Autor: Erivelton Camelo

Formado em produção audiovisual, fotógrafo, e idealizador de videoclipes musicais quando o tempo permite. Amante da sétima arte, defensor do cinema nacional e apreciador de uma cerveja gelada. Não gosto de fazer lista de diretores favoritos e sim de filmes: Trilogia do Anel, Cidade de Deus, Forrest Gump, O Rei Leão, O Menino e o Mundo... e por aí vai.
Sabe aqueles filmes nacionais que vivem à margem do circuito comercial e são excelentes? Então, tenho mais um que preciso acrescentar na lista: O Último Cine Drive-in.
A direção é do Iberê Carvalho, sendo este seu primeiro filme. O longa é uma grande homenagem aos drive-ins, (estabelecimentos que exibiam filmes e tinham como teto as estrelas e que infelizmente não conheci nenhum), além das homenagens aos grandes clássicos do cinema. Homenagens estas sempre discretas, seja num pôster na parede ou uma cena projetada na tela. Também existe a crítica ao cinema blockbuster/artifical de shopping que engoliu os cinemas de rua.
Acrescente a isso uma tentativa quase remota de reconstruir uma família machucada por traumas do passado e um grave problema no presente.
O longa tem como cenário a capital do país. A fotografia do filme é belíssima e usa muito bem o céu de Brasília ensolarado para conseguir imagens que parecem pinturas (Terrence Malick ficaria com inveja), além dos enquadramentos que ora te dão a sensação de ser tão pequeno perante a cidade e ora fecha nos close-ups bem íntimos. Este filme pode ser considerado uma fábula moderna pois tem uma positividade intrínseca que te prende. Mas antes de chegar nisso passamos por cenas muito engraçadas indo em encontro a outras que cortam o coração.
Othon Bastos interpreta Almeida, o dono do drive in. Breno Nina vive Marlonbrando (isso mesmo!) e Rita Assemany dá vida a Fátima, mãe do “Brandinho“. O elenco de apoio também manda muito bem.
Portanto, assista esta magnífica e emocionante “aventura” o mais rápido possível. O filme abre com uma cena muito forte e triste, e encerra com outra que é humanamente impossível não chorar.
É o cinema brasileiro provando aos brasileiros que consegue ser muito mais do que comédias globais.

A frase “fazer história no cinema” pode ser interpretada de inúmeras maneiras. O filme pode ser muito ruim e ainda assim ser lembrado, ter uma bilheteria gigante mas não ser tão convincente, ou ainda ser muito premiado e não atingir o grande público.


Existe ainda, uma outra fórmula secreta de fazer história e esta somente a Disney/Marvel Studios possui e começou a ser moldada há exatos 10 anos, quando em 2008 estreava o primeiro longa metragem dessa empreitada: Homem de Ferro. Neste período muitas aventuras foram produzidas em 18 filmes, que culminaram em um universo fantástico compartilhado, que agora desembarca em Vingadores: Guerra Infinita, filme que estreia nesta quinta-feira, 26 de abril, em circuito nacional. 


Nesta jornada Os Vingadores e os super-heróis aliados precisam estar dispostos a sacrificar tudo em uma tentativa de derrotar o poderoso Thanos, antes que ele coloque as mãos nas “Joias do Infinito” e sua onda de devastação e ruína coloque um fim em metade do universo.

📷 Marvel Studios / Divulgação


A direção é dos irmãos Anthony e Joe Russo, responsáveis pelos excelentes Capitão América: Soldado Invernal e Capitão América: Guerra Civil. E a tarefa deles aqui era muito difícil, afinal, como inserir em um filme inúmeros personagens, situações, enfrentamentos destes 18 longas-metragens? Tinha tudo para ser uma grande bagunça jogada na tela e felizmente não é.

O maior acerto está no roteiro, pois ele situa o espectador em núcleos já que, desta vez, a aventura se passa na Terra e em muitos outros lugares do Universo, ficando mais compreensível e didático (não entenda ruim). Existe o núcleo do Thor e os Guardiões da Galáxia, Homem de Ferro, Homem AranhaDoutor Estranho, Capitão América e Pantera Negra, para falar de maneira bem sintética. Parecem histórias isoladas, porém de maneira alguma o público fica perdido ou sente falta de algo. Todos tem importância, alguns muito mais no decorrer dos acontecimentos. Provavelmente o núcleo mais monótono, entretanto extremamente necessário, é do Visão com a Feiticeira Escarlate.


A maneira como a narrativa segue lembrou em alguns momentos a trilogia O Senhor dos Anéis (calma, não é uma comparação dos filmes), no qual haviam muitas histórias acontecendo em vários lugares, no mesmo momento.
Tecnicamente o padrão permanece elevado, com efeitos visuais deslumbrantes com destaque para as batalhas em Wakanda, com tomadas aéreas abrangendo uma quantidade enorme de personagens, dando uma sensação de grandiosidade jamais vista em filmes da franquia, e a batalha em Titã, que possui um ar pesado e a tonalidade pastel dando um aspecto de urgência.


A marca mais do que registrada dos filmes da Marvel é o humor e claro que ele não ficaria de fora na nova produção. Quase todas as tiradas cômicas funcionam principalmente as protagonizadas pelo Homem Aranha e Thor em alguns momentos o perigo iminente não deveria abrir brechas para risos mas os roteiristas não aguentaram. É verdade que quase simultaneamente é possível sorrir e ficar tenso, coisa que raramente aconteceu em filmes passados, separando cada momento. 

📷 Marvel Studios / Divulgação


E se muitas pessoas reclamavam dos vilões, chegou a hora de conhecer o poderoso Thanos (Josh Brolin). Ele vem do planeta Titã disseminando qualquer civilização à sua frente para dominar o universo. Parece clichê, porém a motivação dele faz sentido, ainda mais depois de alguns flashbacks. Desta vez, existe um medo real potencializado pela voz grave, o vigor físico e as ameaças que realmente se tornam palpáveis. É um vilão com camadas, ora brutais, ora sentimentais (os fãs já provaram desse gosto com Killmonger no filme Pantera Negra). Vale ressaltar o belíssimo trabalho na concepção gráfica de Thanos, minuciosamente detalhada.

📷 Marvel Studios / Divulgação


E a explicação para a aparição da “Joia da Alma” é isoladamente especial (sem mais explicações, para não dar spoiler).


Vingadores: Guerra Infinita é um marco na cultura pop, afinal encerrará um ciclo importante da Marvel Studios para outro surgir. Muito corajoso em relação aos personagens, brilhantemente bem executado, engraçado e dramático ao mesmo tempo, com um final espetacular jamais visto em nenhum dos outros 18 filmes, deixando o campo aberto para Vingadores 4, marcada para estrear em 02 de maio de 2019.


Uma dica importante: O que resta depois das letras subirem? Uma cena pós-créditos muito relevante e a ansiedade para assistir a continuação. Aliás, já começou a pré-venda para 2019?

Lançamento da Imagem Filmes tem estreia marcada para o dia 26 de abril. (📷 Imagem Filmes / Divulgação)

Falar sobre autismo no cinema não é novidade. Tom Hanks interpretou o autista não-declarado mais adorado da história da sétima arte, na obra-prima Forrest Gump – O Contador de Histórias. Recentemente o serviço de streaming Netflix trouxe a ótima série Atypical, que também fala sobre o tema. E na quinta-feira, dia 26 de abril, estreia nos cinemas brasileiros o filme Tudo Que Quero.


Dirigido por Ben Lewin (As SessõesUm Golpe de Sorte) Tudo Que Quero (Please Stand By) acompanha a história de Wendy, uma jovem adulta portadora de autismo, que adora escrever histórias de fantasias e é fã de Star Trek. Certo dia ela descobre um concurso, então decide terminar o seu roteiro para inscrevê-lo. Para isto, ela terá que driblar sua cuidadora, sair pelas ruas com alguns dólares no bolso, acompanhada por seu cãozinho, e enfrentar muitos desafios.


A premissa do filme é boa, a execução nem tanto. O longa-metragem é declarado uma comédia dramática, mas a falta de um e do outro acaba deixando o produto final sem muita identidade, apesar do tema principal ser de total importância como produto de conscientização (e quando a sétima arte se dispõe a fazer isso, já vale a atenção).

(📷 Imagem Filmes / Divulgação)


Dakota Fanning (Chamas da VingançaA Menina e o Porquinho) interpreta a protagonista, e mostra que cresceu e seu talento a acompanhou. A personagem tem relevância, é forte, destemida. O elenco de apoio é formado pela excepcional Toni Collette, que mais uma vez faz um trabalho ótimo como a cuidadora Scottie e Alice Eve interpreta Audrey, a irmã mais velha de Wendy.


O desenvolvimento do filme é bem previsível. O roteiro opta por levar o espectador para uma jornada leve e engraçada, e o ponto alto do longa neste aspecto é o cãozinho Pete, companheiro de Wendy para todas as horas. As situações do filme parecem normais para qualquer pessoa, porém torna-se uma aventura cheia de obstáculos para a protagonista, como uma simples travessia de rua. Fica evidente na história a falta de sensibilidade das pessoas em lidar com o autismo. Claro que é difícil identificar quem é portador, mas não seria difícil ter um pouco mais de empatia para com o próximo.


A verdadeira família de Wendy é a Scottie. Já sua irmã Audrey parece sempre ausente e o trabalho da Eve não é tão bom, principalmente quando deveria ter uma carga dramática mais forte.

(📷 Imagem Filmes / Divulgação)


Não existe fórmula ou cura para o autismo, mas não deveria existir excesso de protecionismo, afinal as dificuldades que o portador enfrenta são intensificadas por falta de oportunidades. O autista com certeza teria uma vida melhor, caso as pessoas a sua volta criassem maneiras de tirá-lo da rotina. A produção foca bem nisso, e o segundo ato, quando a aventura de Wendy começa deixa isso muito claro.


Tudo Que Quero é um filme que possui um tema importante, tem boas interpretações, momentos engraçados porém peca na falta de carga dramática. Vale como produto de conscientização, como já escrito no começo, mas como produto audiovisual é bem mediano e provavelmente não será muito lembrado daqui algum tempo.

Assista ao trailer: 

Quando Guillermo del Toro assume um projeto, as expectativas dos fãs são elevadas, afinal o diretor raramente deixa estúdios e produtores interferirem no seu trabalho. Por esta mesma razão, ele sempre perde algumas oportunidades em Hollywood.

Em Círculo de Fogo (Pacific Rim) lançado em 2013, as expectativas foram alcançadas. O filme tem tudo o que o espectadores querem ver quando se fala de monstros: batalhas épicas, aventura, e o frio na barriga de ver criaturas tão gigantescas em tela. Uma sequência é anunciada e o diretor mexicano aparece apenas como produtor. Eis que o sinal de alerta é tocado.

📷 Divulgação / Universal Pictures

Círculo de Fogo: A Revolta (Pacific Rim Uprising) é dirigido por Steven S. DeKnight (este é seu primeiro longa-metragem) e narram os eventos que acontecem dez anos após a grande guerra entre Kaijus e Jaegers. O planeta vive uma aparente harmonia, ainda que o lado marginal exista. E neste lado marginal vive Jake Pentecost (John Boyega), filho de Stacker Pentecost (Idris Elba), um promissor piloto que não segue os passos do pai e vive no mundo do crime. Quando uma ameaça desponta, ele é recrutado por sua irmã Mako (Rinko Kikuchi) para ajudar a salvar a Terra.

Tudo o que o público espera de um filme com essa premissa é muita porradaria entre gigantes, destruição e diversão. O grande pecado desta sequência é estabelecer novamente tudo o que já havia sido falado ou mostrado no primeiro filme. O longa apresenta um cara rebelde que precisa novamente ser recrutado, o público precisa aprender novamente que os jaegers são controlados principalmente por pessoas que tem equilibro emocional, e outra vez flashbacks de infância perturbam um personagem em momentos cruciais, neste caso a adolescente Amara Namani (Cailee Spaney), órfã com habilidades especiais que conhece de maneira autônoma o submundo dos jaergers piratas. Soa muito familiar, não é mesmo?

📷 Divulgação / Universal Pictures

A primeira parte do filme perde tempo demais com essa trama. O núcleo adolescente criado para estabelecer os novos pilotos não convence e os kaijus são mostrados de maneira muito escassa. Há diálogos caricatos, para não dizer muito ruins, que tentam dosar humor em momentos que obviamente não encaixam. Vale dizer que a maneira que o real vilão é apresentado é eficaz mas acontece tarde demais e quase de maneira piegas. A tal da revolta do título é confusa e sem muito a dizer. Fato é que inventaram subtramas demais.

Outro exagero é a parte técnica. Ela é competente mas desta vez parece que a poluição visual tomou conta das batalhas. Muita destruição, pouco entendimento em tela e a grandiosidade outrora vista, nem de longe, parece dar as caras.

📷 Divulgação / Universal Pictures

Círculo de Fogo: A Revolta, é um filme que em nada lembra seu antecessor, tem um roteiro absurdamente confuso, personagens descartáveis, poucas aparições das “estrelas” que são os kaijus, nem o carisma de John Boyega (Star Wars: Os Últimos Jedi) conseguiu angariar simpatia. Fica claro que haverá um terceiro episódio dado o encerramento convencional. Porém a pergunta que fica é: sem Guillermo del Toro a franquia Pacific Rim conseguirá sustentar-se? Este segundo episódio deixou dúvidas e preocupações de que futuros filmes sejam vistos apenas como um derivado de Transformers, e isso seria muito triste.

O  filme estreia nos cinemas brasileiros no dia 22 de março, produzido e distribuído pela Universal Pictures.

Assista ao trailer:

Com a breve chegada do novo filme de Wes Anderson, Isle of Dogs (provavelmente no Brasil no meio deste ano), que tal revisitar outra obra do diretor também executada através da técnica de stop motion? Estou falando do EXCELENTE O Fantástico Sr. Raposo, 2009, que é baseada no livro do escritor britânico Roald Dahl. 

O instinto selvagem sempre falará mais alto, seja você humano ou animal. Esta é a maior lição do fabuloso filme O Fantástico Sr. Raposo, do diretor Wes Anderson.
Mr. Fox vive tranquilamente com sua família quando decide mudar de casa, isto porque ele quer muito roubar as fábricas de alimentos que ficam em frente a sua casa/árvore. Que fique claro, ele não precisa roubar para sobreviver, simplesmente o faz porque é seu instinto.


Com as reviravoltas do filme, os humanos decidem numa caçada insana buscar a raposa responsável pelo “estrago”. Aí entra a selvageria que homem é capaz de causar quando algo que ele faz com frequência se volta contra: invadir o espaço alheio, principalmente quando falamos de habitat animal.
Wes Anderson é caprichoso por excelência, e este seu filme em stop motion é absolutamente lindo. Falar dos aspectos técnicos dos filmes de Anderson é chover no molhado.


Portanto se quiser saber o que acontece com Mr. Fox, sua “gangue” e os humanos malucos, assista.
Se possível veja legendado, afinal George Clooney dubla Mr. Fox e Meryl Streep a Mrs. Fox.

Título: O Fantástico Sr. Raposo
Ano: 2009
Direção: Wes Anderson
Roteiro: Wes Anderson e Noah Baumbach
Duração: 87 minutos
Classificação: 10 anos
Gênero: Animação, Aventura, Comédia

 

Crítica | Eu, Tonya

Se você já assistiu ao documentário Amy, provavelmente fará muitas assimilações com Eu, Tonya. Afinal, em nenhuma destas histórias as pessoas ao redor de Amy e Tonya as ajudaram a superar suas dificuldades, seus medos. Ambas foram abusadas pela família, por maridos e por nós, público. 
Eu, Tonya é o longa metragem dirigido por Craig Gillespie (Hora do Espanto 2011, mas não se assuste com isso) e estrelado pela bela Margot Robbie, que já estava associada apenas a personagem Arlequina (também esqueça isso), que interpreta Tonya Harding, garota que desde a infância tinha a paixão pela patinação no gelo. Paixão que levou sua mãe a submetê-la a treinos exaustivos, abusivos e sem nenhuma piedade, com a esperança de torná-la famosa.
O roteiro escrito por Steven Rogers segue a linha do docudrama, que mostra de maneira mesclada entrevistas dos personagens contando como os fatos ocorreram. Narra de maneira linear a infância, uma breve adolescência e a conturbada fase adulta que foi da fama ao fundo do poço em pouquíssimo tempo.
Eu, Tonya é um filme marcado por interpretações poderosissímas, a começar por Margot Robbie, que tem aqui a melhor atuação da carreira. Ela faz uma Tonya carregada por traumas e abusos mas mostra-se forte e determinada quando entra em competições. É desafiadora mas também frágil quando depara-se com um homem violento com o qual teve um relacionamento totalmente instável. Outra que dá um show é Allison Janney que interpreta LaVona Harding, mãe de Tonya. É uma mulher fria, dura, sem compaixão alguma e que tem as melhores tiradas cômicas do filme (dêem o Oscar para essa mulher!). Fechando o trio protagonista está Sebastian Stan, que faz o marido Jeff Gillooly, homem que seduziu Tonya na adolescência, casou-se e abusou fisica e psicologicamente da esposa, além de ser um dos responsáveis por causar a desgraça na carreira profissional dela.


Muito mais do que contar a história de uma atleta olímpica que teve a carreira ceifada por todos a sua volta, Eu, Tonya vai muito mais a fundo do que isso. É um filme sobre abuso infantil, machismo, violência doméstica, espetacularização na mídia, omissão da polícia (reparem em uma cena específica com Tonya e Jeff dentro do carro, que fala muito por si). E é um filme que, tirando as pitadas cômicas bem encaixadas, é cru e doloroso.
Por tratar-se de uma produção de baixo orçamento (US$ 11 milhões) ele peca em alguns quesitos técnicos. Algumas apresentações de Tonya Harding no gelo fica evidente o uso (e um uso) ruim de tela verde ao fundo. Percebe-se que não houve um tratamento melhor nos efeitos visuais. Outro ponto é a maquiagem que não convence quando coloca os atores na adolescência. Aquilo não te convence que são jovens. Apesar disto, o filme conta com uma boa retratação de época nas décadas de 80 e 90. Vale ressaltar que Margot Robbie também é produtora do filme! A trilha sonora é deliciosamente bem encaixada com canções do Dire Straits, Bad Company, Eminem, Supertramp, ZZ Top (e muitos outros), que além de serem músicas famosas falam muito sobre a personalidade de Tonya.


Muito mais do que estes pequenos probleminhas, Eu, Tonya é um filme importante que possui interpretações excelentes, um roteiro forte e um alerta gigante sobre muitos problemas que talvez eu e você enfrentemos calados em casa, tenha sido na infância ou agora na fase adulta.

Sabe o principal motivo de Rush (no brasil: Rush – No limite da emoção), filme de Ron Howard ganhar muito mais credibilidade? 
Porque o roteiro teve participação da estrela do filme, o ex-piloto Niki Lauda. Além, é óbvio, de ter como base o livro Corrida para a glória, do escritor Tom Rubython.
A trama narra as disputas acirradas entre James Hunt e Niki Lauda nas pistas de Fórmula 1 (e fora delas também), na década de 70. E é um deleite aos olhos ver os anos de glória e charme dessa modalidade tão chata atualmente.
O esporte praticado por Hunt e Lauda era espetacular pois a paixão e a vontade de deixar sua marca na história era muito maior do que o patrocínio, a sujeira, os “jogos” de equipe de hoje, apesar deles sempre existirem em escala muito menor. A vontade de vencer ia além de chegar vivo ou morto ao final da disputa, chegando ao ponto da loucura.


Niki Lauda (Daniel Brühl) é o lado sério e centrado, e James Hunt (Chris Hemsworth) é o sujeito estourado e irresponsável. Na pista, os dois eram iguais.
A fotografia granulada para dar o tom de época (década de 1970) é muito bonita, as cenas em super slow são lindas, adicionamos uma edição extremamente vibrante e a trilha sonora do mestre Hans Zimmer.

Rush é um dos poucos filmes sobre esporte que realmente empolgam do início ao fim. É nostálgico para os amantes de F1, é um deleite para os amantes de cinema, e é mais um drama dirigido com maestria por Ron Howard (Uma mente brilhante, Apollo 13, A luta pela esperança).

Título: Rush
Ano: 2013
Direção: Ron Howard
Roteiro: Peter Morgan (participação de Niki Lauda)
Duração: 123 minutos
Classificação: 14 anos
Gênero: Drama/Biografia

 

Crítica | Bright

Um mundo habitado por humanos, orcs, elfos, dragões e todas as criaturas fantásticas possíveis. Esta é a ideia que dá vida ao filme de David Ayer (Esquadrão Suicida, Corações de Ferro), e primeiro grande blockbuster da Netflix
Scott Ward (Will Smith) é um policial que patrulha as ruas barra pesada de Los Angeles. E Nick Jakoby (Joel Edgerton) é o primeiro orc a tornar-se policial. Os dois são parceiros. Uma varinha com muitos poderes cai nas mãos deles por determinada circunstância e pronto, temos nosso filme.

A ideia de misturar criaturas fantásticas com humanos me apetece muito. O problema em Bright é como os fatos se desenrolam. O filme é praticamente todo igual no roteiro, cena de ação > fuga, cena de ação > diálogo > fuga, cena de ação > fuga. E o grande problema não é esse, afinal o filme é de AÇÃO. Porém todas as cenas são repetidas (tiroteios e tiroteios) não há coesão e didática em diferenciar os cenários.
Outro lance confuso e que não teve explicação é que alguém muito poderoso (e isso não fica claro em nenhum momento) é o perigo eminente caso obtenha a varinha, não é mostrado em nenhum momento (apenas uma vilã genérica). Não há origem de história, nós simplesmente fomos jogados naquele mundo sem mais nem menos.

Um ponto interessante na premissa de Bright é que apesar de todos viverem num mesmo ambiente, não existe paz. A rivalidade é constante e existe preconceito declarado entre as classes. Pena que é explorando de maneira bem modesta.

O trabalho da equipe de maquiagem é excelente (e quem sabe, até concorram muitos prémios). O design de produção e a cinematografia são muito bons. Tecnicamente é um filme competente. Joel Edgerton apesar de ter virado orc, está muito bem. E a grande jogada da Netflix foi contratar Will Smith. Ele é um ator com baixíssima rejeição entre o público, e claro que chamaria atenção. Ainda que o filme não seja ótimo, as pessoas vão assistir.

Bright apesar de repetitivo e sem muita coesão narrativa, é um grande passo para a Netflix, que deixou seu recado para os grandes e tradicionais estúdios: nós podemos bater de frente com vocês.
Já foi confirmada uma sequência, que talvez nos mostre um pouco mais do passado daquele mundo, e deixa a chance de fazer algo diferente no futuro. E por favor, coloquem mais fadinhas “porra louca” no próximo filme, eu adoraria ter visto mais delas.

Crítica | One of Us

One of Us é um documentário original Netflix dirigido pela dupla Heidi Ewing e Rachel Grady. O filme acompanha Etty, Luzer e Ari, pessoas que tentam fugir do ambiente de violência, opressão, segregação e abuso da comunidade ultraortodoxa judaica hassídica de Nova Iorque. É muito importante ressaltar que esta comunidade específica preserva hábitos muito conservadores, intransponíveis e engessados. Seguem suas próprias condutas, regras e leis, e não existe a mínima possibilidade de interação. Ela não representa o judaísmo de maneira geral. E as diretoras acompanharam os processos dolorosos de separação dos protagonistas dentre deste cenário.

Etty, que tem 30 anos, viveu por muito tempo submissa ao marido e as regras, e teve 7 filhos. Nenhum por sua vontade. Óbvio que por seu instinto materno ela não quer separar-se deles, e em uma luta injusta no tribunal o resultado pode ser pior do que ela espera. Além de tudo, ainda sofre abuso moral e ameaças dos familiares do ex-marido.

Ari é um jovem contestador. Ele foi privado de tudo, inclusive do conhecimento básico do ser humano, como a matemática, por exemplo. Depois que resolveu sair da comunidade todos os seus amigos deram as costas, ele precisou aprender tudo do zero para conseguir de alguma maneira sobreviver. O vício em cocaína foi um reflexo da sua restrição à vida. Triste.

Luzer é aspirante a ator. Tentou inúmeras vezes conseguir papeis após se negar a continuar no judaísmo hassídico. Para sobreviver ele trabalha na Uber e vive dentro de um trailer. Também teve o direito de ver os dois filhos arrancado de si, e começa a lhe faltar a memória visual das crianças.

A comunidade judaica hassídica possui escolas próprias, leis próprias, inclusive este mesmo grupo de pessoas que vive em Nova Iorque até adquiriram uma ambulância exclusivamente para atendê-los. A motivação desta exclusão da sociedade contemporânea é tátil, visto que esta é a maneira deles se auto blindarem da atrocidade que foi o holocausto. O que eles fazem é reflexo de uma história dolorida. Agora, a maneira que isto é feito, com certeza é inaceitável.

Lembram que citei que o judaísmo hassídico, não representa a religião no total? Nossos protagonistas deixam isso muito claro, e este é um ponto muito positivo do filme. São retratadas inúmeras vezes em que eles foram em reuniões, em sinagogas, em festas judaicas após o afastamento, visto que eles continuam com a fé. A discordância é evidente e clara quanto aos métodos.

É fácil dizer que 90% do documentário mostra apenas o que acontece/aconteceu com as três pessoas que saíram daquele meio. Os outros 10% são “depoimentos/respostas” de quem está lá e acredita em tudo aquilo. Poderia facilmente dizer que não ouvir o outro lado, é uma falha do filme. Porém deixo a pergunta: como uma comunidade machista, conservadora, segregadora, deixaria duas diretoras mulheres, entrar no seu ciclo para registrar alguma coisa?

One of Us é um relato importante e doloroso que deixa muito claro que o extremismo, seja em qualquer segmento, é destruidor. As vidas/pessoas que nele foram retratadas estão condenadas a tristeza, e mesmo que elas saiam e continuem lutando por sua liberdade, o trauma e a dor permanecerão para sempre.

 

Filmes para rever | Tim Maia

Devido ao número exacerbado de produções nacionais ruins, poucas conseguem criar expectativa (falando do circuito popular). A exceção aconteceu quando foi divulgada a produção do longa-metragem sobre a vida de Tim Maia, baseado no livro Vale Tudo, de Nelson Motta. Primeiro porque é impossível não gostar da figura do cantor; segundo que o livro é um retrato cru da vida insana que ele levava fora do palco e que pouco gente tinha noção, eu por exemplo, e terceiro seria dirigido por Mauro Lima, de Meu Nome Não é Johnny. E a minha curiosidade cresceu porque li o livro e me peguei pensando se o conteúdo sem censura seria retratado na tela pelo diretor, como no seu outro filme de sucesso. Vamos devagar…
O filme conta a infância pobre de Tim na Tijuca, o trabalho como entregador de marmita para ajudar os pais, a amizade com Roberto Carlos, Erasmo, Jorge Ben e o nascimento do sonho de viver como quisesse, nesse caso viver pela música.
A trajetória segue com a viagem para os EUA sem dinheiro, sem falar inglês, apenas com o sonho americano de conseguir trabalho e dinheiro. Como recompensa, conseguiu alguns anos de prisão por furto. Porém foi lá que aconteceu o primeiro contato com o que seria seu maior mérito: fazer música negra, o funk e o soul. Passam-se os anos, o sucesso aparece junto com as polêmicas, os processos, a religiosidade excêntrica que resultou numa fase importante da carreira. Até chegar na decadência total pelo uso abusivo de drogas, e enfim a morte.
Posso dizer que Tim Maia – O Filme, é um dos maiores blockbusters já produzidos no Brasil e deixo claro que isso não é pecado, muito menos ruim. Se tantos outros tentaram com comédias ridículas, Mauro Lima conseguiu com a história do maior ícone da música funk/soul do país.
A produção é caprichadíssima, com retratação de épocas perfeitas, figurinos impecáveis, fotografia muito bem pensada, coloração que vai do P/B até tons quentes quando acontece a explosão da música. A trilha sonora é toda do Tim, óbvio, e vai acompanhando de maneira cronológica a história (conforme ele lança um disco, a música aparece).
A história é narrada por Cauã Reymond (que também é produtor do filme) que interpreta Fábio, amigo de Tim que o acompanhou em grande parte da sua carreira. A narração pode parecer batida, mas funciona muito bem, principalmente nos pontos mais dramáticos. Aline Moraes interpreta Janaína (personagem fictícia que condensou Janete e Geisa, os grandes amores reais de Tim), Robson Nunes vive Tim Maia adolescente, de forma impecável e o ponto altíssimo é o Tim Maia vivido por Babu Santana! Ele incorporou o síndico nos trejeitos, nos palavrões, o jeito malandro, fez aulas de canto (para quem não sabe Babu cantou quase todas as músicas do filme). E sem exageros, é uma atuação genial!
É impossível ao final do filme depois daquela viagem sensorial, insana e involuntária, não querer ouvir mais e mais seus clássicos. Muito mais do que isso, é um pouco inexplicável a mistura de alegria e tristeza ao ver um gênio que morreu consumido pelo próprio excesso. Talvez os excessos tenham construído essa imagem inesquecível e eterna mesmo depois de muito tempo de sua morte.
Fato é que agora existe um filme a altura do que Tim Maia significa para a música brasileira. Além do que, Tim Maia – O Filme, passou a significar muito para o cinema blockbuster nacional.
Título: Tim Maia – O Filme
Ano: 2014
Direção: Mauro Lima
Roteiro: Antônia Pellegrino
Duração: 120 minutos
Classificação: 16 anos
Gênero: Drama/Biografia
Martín e Mariana moram em prédios vizinhos quase com as paredes coladas. Eles formam o casal perfeito, separados apenas por um problema: ainda não se conhecem.
Esse romance argentino dirigido por Gustavo Taretto é sobre a solidão e a dependência da tecnologia que nos acomete. 
A narrativa do filme é muito interessante, ora rápida assim como as imagens que a ilustram, ora lenta e atordoada como toda situação que não parece ter fim.
Argentina e Espanha (países no qual o longa foi rodado) são os cenários. Países recheados de prédios, construções desordenadas, pessoas indo e voltando, céu cinza. E é nesse contexto que a história de Martín, um cara solitário e confinado na sua “caixa de sapato” (apartamento) e Mariana, uma mulher jovem que saiu de um relacionamento e que não sofre por isso, vão acabar se encontrando.
É impossível assistir Medianeras e não fazer uma breve semelhança com o filme 500 Dias com ela, por exemplo as estações do ano sendo visivelmente apresentadas na tela como se a partir daquilo surgisse algo novo, como os desenhos que viram cena real e o próprio romance em si. No caso do romance, a diferença é que no filme argentino não existe uma dependência por outra pessoa e sim a busca por alguém especial, inverso ao filme norte-americano.
A fotografia é muito bonita e dá para perceber que poucas cenas foram gravadas com câmera na mão. Esteticamente é um filme bem montado e muito bonito.
O roteiro detalhando e explicando toda e qualquer situação apesar de parecer cansativo, é funcional. O final é muito previsível. Inovador é como ele é apresentado.
Quem assistir Medianeras com certeza vai acabar se identificando em alguma situação do filme: seja a dependência pela tecnologia, seja a falta de tato com as relações humanas, a busca por alguém especial, a cidade que moramos sufocada por construções que não permite que enxerguemos algo do nosso lado. Belo filme!
Título: Medianeras
Ano: 2011
Direção: Gustavo Taretto
Roteiro: Gustavo Taretto
Duração: 95 minutos
Classificação: 12 anos
Gênero: Comédia/Drama
Fazer longa-metragem de animação no Brasil é uma tarefa árdua, todos sabem. Quando elas aparecem à maioria das pessoas costumam compará-las aos filmes dos grandes e milionários estúdios gringos, e isso é um erro.
Uma História de Amor e Fúria é uma animação digna de todos os aplausos, prêmios e reconhecimento mundial que conquistou (Annecy International Animated 2013 – Melhor filme; Strasbourg European Fantastic 2013 – Prêmio da Audiência)
Luiz Bolognesi (que também escreveu Bingo: O Rei das Manhãs) no seu roteiro ligou quatro períodos da história do Brasil para narrar o amor de um guerreiro com mais de 600 anos, pelo sua musa Janaína (Selton Mello e Camila Pitanga dublam os protagonistas, respectivamente). Ele passa pela fase da colonização, escravidão, ditadura militar e um futuro orquestrado pela guerra por água. Em todas, ele pertence a classe oprimida e sempre abatida por figuras que hoje são encaradas como heróis, Duque de Caxias é um exemplo.
O filme pode até ser encarado como uma aula muito didática de história mas eu duvido que o usariam em qualquer sala, já que a violência e os maus tratos seculares sempre foram escondidos nos livros, e nessa animação tudo fica muito exposto.
A técnica empregada nos desenhos são boas, apesar das expressões faciais serem muito estáticas em certos momentos. Nada que te faça odiar ou condenar o filme.
As críticas sociais são muito boas, e uma que é aplicável ao momento atual do Brasil, se passa no futuro, quando a água do país é administrada por uma estatal chamada Aquabrás que exporta o produto a preço de banana e vende aqui dentro por valores absurdos. Alguma semelhança com a Petrobrás?
É certo que animações brasileiras são muito bem vistas e premiadas no circuito gringo e difamadas no seu berço, infelizmente. O brasileiro ainda não aprendeu e eu duvido que aprenda, a apreciar o cinema nacional que vale a pena. Brasileiro está acostumado com comédia pastelão com elenco recheado de pessoas daquele programa global de sábado a noite. Triste.
Ao lado de O Menino e o Mundo (outra excelente animação nacional), Uma História de Amor e Fúria deixa seu legado de coragem, de qualidade, de crítica, e a lembrança de que filme animado não existe apenas com ótimos recursos técnicos, uma boa história sempre cai muito bem.

As pessoas com mais de 30 anos normalmente falam que: “na minha época era melhor, no meu tempo as coisas não eram assim”. Provavelmente este é o medo de envelhecer e não se adaptar ao novo. Porém uma única coisa que jamais será igual é a programação infantil da tv brasileira dos anos 80 e ínicio de 90. E neste ponto chegamos em Bingo: O Rei das Manhãs.

É a história real de Arlindo Barreto que interpretou o palhaço Bozo na emissora SBT. A história acompanha o pai amoroso, os desafios de entrar em uma grande emissora, o ascensão e a queda devido ao intenso vício em drogas.
A direção é de Daniel Rezende, que trabalhou como editor em Cidade de Deus. Bingo é seu primeiro longa e mesmo com experiência em cinema ele convocou uma equipe de peso: Luiz Bolognesi assina o roteiro e Lula Carvalho a direção de fotografia. E com esse time e a ousadia demonstrada por Daniel o resultadao é excelente!
Vladimir Brichta interpreta Augusto Mendes/palhaço Bingo, e a sua atuação é digna de abrir portas para o ator no mundo todo. Seu personagem tem muitas camadas: o ator em decadência, o pai amoroso, o palhaço em ascensão, o ser humano em queda e a redenção.


Bingo é o exemplo de filme que é muito bem escrito sendo o roteiro o ponto alto. Tudo tem importância, tem origem, tem desenvolvimento e você realmente cria afetividade com o que está vendo na tela. O elenco de apoio funciona e todos estão bem: Leandra Leal faz o de sempre que é nada menos do que excelência na atuação como a produtora/diretora Lucia, Emanuelle Araújo vive a Gretchen, Tainá Muller a ex-esposa de Augusto, Ana Lúcia Torre é Marta Mendes mãe de Augusto, além de uma participação muito especial de Domingos Montagner como o palhaço de circo que ajudou Augusto no desenvolvimento de Bingo.
A reconstituição de época é cuidadosamente pensada desde os cenários externos do centro de São Paulo, até o cenário do programa. O figurino muito bom e a fotografia é ótima. No último ato tem um plano sequência (você sabe que foi algum truque da direção/direção de fotografia porém impecável) que é digno de aplausos.
Bingo: O Rei das Manhãs é o melhor que o cinema nacional pode ser, bem executado tecnicamente, um roteiro excelente, atuações firmes e competentes, sem clichês baratos (e olha que para trilhar esse caminho mais fácil, o diretor tinha um prato cheio em mãos e não fez). É saudosista para quem viveu a Era Bozo, e é a melhor maneira de mostrar como era intrigamente a programação das crianças no passado para a nova geração.
No final tem uma justa e singela homenagem para Arlindo Barreto, sem alegorias ou demagogias.


Antes de assistir o filme, li e vi muita gente falando que este era o melhor filme nacional desde Cidade de Deus (falando do cinema de longo alcance, tirando o cenário independente da parada), e pensei que as pessoas pudessem estar exagerando. Felizmente não era exagero e você ficará com Bingo na sua mente por muito tempo e arrisco dizer que ele não sairá mais.
Viva o cinema nacional!

Trailer:

 

O ser humano que não nasceu em berço de ouro tende a seguir o caminho mais comum da vida: nascer, crescer, estudar, trabalhar, casar, trabalhar, ter filhos, trabalhar, envelhercer, trabalhar e morrer. Ainda estamos na hipótese de que, qualquer pessoa consiga seguir isto, tendo em vista os problemas sociais (isso já seria outra discussão).
E quando os problemas financeiros são tantos que você cansa de ser bonzinho? Cansa de ver sua família passando por apuros, simplesmente por não ser afortunado de grana? Pessoas boas optam em seguir o ilegal. E o ilegal é lucrativo. Na história mais recente das produções audiovisuais, esta premissa foi explorada de maneira genial na aclamada série Breaking Bad, criada por Vince Gilligan. Nela, um excelente químico descobre que tem câncer e começa a fabricar metafentamina para garantir o futuro da família.

E chegamos em Ozark, série original Netflix que acompanha Marty Byrde (Jason Bateman), um competente consultor financeiro que decide lavar dinheiro para “o segundo maior cartel mexicano” afim de dar maior conforto para sua família. Parecido o roteiro de ambas, certo? Sim, porém Ozark vai na contramão do que foi retratrado em Breaking Bad.

Nela, Marty e Wendy (Laura Linney) são obrigados a mudar de Chicago para a região do lago Ozarks, no Missouri, com o objetivo de salvar toda a família depois de uma grande desavença com o cartel. Nesta pequena cidade Marty continuará a lavar dinheiro e precisará enfrentar todo tipo de perigo que uma família novata aparentemente rica pode sofrer aos olhos da população local.

Ozark

Ozark não perde tempo com detalhes. No primeiro episódio tudo está estabelecido, todo perigo está exposto e a cumplicidade do casal Marty e Wendy fica evidente, inclusive lutando contra traumas recentes no relacionamento. Após a mudança de cidade, os filhos começam a questioná-los sobre as atividades suspeitas, até que tudo fica claro e todos são envolvidos no grande jogo de gato e rato.
Sabe quando você tem um problema e desse problema derivam-se mais dois? E destes dois mais quatro, e destes quatro mais oito e assim por diante? É exatamente isto que acontece ao longo dos 10 episódios. Não existe tempo para otimismo. Ozark tem um narrativa tão destrutiva que, provavelmente você chegará em algum episódio roendo as unhas se perguntando: “como ele vai resolver isso? Ferrou!”
É perceptível também o egocentrismo absoluto do protagonista. Assim como Walter White era soberano no que fazia e tinha autocontrole sobre as ações, Marty segue exatamente isso. Resolver um grande problema parece ser um auto-desafio constante para provar que sua capacidade está acima dos demais. E isto só é deixado um pouco de lado quando a segurança da sua família é ameaçada.

As subtramas se encaixam de maneira coesa. Exemplos: o policial obcecado pelo trabalho, a rejeição dos filhos de Marty e Wendy em um novo ambiente, a família gangster caipira que planeja roubar Marty, o pastor que prega dentro de um barco, o cartel que silenciosamente ameaça todos. Tudo acontece ao mesmo tempo sem te deixar perdido.
Todo o elenco está ótimo. Jason Bateman (que além de produtor, dirige quatro episódios com maestria) transparece o cinismo absurdo que o personagem Marty precisa. Laura Linney é uma ÓTIMA atriz e aqui ela faz o de sempre, com muita firmeza. Os filhos do casal são interpretados pela atriz Sofia Hublitz (Charlotte) e o pequeno ator Skylar Gaertner dá um show como o pequeno Jonah (fiquem ligados nos trabalhos deste garoto no futuro).
O núcleo de apoio ainda tem Julia Garner (Ruth Langmore), Esai Morales (Del), Jason Butler Harner (Roy Petty).
Tecnicamente não existe nenhuma inovação para o gênero (como Breaking Bad fez ao colocar câmeras em lugares inusitados). A cinematografia é competente com os planos quase sempre abertos mostrando muita informação, quase não tem close-ups e a paleta de cores é totalmente azul/cinza, dada a frieza e tristeza que a trama pede.

Posso afirmar que Ozark é uma jornada de desconstrução do ser humano. É um relato da linha tênue entre a tentação de ganhar muito dinheiro e de perder completamente a paz, para sempre. É a prova de que toda pessoa precisa se auto desafiar constantemente afim de parecer realmente viva, ainda que estes desafios destruam completamente sua vida mediana que outrora possuia.

A Netflix acerta mais uma vez nesta produção original, e sem perder tempo já anunciou que Ozark retorna para a segunda temporada.
Se continuarmos com a coragem narrativa, as ótimas interpretações e um gancho bem construído para a história, poderemos seguir Ozark por alguns anos.
A comparação com Breaking Bad é inevitável e vocês poderão notar claramente (não quis falar muito sobre isso, pois o texto ficaria extenso e monótono). Entretanto seria injusto colocar Ozark apenas como uma cópia. Ela tem identidade e com certeza caminha com as próprias pernas.

 

 

O Homem Aranha com certeza é o personagem de histórias em quadrinhos mais carismático que existe. Ganhou muita notoriedade no universo cinematográfico com a trilogia de Sam Raimi (os dois primeiros filmes excelentes e o terceiro apenas regular) e depois com dois filmes de Marc Webb (na minha opinião descartáveis). Contudo, ainda faltava sua aparição no universo cinematográfico Marvel, culminando na grandiosa Guerra Infinita
Depois do acordo entre Sony (detentora dos direitos do personagem) e o Marvel Studios, pudemos sentir um pouquinho do que seria este novo Aranha, no filme Capitão America – Guerra Civil. E eis que surge Homem Aranha – De Volta ao Lar.
Neste filme, que acontece logo após a guerra civil, o diretor Jon Watts não perde tempo com história de origem. Peter Parker já foi picado, tio Ben já morreu, tudo está situado. Afinal recontar seria cansativo e pouco construtivo.
Tom Holland está ótimo como Peter/Spider e ele com certeza é a melhor interpretação do personagem no cinema. É jovem, engraçado, preocupado com questões morais, e essa soma de fatores deixa o Homem Aranha muito mais fresco na memória do público. Era preciso tirar o gosto ruim dos filmes de Marc Webb.
Na trama ele está estagiando com o Homem de Ferro (Robert Downey Jr. faz o mais do mesmo aqui, e é sempre legal), passando por conflitos escolares, tentando ajudar a população. Porém uma grande ameaça aparece e isto colocará a prova sua determinação e seu poder. Michael Keaton interpreta o vilão Abutre, um cara que tem suas motivações para usar violência e marcar seu terriório, e como em poucos filmes do gênero o vilão não quer dominar o mundo (gostei muito disso).
O visual do filme segue o padrão Marvel (e nem poderia ser diferente). As cenas de ação são bem realizadas, a edição dita um tom correto sem acelerar demais o desenvolvimento, as explosões estão presentes, e você consegue enxergar tudo que está em cena, graças ao trabalho de fotografia bem executado. Nada inovador quando comparamos com os outros trabalhos do estúdio. Com certeza a parte mais legal do visual gráfico é o uniforme do Homem Aranha. Você vai sair da sala do cinema querendo um, com certeza. Apesar da trilha sonora ser do Michael Giacchino, não há nenhum grande momento para grudar na sua cabeça.
Homem Aranha – De volta ao lar é divertido, bem executado, apresenta o novo Cabeça de Teia de maneira um pouco mais profunda no universo cinematográfico Marvel com a ótima presença de Tom Holland. Mas é uma história seguindo o caminho Marvel de sempre, sem ousadia no roteiro, mantendo a mesma fórmula que está se tornando saturada. Precisamos urgentemente de Vingadores – Guerra Infinita para encerrar este ciclo e quem sabe começar outro um pouco mais corajoso.
Por parte do Amigão da Vizinhança, vamos aguardar o próximo filme e que ele seja muito mais elaborado em trama, porque em carisma, o estoque já está bem cheio (ainda bem).

As grandes estrelas do futebol de duas décadas para cá são cercadas de glamour, flashes, papparazzis, redes sociais e muita falta de personalidade, principalmente ao abrir a boca para falar de alguma situação, ainda que seja algo sobre uma partida que acabou de acontecer, o que normalmente deveria ser sua zona de conforto. Podemos citar inúmeros exemplos: Ronaldo Fenômeno, Ronaldino Gaúcho, Cristiano Ronaldo, Messi, Neymar. Porém dentro deste cenário que parece tão igual, uma figura muito famosa, diga-se de passagem, destaca-se da maioria: Zlatan Ibrahimovic. Provavelmente você já soube/viu/ouviu, além de uma jogada genial, alguma polêmica desta figura.
Porém o maior questionamento é: ele sempre foi assim ou os anos deram esta experiência e vivência?
Esta resposta você encontrará no documentário Becoming Zlatan (em tradução livre: Tornando-se Zlatan), produzido e dirigido pela dupla sueca Fredrik Gertten e Magnus Gertten, que estreou em 2016.
O filme acompanha três fases da vida do craque: seu começo no modesto Malmö (time sueco), a grande transferência para o Ajax (Holanda) e a porta de entrada para os grandes times europeus, a Juventus (Itália).


Enquanto assistia as raríssimas imagens do jovem Zlatan fiquei me perguntando: porque tiveram a ideia de filmar esse cara tão jovem, sem ter a certeza que ele atingiria o estrelato? E a resposta é imediata e constante durante as quase 2 horas de filme: o cara tem personalidade. Muitos podem encarar como arrogância, e muitas vezes é, mas dizer que Ibra está na vala comum dos famosos seria burrice.
Desde muito cedo o garoto, que não ia para a escola e queria aprender outros idiomas para jogar futebol, já se posicionava de maneira forte, argumentativa, e certamente em rota de colisão com técnicos e dirigentes.


A montagem do filme é ótima fazendo analogias. Por exemplo quando ele entrava em campo com o status de “Deus” no Malmö, e a sua primeira vaia na Arena do Ajax, e ele perguntava para si: “Estão me vaiando?”. O filme não é apresentado de maneira cronológica. Você vai e volta inúmeras vezes na adolescência enquanto ele jogava no computador, e enquanto era apresentando em uma coletiva de imprensa.
Participam do filme figuras importantes na trajetória de Zlatan: Leo Beenhakker, técnico do Ajax que convenceu o time a comprá-lo; Marco Van Basten, ídolo do time holandês; Mido, atacante egípcio que teve muitas desavenças com Ibra, além de dirigentes da Juventus de Turim.
Este filme é um prato cheio para quem gosta de futebol, e ótimo para quem adora boas histórias retratadas no cinema, somando-se a isto sua belíssima montagem.

Zlatan e seu pai, Šefik Ibrahimović

Zlatan, que depois trocou seu nome na camisa definitivamente para Ibrahimovic a pedido do pai, é uma das maiores figuras do cenário esportivo do século 21, um dos mais vitoriosos (afinal ganhou títulos nacionais por todos os clubes que passou, com exceção do Manchester United, ficando a eterna dívida consigo de nunca ter ganhado a UEFA Champions League), e o ponto fora da curva do futebol moderno, que está a passos largos acabando com este esporte tão apaixonante. Além de mostrar ao mundo que sim, é possível fazer história sendo autêntico.

Você pode conferir direto na plataforma Netflix.

Ela levou muito tempo interpretando a heróina que combatia o mal na franquia Resident Evil. Mas em Hellboy: Rise of The Blood Queen, Milla Jovovich será a grande vilã.

O filme terá a direção de Neil Marshall (Abismo do Medo, episódios de Game of Thrones, Constantine e Westworld). David Harbour (Stranger Things) interpretará Hellboy e Ian McShane (John Wich – Chapter 2, Deuses Americanos) será Professor Broom, pai adotivo do herói.
Na trama, eles terão que enfrentar a nefasta Rainha de Sangue (Jovovich), uma feiticeira maligna que pretende destruir o mundo.

Andrew Cosby, Christopher Golden e o criador de Hellboy, Mike Mignola, trabalharam em muitos rascunhos do roteiro e de acordo com o site Deadline, Aron Coleite está escrevendo a versão definitiva que Neil Marshall começará a filmar na Bulgária e no Reino Unido, a partir de setembro.

Hellboy: Rise of The Blood Queen tem estreia prevista para 2018.

Crítica | Okja

A internet abriu espaço para todos opinarem e darem pontos de vista sobre todos os assuntos, e provavelmente o que mais gera polêmica é o consumo de proteína animal. E como levar isso para as telas sem ofender um lado ou outro? A Netflix firmou parceria com o excelente diretor sul coreano Bong Joon Ho (Expresso do Amanhã) para o projeto Okja.

Lucy Mirando (Tilda Swinton) apresenta ao mundo uma nova espécie, que segundo ela foi encontrada no Chile, denominada super-porco. Com isto decide enviar 26 animais ainda filhotes para viverem em lugares distintos, e em 10 anos promoverá um concurso para eleger o “melhor super porco”. Mikha (Seo-Hyun Ahn), a garota sul coreana que convive com Okja desde a infância fará tudo para proteger o animal sentindo o perigo iminente com a chegada da competição. A sinopse parece simples, mas com o desenvolvimento do roteiro a crueldade aliada aos interesses comerciais das corporações Mirando vão mostrar uma face muito mais brutal da história.

Bong Joon Ho sabe mesclar de maneira orquestrada os gêneros em um mesmo filme. Em Okja você vai encontrar aventura, ação, fantasia e drama sem nunca se perder na narrativa. Ele abre o filme com uma enxurrada de informações sobre os super-porcos e o consumo animal, a propaganda sempre muito bem feita pelas empresas que faz o consumidor adorá-los, e o frenesi causado por algo novo. No próximo corte você é literalmente transportado para outra realidade criando empatia imediata pela dupla protagonista: Mikha e Okja. O gigantesco animal é muito carismático e a amizade entre elas é muito tátil, você realmente acredita em tudo aquilo. Quando Okja é retirada da garota, os grandes acontecimentos começam: os planos de filmagem são expandidos, mais personagens aparecem, os cenários que outrora estavam apenas em uma floresta, agora estão no centro comercial de Seul e o ápice é a cidade de Nova Iorque.

O elenco de apoio é de peso porém nenhum com uma atuação marcante, isto devido ao roteiro. Paul DanoSteven Yeun e Lilly Collins vivem ativistas de proteção aos animais que ajudam a garota Mikha,  Jake Gyllenhaal é um biólogo/apresentador de TV sem muito o que dizer, na verdade fiquei em dúvida o que ele realmente queria e Gian Carlos Esposito (o eterno Gus Fring de Breaking Bad) é uma espécie de conselheiro de Lucy. O filme sem dúvida é da Tilda Swinton, que está excelente como sempre e a grande surpresa é a garota Seo.

Os efeitos visuais são excelentes, a começar pela Okja. O animal é muito bem construído com sombras, secreções, a textura da pele e dos pelos. E isto fica muito mais visível nas cenas com a garota Mikha.

O primeiro ato é ótimo, com ritmo alucinante. O segundo perde um pouco de energia e as cenas começam a ficar longas demais. E tudo volta aos trilhos no terceiro ato que é muito violento e as discussões sobre o consumo animal são jogados sem pudor na cara do espectador.

Okja é a porta de entrada do diretor para o grande mercado do cinema, pois esta foi a primeira vez que ele trabalhou com tantos atores renomados, com um orçamento maior e ainda assim não perdeu sua liberdade criativa. É um filme com duas protagonistas femininas muito fortes, com convicções e paixões diferentes porém com a mesma garra. E é um alerta para a humanidade repensar quão brutal é o mercado/consumo de animais. Será impossível não se emocionar com Okja e Mikha.

Depois de assistir, a decisão fica nas suas mãos: o que você fará?

Chiwetel Ejifor (12 Anos de Escravidão, Perdido em Marte, Doutor Estranho) está na lista de favoritos para interpretar o vilão Scar, na nova versão do clássico O Rei Leão, que será dirigido por Jon Favreau. Inclusive as negociações parecem estar avançadas, segundo informações da Empire Magazine.
Num futuro próximo ele pode se juntar ao elenco já confirmado: James Earl Jones retorna como Mufasa, Donald Glover como Simba, Seth Rogen e Billy Eichner como Timão e Pumba além de John Oliver que emprestará sua voz ao Zazu.

Favreau já trabalhou com a mesma tecnologia em Mogli (2016) e não será diferente desta vez, claro que sem a presença de um humano. Ele já apresentou de maneira exclusiva uma prévia na última D23 (Convenção da Disney que aconteceu em julho). Inclusive neste mesmo evento surgiu o boato de que Hugh Jackman seria Scar, porém isto foi desmentido.
O Rei Leão poderá ser conferido apenas em 2019. Até lá, ficamos ansiosos para ver novamente a Pedra do Rei.

Master of None (1ª e 2ª temporada) acompanha a vida do indiano Dev Shah (Aziz Ansari) um ator que tenta encontrar o trabalho perfeito, e tem uma relação muito peculiar com seus pais e seus amigos, na cidade de Nova Iorque. Talvez pareça uma sinopse simples demais porém nesta sutileza que Master of None consegue ser genial.


A produção que tem o roteiro assinado pelo protagonista, e que também dirige alguns episódios, tem um humor absurdamente gostoso, natural, bobo e completamente bem encaixado na história. E este humor trata de assuntos muito sérios, principalmente na vida dessas pessoas que sofrem preconceito: indianos, asiáticos, pretos, mulheres, lésbicas, gays. Ponto alto do roteiro é que ainda que sofram preconceitos, essas pessoas não são ridicularizadas na história e sempre estão prontas a rebater qualquer problema. É certo que na vida real as coisas infelizmente não funcionam assim porém é importante ter um produto audiovisual com essa preocupação.
Seguindo esta linha a série retrata de maneira extremamente fiel a relação pais e filhos, a tecnologia mudando o cotidiano de ambos e os difíceis diálogos que travamos com eles.
A 1ª temporada é muito engraçada em todos os 10 episódios, cada um com no máximo 30 minutos. Todas as questões que citei são exploradas e quando você pensa que o estoque de piadas já esgotou, lá vem mais. Aziz Ansari é puro carisma! Vale registrar que a série também tem diálogos fortes e dramáticos. Esta mescla de tons não fica perdida.
Já na 2ª temporada o clima descontraído continua porém com uma espécie de reviravolta na vida de Dev e os questionamentos amorosos/familiares/profissionais da fase adulta o perturbam muito.
Os episódios vão ficando mais tensos e com isso nosso sofrimento vai aumentando junto a Dev. É impossível não se espelhar em alguma cena ou momento vivido por ele ou algum de seus amigos. Todos nós já nos deparamos com algo parecido.
Ao final de cada episódio não existe o plot (o gancho) para o próximo, eles terminam quando você menos espera. A sensação não é ruim. Podemos aplicar este mesmo recurso para os finais das temporadas, elas simplesmente acabam, sem um final definido.
Eu poderia estender o texto e falar dos aspectos técnicos (a fotografia é linda!), citar alguns episódios geniais (Nashville / The Thief / New York, I love you / Thanksgiving) mas eu prolongaria demais o texto e você talvez nem terminasse de ler.
Ainda não é certo afirmar que teremos a 3ª temporada de Master of None, mas é certíssimo afirmar que esta série é um dos maiores acertos nas produções originais Netflix.
A frase: “menos é mais” nunca fez tanto sentido.