente foi uma tentativa desesperada de entregar aos fãs um filme contando a história que se passa ao longo dos oito livros de Stephen King, mas tanto a falta de noção dos produtores em tentar enxugar tanta história em apenas um único filme, mais o desempenho pouco satisfatório do ator escolhido para ser um dos personagens principais da trama, O Homem de Preto interpretado por Matthew MacConaughey, e a falta de se desenvolver mais as principais falas e características dos outros personagens, como as do próprio Pistoleiro (idris Elba) fizeram com que toda a expectativa diante de tal produção não fosse condizente com o resultado nas telas. Pode até ser considerado um bom filme se não for comparado às obras.

3. Ghost in the shell

Os amantes de animes, especificamente esta série a qual leva o nome do filme, também ficaram decepcionados com mais outro resultado negativo quanto a tentativa de adaptação. Desde a escolha da atriz principal, a qual no anime não é americana como Scarlett Johansson, até a falta de profundidade sobre a história e todas as questões existenciais de um modo mais amplo do que individualista fizeram com que o filme ficasse muito mais holywoodiano do que deveria. Visualmente ele cumpre aquilo que promete nos trailers, mas não impressiona em nada quanto àquele algo a mais que se esperava.

4. Wish Upon

Poderia ter dado muito certo, mas algo deu muito errado. Esse é um daqueles filmes cuja a ideia de roteiro é boa, a promessa por um terror ressurgindo é interessante, porém talvez a pressa pela finalização (ou baixo orçamento) tenham feito com que se entregasse mais uma tentativa mal sucedida. Quem tem receio de não conseguir dormir à noite depois de assisti-lo, fique tranquilo! Estoure a pipoca, chame os amigos e divirtam-se com mais essa comédia!

5. The Circle

Com um elenco com nomes como Emma Watson, Tom Hanks, Bill Paxton, Ellar Coltrane entre outros é certo de que será um sucesso, não? Não. O que se prometeu deste filme, tanto pelos atores quanto pela trama não aconteceu. Alguns pensaram que seria uma forma de protesto com o que acontece nos dias atuais, com o vícios nas redes sociais, que existiria a reflexão sobre temas da existência humana, mas o que se constatou foi apenas mais um filme mostrando aquilo que já sabemos e como estamos conformados com tudo. Nada de novo.

6. The Mummy

Esqueça tudo o que possas conhecer sobre esta relíquia egípcia, pegue uma mulher, coloque alguns poderes nela e teremos o novo blockbuster do momento. Essa nova versão da história é contrária aos outros filmes sobre múmias que você já tenha visto, onde a personagem, muito bem interpretada por Sofia Boutella, precisa da ajudinha de um homem, neste caso Tom Cruise, para que possa dominar o mundo. O filme vale a pena pelos efeitos visuais que dão um gostinho nas cenas de ação, mas não espere mais do que isso de um filme sem roteiro.

7. Rings 3

Temos aqui o mesmo caso de filmes que deram muito certo da primeira vez e alguém decidiu produzir uma continuação para estragar. Com Rings isso se repetiu não duas, mas três vezes. Dessa vez o medo e impacto inicial do longa foi substituído por lágrimas de desespero de tão ruim que conseguiram deixar a história de Samara. Construíram todo um esquema de cópias da fita vhs original da maldição, fazendo com que muitas pessoas tivessem acesso (e morressem) enquanto um professor conseguisse pesquisar sobre os efeitos psicológicos da filmagem. Com certeza a Samara deve ter se revirado muito no fundo do poço!

Crítica | Manifesto

Filme que estreou em Outubro deste ano, do diretor Julian Rosefeldt, com Cate Blanchett no papel principal e assumindo a personagem de doze mulheres distintas entre si neste longa considerado um drama/experimental para poucos. Aqueles dotados de sede de conhecimento, apreço pela leitura e/ou história em geral não terão grandes problemas para compreender sobre do que se trata o filme, uma vez que o que Rosefeldt propõe é uma releitura dos grandes manifestos sobre a arte, filosofia e política ao longo dos séculos, aplicando cada discurso deles a realidade do século XX. Claramente o uso da ironia é algo presente em praticamente todas as cenas, o que potencializa a intenção do diretor em nos fazer perceber a familiaridade daquilo que é exposto com as nossas ações diárias.

O absurdo também permeia o roteiro, intencionalmente. Situações que são estrategicamente colocadas para desconstruir o discurso o qual acaba de ser feito, como quando uma das personagens faz uma oração pedindo pelo zelo dos animais, plantas, e pessoas de má conduta, mas se percebe que esta mesma pessoa que ora possui um pequeno acervo de animais empalhados em sua sala e em sua fala reproduz insultos os quais ela mesma repudia.

A todo o momento somos testados sobre a nossa conduta, sobre nossos valores e sobre o motivo pelo qual cremos no que nos foi dito. Reproduzimos algo que muitas vezes não compreendemos como pode ser o correto, ou o que para nós realmente faça sentido. O ser humano se anula, no lugar de indivíduos se tornam apenas mais uma seleção de ‘máquinas’ mortais para efetuar o trabalho. Não pense, apenas faça. Se cale, obedeça. Você esta errado…

Blanchett esta espetacular, o filme é dela. A cada mudança de personagem, a qual a atriz faz com brilhantismo, fica-nos a atenção em perceber os detalhes da nova caracterização, seja no olhar, na voz, no figurino ou no conjunto completo. Esta mulher é incrível! Aqueles que simpatizam com monólogos acharão a proposta interessante, uma vez que o discurso principal é tido de modo solitário, por vezes encarando-nos na tela.

Manifesto é um longa atípico, sem dúvidas, não atinge a todos pela carência cultural da grande massa que, por acaso, o vir. Mas para aqueles que se propuserem a compreender certamente é uma boa experiência cinematográfica e pessoal.

Trailer:

Drama estrelado por Kate Winslet, Idris Elba e Beau Bridges, dirigido por Hany Abu-Assad e adaptado do romance de Charles Martin, este é um filme que consegue ultrapassar suavemente o óbvio, fazendo-nos compreender o que muitas vezes nem havíamos percebido. Alex (Winslet) é uma jornalista que precisa viajar para Baltimore onde a cerimônia de seu casamento a aguarda, e Ben (Elba) um médico cirurgião que precisa regressar à cidade para uma cirurgia de emergência. Como o voo de ambos foi cancelado devido ao mau tempo Alex decide alugar um helicóptero para, ambos conseguirem seguir seus caminhos sem atrasos, mas um acidente ocorre durante a viagem fazendo com que eles fiquem isolados em uma montanha no gelo e sem muitos mantimentos. Na queda, Alex acaba fraturando a perna, ficando inteiramente dependente da ajuda de Ben, que não teve machucados graves.

O cachorro do piloto que foi junto na viagem também consegue sobreviver e os auxiliam durante todo o pesado e desgastante processo de sobrevivência. Até aqui não parece que este roteiro se diferencie dos demais filmes sobre acidentes aéreos já visto, mas a relação que se constrói entre Alex e Ben é o principal destaque e diferencial dessa história. É evidente que para que ambos consigam sobreviver a colaboração precisa ser mútua, bem como para que um confie no outro precisam se conhecer, mesmo que vagamente. O valor sobre os ideais humanos é claramente questionado a todo o momento, seja nos momentos em que eles precisem de forças para prosseguir a luta pela sobrevivência ou quando já estão conformados de que não conseguiriam se salvar. Acompanhando um cenário magnífico em meio a montanhas e neve, que até consegue te passar uma sensação de frio em certas cenas, vale a pena conferir e se surpreender com o final.

Trailer:

The Greatest showman (O Rei do show), é um musical produzido pela Fox, protagonizado por Hugh Jackman que narra a trajetória de vida de P.T. Barnaun, o maior empresário da história do showbiz. Além de Jackman o elenco conta com Zac Efron, Zendaya , Michelle Williams e Rebecca Ferguson. O longa contará com composições originais de Benj Pasek e Justin Paul, mesmos compositores de La La Land e Dear Evan Hansen, ganhadores do Oscar e Tony 2017. Para divulgar a estreia, aqui no Brasil dia 25 de Dezembro, e instigar ainda mais os ansiosos pelo filme o elenco fez algo inédito na história do cinema, o primeiro trailer ao vivo. A performance foi ensaiada por todo o elenco durante três dias, sendo transmitida no intervalo do musical A Christmas Story Live. Confiram:

Filme de 2016 dirigido por Sacha Gervasi (Hitchcoock, The Terminal), adaptado da obra de Sam Munson de mesmo nome publicada em 2010, no elenco contando com Ansel Elgort, Chloe Grace Moretz e Catherine Keener, é um suspense policial instigante e emocionante. Toda trama começa após o assassinato de Kevin, um jovem aparentemente normal como outros de sua idade e amigo de Addison (Elgort). O fato se torna angustiante para Addison após ele perceber que ninguém estaria se importando muito com o crime, principalmente a polícia que mal ouve seu depoimento, conduzindo as investigações de forma quase que inapropriada e medíocre. Como Addison já havia perdido sua mãe há pouco tempo e acreditava que precisava fazer algo a respeito do seu amigo Kevin, com isso começa uma investigação própria para conseguir descobrir quem teria cometido o crime. Ele conta com a ajuda de sua amiga Phoebe (Moretz), com a qual desenvolve um romance juvenil em meio a toda confusão que viram seus dias. A sequência dos fatos são mostrados de forma bem detalhada, não deixando nenhuma abertura ou cenas desnecessárias. Também deve-se ressaltar a qualidade da trilha sonora, que juntamente a todo o visual do longa traz aquela sensação de estarmos novamente aos anos ’80 com pitadas de realidades.

Durante o longa percebe-se momentos nos quais quase se esquece o foco da trama e se ameniza o clima com a relação existente entre Addison e Phoebe, o que faz sentido quando se trata de um assassinato. Grande parte das cenas mais calmas são focados no casal, não somente no romance, mas também na amizade existente entre eles.

O título, de certa forma, não desperta tanto o interesse no filme, o que é uma pena! Mas superado esse detalhe tem-se um filme bom, com uma história interessante e doses de pensamentos existencialistas nas entrelinhas.

Trailer: