Autor: BUBA

Uma garota perdida neste mundão de meu diabo. Formada em Filosofia ❤ e Direito ? (esse foi cagada mesmo). Nada a ver comigo! Rss. Atualmente, faço cursos nas áreas de Fotografia, Edição de Vídeo, Roteiro e Teatro (a menina sabe memo o que quer da vida!). Tento atravessar a existência atenta às belezas desta vida em suas diversas manifestações e representações. Às vezes, essa beleza dói e é melancólica. Prazer!

ALGUNS TERMOS BÁSICOS

Cinema: do grego: – kinema “movimento”. Que significa a arte/técnica de fixar/reproduzir imagens que criam ilusão de movimento produzem movimento.

Roteiro: a história do filme escrita em papel. Com as falas e tudo que for pertinente para a composição do filme.

Quadro/Frame/Fotograma: a imagem única estática do filme, é a menor unidade de um filme. Várias imagens (frames) geram ilusão de movimento. Em geral, o ritmo é 24 quadros por segundo. Hoje em dia não é necessário mais gravar em película, devido a digitalização do cinema.

Tomada/Take: tudo que é registrado pela câmera (do play ao stop).

Plano: pedaço sem interrupção no filme, o que não é cortado na filmagem.

Cena: sequência de planos em uma mesma locação e em um mesmo tempo (sem elipse). Quando muda a locação, muda-se a cena.

Sequência: conjunto de cenas (duas ou mais cenas) que formam um “capítulo” narrativo.

Enquadramento: enquadrar é estabelecer o que fará parte do filme no momento de sua realização. Em termo mais operacional, é definir a forma como o espectador captará o universo criado no filme. O enquadramento é dependente de três elementos: plano, ângulo e lado do ângulo.

Corte: após o registro em tomada, o filme deve ser cortado. Corte é a passagem entre dois planos.

Elipses: salto temporal que não mostra a passagem do tempo.

planos 

Quanto à distância do objeto filmado:

A) Plano Aberto/Geral / Long Shot: Câmera fica longe do objeto principal, tem o objetivo de demonstrar o cenário

(Filme: Intriga Internacional, Hitchcock, 1959).

B) Plano Médio: é o plano entre o geral e o close up. Também estabelece relação entre o objeto principal (ator ou atores…) e o cenário. Estudiosos debatem sobre a natureza deste plano. Há quem diga que o plano médio enquadra todo o personagem com espaço negativo (ar) entre os pés e a cabeça. Mas também há quem diga que consiste em enquadrar o personagem da cintura para cima.

(Filme: O Iluminado, Kubrick, 1980).

C) Plano Fechado/Primeiro Plano/Close Up: a câmera situa-se bem próximo ao objeto principal, da linha do peito para cima. Possui um maior valor dramático, buscando salientar a expressão do personagem, intimidade.

(Filme: 12 anos de Escravidão, Steve McQueen, 2013).

D) Plano Conjunto: dois ou mais personagens, interessando em mostrar a interação entre eles, mas sendo possível ver boa parte do cenário.

(Filme: Festim Diabólico, Hitchcock, 1948).

E) Plano Americano: câmera registra o personagem do joelho para cima. Muito usado em filmes de Western para mostrar o saque da arma e os movimentos dos membros envolvidos nesse tipo de cena (cenas de duelos).

(Filme: Por uns dólares a mais, Sérgio Leone, 1965).

F) Primeiríssimo Plano/ Big Close Up: linha do ombro para cima, usado para imagem de choque.

(Filme: 2001 – Uma Odisséia no Espaço, Kubrick, 1968).

G) Plano Detalhe: foca-se em uma especificidade do rosto ou do corpo do personagem.

(Filme: Bruxa de Blair, Eduardo Sánchez, Daniel Myrick, 1999). 

ÂNGULOS

Quanto à altura:

A)    Ângulo Normal: na altura dos olhos.

(Filme: O Lobo de Wall Street, Scorsese, 2014).

B) Plongée: câmera alta, acima do nível dos olhos, com objeto abaixo. Em francês significa “mergulho”. Usado para transmitir a inferioridade do objeto principal (diminui a noção de dimensão) em relação a algum aspecto narrativo. Este ângulo, tendo em vista personagens, sugere algo acima do próprio personagem que abala seu equilíbrio emocional (medo, temor, apreensão…) – de cima para baixo.

(Filme: Harry Potter e a Ordem da Fênix, David Yates, 2007).

C) Contra Plongée: câmera alta com objeto abaixo. Usado para transmitir o oposto do Plongée, isto é, superioridade de objetos e personagens em relação ao aspecto narrativo – de baixo para cima.

(Bastardos Inglórios, Tarantino, 2009).

Quanto ao lado

A) Ângulo Frontal: câmera em linha reta com o nariz do personagem.

(Filme: A Pele que Habito, Almodóvar, 2011).

B)    Ângulo ¾: câmera a 45° do nariz do personagem

(Filme: O Grande Lebowski, Ethan Coen, Joel Coen, 1999).

C) Perfil

D) Nuca

Quanto ao movimento

A) Panorâmica: o plano em que a câmera gira sobre seu próprio eixo, horizontalmente, verticalmente oblíqua ou circular, mas sem deslocamento.

B) Plano de Ambientação/Estabelecimento: possui a finalidade de apresentar o universo a ser explorado, é um plano geral em movimento.

C) Travelling/Traking Shot: a câmera se desloca no espaço geralmente por meio de dolly (carrinho em cima de um trilho).

dolly

D) Grua: guindastes onde câmeras são instaladas e operadas por meios de comandos. Possibilita movimentos amplos, sair de um plano detalhe e ir para um plano geral, por exemplo. Em filmes de ação, são instaladas gruas em carros ou outros veículos com o objetivo de acompanhar o movimento.

grua

E) Plano Sequência: plano longo, sem cortes. Se algo der errado, tudo será refeito. Confere teor realista às produções.

F) Plano Holandês: câmera inclinada, usada para passar instabilidade psíquica.

G) Lapso de tempo: acelerar imagem, geralmente urbanas.

H) Câmera tremida: filmes de ação.

Lembrando que todas essas técnicas podem e são combinadas para a construção narrativa.

 

MISE – EN -SCÈNE

Há dois pontos na arte de fazer cinema: o que você faz com a câmera, como operar a câmera (enquadramento), o outro é o que você quer registrar com a câmera, eis a mise -en- scène. Em tradução literal do francês é: obtenção em cena, mas podemos dizer que é “colocar em cena”, ou seja, disposição de elementos na construção narrativa. É a parte técnica cinematográfica com que mais estamos familiarizados, mesmo sem nos dar conta: muitas vezes não lembramos ou não percebemos artisticamente (de forma consciente) os cortes, os planos, ou a movimentação de câmera, mas lembramos do figurino, das tonalidades da fotografia…

Elementos da mise – em – scène

1- Cenário / locação

2- Figurino e Maquiagem

3- Iluminação

4- Encenação: movimento e interpretação (atuação)  

Os conceitos inerentes aos elementos acimas expostos são extensos e fica para um futuro texto.

PÓS-PRODUÇÃO

Montagem e Edição Em termos gerais, diz-se que montagem é o mesmo que edição, mas edição não é o mesmo que montagem. Varia de acordo com o país e a linha metodológica adotada. É um ponto polêmico. Há linhas que veem a montagem como algo mais conceitual, remetendo ao sentido do filme, cabendo à edição a parte mais técnica do processo. No primeiro sentido, a montagem é o conceito por trás da técnica de edição. No Brasil, comumente, montagem é utilizado para o cinema e edição para televisão e vídeos, mas é uma dicotomia muito controversa, tal como podemos demonstrar com as seguintes citações:

“Cortar [cutting] ou editar [editing] um filme é ligar os planos fisicamente na ordem em que eles devem ser projetados” (Kawin, 1992: 49).

Planos e cortes compõem praticamente todo o mundo visual do filme, tanto quanto as palavras e sua ordem compõem a frase, ou uma sequência de frases torna-se um livro. O termo genérico para o que foi organizado no âmbito do plano é mise-en-scène. O termo genérico acerca de como os planos estão ligados é montagem [montage] (Estes são dois dos mais importantes e problemáticos termos nos estudos de cinema …) […] o espectador interpreta a montagem para estabelecer o que esses pontos de vista distintos podem ter a ver um com o outro (Kawin, 1992: 51).

A edição [editing] é a arte de tomar decisões sobre o comprimento do plano, seleção e sequenciamento. Corte [Cutting] é o ato de emendar pedaços de filme. Decidir o quanto incluir de um plano em um filme, sugerir e manipular sua matriz interpretativa, cortando entre dois planos, é o trabalho do editor do filme” (Kawin, 1992: 436).

Alguns elementos:

Fade in: aparição gradual da imagem por meio de iluminação.

Fade out: desaparição gradual da imagem por meio de iluminação.

Fusão: sobreposição de imagens.

Trilha sonora:

A) Música Diegética: a música está dentro da narrativa do filme, o personagem escuta a música.

B) Música Extradiegética: a música não está dentro da narrativa do filme, o personagem não escuta a música, ela é dirigida ao espectador para manipular atmosferas e emoções.

 

CORTES  

Como já dito acima, corte é “a passagem entre dois planos”.

Alguns tipos de cortes:

A) Standard Cut/ Hard Cut/ Corte Seco: é o tipo mais comum nas edições. É o corte sem efeitos de transição e apenas isso.

B) Jump Cut: é um tipo de corte seco (sem transição) que produz dois planos a partir de uma tomada/take de forma brusca, indicando passagem de tempo pequena. Muito usado em edições de conteúdos produzidos no YouTube, pois funciona eliminando pausas e falhas comuns às falas.

C) Cutting on Action: passagem de um plano para o outro, onde o último coincide com a ação do primeiro plano. O corte é feito no momento da ação, e é finalizada no outro plano. Utiliza-se, bastante, em cenas de lutas.

D) Cutaway: corte que interrompe um plano e insere um elemento que não estava em cena anteriormente. Um objeto que contribui tanto para a contextualização, quanto para a dramaticidade narrativa não só pelo seu significado, mas pela suspensão do desenrolar do primeiro plano.

E) Cross Cut: também chamado de “edição paralela”. Usado para contar acontecimentos em lugares distintos ou histórias paralelas sincronizadas.

F) Match Cut: corte que mostra cenas diferentes, mas com imagens semelhantes e com aspecto de continuidade (um cano pingando e logo após gotas de chá pingando na xícara).

G) Smash Cut: corte repentino onde, geralmente, não haveria um corte. Normalmente a passagem ocorre entre cenas com carga emotiva bem diferentes entre si (tensão x tranquilidade). Suspende a carga emotiva e a dramaticidade, mas cria-se uma expectativa e uma interrupção emocional no espectador.

H) Invisible Cut: produzir a ilusão de que não há um corte. É feito focando um objeto escuro no fim da primeira sequência e no começo da próxima (vide filme Festim Diabólico, Hitchcock).

I) J Cut: áudio do segundo corte chega antes da sua imagem.

J) L Cut: áudio do primeiro corte é prolongado para o segundo corte.

Kawin, Bruce. How Movies Work. Berkeley: University of California Press, 1992

 

 

O Martelo destrói, tal como o sabão explode.

Sim, “CLUBE DA LUTA” – não estou aqui para fazer uma piada enferrujada, aliás, amigxs, na boa, essa, de fato, já deu (recado impopular).

Antes de começarmos, mais um aviso: os conceitos aqui expostos da filosofia de Nietzsche serão respectivamente “niilismo” e Übermensch.

Também cabível dizer que há algumas citações de diálogos do filme, o que pode comprometer para alguns o ritmo da leitura, mas os diálogos estão aí por algum motivo; para exemplificar as explicações.

POIS BEM, POR QUE NIETZSCHE? 

Você provavelmente já ouviu/leu algo do tipo “filmes inspirados na filosofia de Nietzsche”. O filósofo em questão é conhecido no meio como o “filósofo do martelo” – isso porque golpes de martelo (sentido figurado) poderiam destruir os fundamentos da civilização ocidental em prol do conceito de “transvaloração dos valores”, isto é, um tipo novo de sistema que não reprima os instintos humanos/animais.

NIILISMO

O conceito de niilismo é algo bem complexo dentro dos estudos filosóficos e não cabe aqui explorar a fundo suas variadas nuances.

Vamos brevemente expor o conceito de “niilismo”, recorrendo a um dicionário filosófico. Segundo o Dicionário Oxford de Filosofia:

“Teoria que se promove o estado em que não se acredita em nada, ou de não se ter comprometimentos objetivos”- essa é a definição mais próxima da que será usada no presente texto.

Para Nietzsche, em linhas gerais, o conceito foi usado para evidenciar a decadência europeia, o colapso dos valores tradicionais, a descrença em um futuro/destino digno para a civilização ocidental e o questionamento da noção de progresso iluminista. Com isso, é negada a crença em valores absolutos no campo da ética, estética e no campo social. Como já apontado acima, o niilismo nietzschiano conduz a novos valores que devem ser afirmativos da vida e para além do bem e do mal, isto é,  para além da moral de rebanho.

NIILISMO NO FILME

Bem, o niilismo presente no filme pode ser explicitado em diversas passagens, mas vamos começar aqui com a seguinte frase proferida por Tyler Durden.

“Você só é livre pra fazer qualquer coisa depois que perder tudo”

Nesse sentido, há uma vontade consciente no filme de negação dos valores estabelecidos pela sociedade, bem como o consumo de suas bugigangas, aí também podemos encontrar críticas diretas ao sistema capitalista, já que o filme e livro são produzidos já no capitalismo plenamente desenvolvido. Em um nível ainda mais trágico: a negação do próprio eu, perder-se para encontrar-se.

“Eu deveria estar procurando por um novo apartamento, ou cuidando do seguro, eu deveria estar perturbado pelas merdas que perdi, mas não estava.” – Narrador sobre o incêndio em sua residência.

Segundo o pensador alemão, a sociedade está/estava doente: fomos obrigados a reprimir nossos instintos; eis o estado de mal-estar, no qual, nossas frustrações, raivas e ressentimentos devem ser sublimados, o que pode dar origem à doenças de cunho psicológicos/psiquiátricos (podemos achar isso em Freud também).

O Clube da luta, dessa forma, é a catarse materializada desse homem que na verdade parece louco por um sentido, mas não o sentido determinado pela sociedade e suas tradições.

“O clube da luta se tornou uma razão para cortar o cabelo curto ou aparar as unhas”

Nesse seguimento, há uma vontade de construir algo novo, e, de acordo com a linha argumentativa do romance e do filme: destruir para construir, tal como o conceito de Übermensch presente na obra de Nietzsche. O despir-se de sua identidade experimentada e perseguida pelo narrador interpretado por Edward Norton no filme é uma tentativa de superar o vazio existencial, tal como o Übermensch é a forma de superar o niilismo.

TYLER DURDEN COMO ÜBERMENSCH

Übermensch, traduzindo: é o super-homem, ou o além do home, há discussão acadêmica no que tange à tradução mais adequada, mas aqui iremos usar o “além do homem”.

O Além do homem ultrapassa a fronteira das tradições e dos ditos “bons costumes”, credo, classe, nacionalidade e a própria condição humana determinada pela sociedade, ele mantém uma superioridade em relação às convenções e proibições da vida social.

Eu vejo aqui os homens mais fortes e inteligentes. Vejo todo esse potencial desperdiçado. Que Droga! Uma geração inteira enchendo tanques de gasolina, servindo mesas, escravos de colarinhos brancos” – Tyler Durden.

Em uma outra fala de Tyler, no momento em que ele conhece o narrador:

“Sabia que se misturar gasolina e suco de laranja, pode fazer Napalm? Você pode construir todo o tipo de explosivo com material caseiro, SE TIVER INTERESSE“.

Isto é, a possibilidade de transvaloração/superação dos valores que sufocam o homem é possível, e isso é mais simples do que se pensa, se você não for mais um cordeiro no rebanho, ou mais um tijolo na parede. A simplicidade da matéria prima para a fabricação de explosivo é análoga à simplicidade de revoltar-se contra o sistema. Assim, o estágio “além do homem” precisaria apenas de um empurrão baseado na negação do eu formado e conformado.

“Eu passei por cima de todo mundo, sim, são marcas de lutas. Sim, estou confortável com isso. Eu estou iluminado.” – Quando o narrador vai embora do trabalho a pedido do seu chefe, descendo as escadas do escritório.

O além do homem é dotado de poder e consciência de sua força, eis o personagem Tyler Durden que consegue reunir todas as características almejadas pelo narrador.

O libertador que destruiu minha propriedade realinhou minha percepção.” – Quando policial liga contando sobre o incêndio criminoso e Tyler sussurra no ouvido do narrador.

POR FIM

É interessante notar que assim como a obra de Nietzsche foi apropriada certas vezes por movimentos totalitários/fascistas, no filme o projeto “libertário” Mayhem (destruição/caos) leva a elementos totalitários (dissolução do eu no coletivo, a ideia da causa acima das vontades individuais.

“Feito um macaco pronto pra ser mandado pro espaço. Macaco espacial. Pronto pra se sacrificar para uma causa maior” – Tyler para um soldado

Depois de enaltecer os soldados, que num momento anterior do filme eram apenas lutadores, ele inferioriza todos:

“Escutem, seus vermes, vocês não são especiais. Vocês não são uma beleza única. Vocês são a mesma matéria orgânica podre como todo mundo”

Daí em diante, até o final do filme, é perceptível uma certa decadência do projeto inicial do clube da luta expresso pela desconfiança que o narrador demonstra em relação aos feitos de Durden e seu exército, o que o levará à tentativa de desfazer os planos, ao mesmo tempo em que há tomada de consciência de que Durden nada mais é de que seu alter ego, seu Übermensch, que terá que ser sacrificado para que ele retome o controle de suas próprias ações.

Pra quem não sabe, esse filme foi filmado em 70mm (largura do filme). Normalmente, os filmes são filmados no estilo 35mm. Os filmes em 70mm funciona (sendo didática e direta) como uma foto panorâmica, isto é, há um retângulo mais comprido que o comum, o que permite colocar mais coisas dentro de um plano sem ter que tomar uma distância maior que poderia criar espaços negativos (o que não é o objeto principal, o que está ao redor, em termos fotográficos) não desejáveis.

Mas por que o Taranta fez isso num filme que se passa a maior parte do tempo dentro de uma taverna?

Porque ele quer que o espectador preste atenção em todos os personagens em cena, no que eles estão fazendo, onde estão, suas expressões. Isso contribui para a construção do clima paranóico do filme. Você está o tempo todo desconfiando dos personagens, então deve estar atento a eles.

No Brasil não temos como projetar em 70mm desde 1993, o que estraga nossa experiência cinematográfica com o filme, mas vemos tudo lá na cena: um closeup e duas pessoas ao fundo. As coisas estão lá!

Pra mim o melhor trabalho recente dele. Trilha linda (Ennio Morricone) diálogos maravilhosos, o cara é foda em roteiro mesmo, mas isso tudo já era sabido!

Uma curiosidade: as lentes utilizadas em hateful8 são as mesmas utilizadas em Ben-Hur (1959). Não o mesmo tipo, AS MESMAS!

Outros filmes em 70mm:
Ben Hur, 2001- Uma Odisseia no Espaço, Lawrence da Arábia.

1- Palma de Ouro (Palme D’Or): The Square – Ruben Öslund

2- Grande Prêmio do Júri (Grand Prix): 120 Beats Per Minute – Robin Campillo

3- Melhor Diretor: Sofia Coppola – The Beguiled

4- Melhor Ator: Joaquin Phoenix – You Were Never Really Here

5- Melhor Atriz: Diane Kruger – In the Fade

6- Prêmio do Júri: Loveless – Andrey Zvyagintsev

7- Melhor Roteiro: The Killing Of A Sacred Deer / You Were Never Really Here

8- Câmera de Ouro (Camera D’Or) Diretores estreantes: Jeune Femme – Léonor Sérraille

9- Melhor Curta-Metragem (Palma de Ouro): A Gentle Night – Qui Yang

10- Menção Honrosa em Curta-Metragem: Katto – Teppo Airaksinen

11- Olho de Ouro (Oeil d’Or ) Melhor Documentário: Visages, Villages – Agnès Varda

12- Prêmio do Júri Ecumênico: Radiance – Naomi Kawase

13- Prêmio Especial de 70º Aniversário: Nicole Kidman

Mostra Um Certo Olhar (Un Certain Regard) – Seção paralela de grande prestígio- filmes com linguagem mais experimental

1- Melhor Filme: A Man of Integrity, de Mohammad Rasoulof

2- Melhor Diretor: Taylor Sheridan – Wind River

3- Prêmio do Júri: April’s Daughter – Michel Franco

4- Melhor Performance: Jasmine Trinca – Fortunata

5- Prêmio para a Poesia no Cinema: Barbara – Mathieu Amalric

Semana da Crítica – Outra seção paralela de prestígio

1- Grande Prêmio: Makala – Emamanuel Gras

2- Prêmio Revelação: Gabriel e a Montanha – Fellipe Barbosa 

3- Prêmio Descoberta (Curta Metragem): Los Desheredados, de Laura Ferrés

4- Prêmio da Fundação Gan de Distribuição: Gabriel e a Montanha – Felipe Barbosa 

5- Prêmio SACD (Society of Dramatic Authors and Composers): Ava – Léa Mysius

6- Prêmio Canal+ de Curta-Metragem: The Best Fireworks Ever – Aleksandra Terpińska

Fonte: Adoro Cinema, Cinema em Cena.

 

Em contagem regressiva para a estreia da 7ª temporada (16/07), vamos começar um “Aquecimento GoT”.

Começaremos com um Top 10 dos melhores episódios da série. Contém spoilers por imagens.

A intenção aqui é toda semana postar algum conteúdo “GoT”. Lembrando que está para sair a segunda parte das curiosidades do Mundo de Gelo e Fogo. Seguindo a linha cronológica dos eventos do universo ficcional: Parte 2- A Longa Noite, Azor Ahai, A Chegada dos Ândalos.

Também teremos um compilado de frases fortes abrangendo todas as temporadas. Esses são os próximos conteúdos. Alguma sugestão para os seguintes?

Vamos aos 10?

10- The Children, SE04 E10 – Avaliação: 9.6

9- Blackwater, SE02 E09 – Avaliação: 9.7

8- The Laws of Gods and Men, SE04 E06 – Avaliação: 9.7

7- The Mountain and the Viper, SE04 E08 – Avaliação: 9.7

6. The Lion and The Rose, SE04 E02 – Avaliação: 9.7

5- The Door, SE06 E05 – Avaliação: 9.7

4- The Rains of Castamere, SE03 E09 – Avaliação: 9.9

3- Hardhome, SE05 E08 – Avaliação: 9.9

2- The Winds of Winter, SE06 E10 – Avaliação: 10.0

1- Battle of the Bastards, SE06 E09 – Avaliação: 10.0

 

O ator, famoso por interpretar James Bond por 7 vezes, morreu hoje (23/05) na Suíça. Roger vinha lutando contra um câncer. A família fez o comunicado pelo twitter.

Os filmes da série “007” interpretados por Roger Moore foram:

1- “Com 007 Viva e Deixe Morrer” (1973),

2- “007 Contra o Homem com a Pistola de Ouro” (1974),

3- “007 – O Espião Que Me Amava” (1977),

4- “007 Contra o Foguete da Morte” (1979),

5- “007 – Somente Para Seus Olhos” (1981),

6- “007 Contra Octopussy” (1983),

7- “007 – Na Mira dos Assassinos” (1985).

A ABC novamente está expandindo a franquia de Grey’s Anatomy.

Quatro anos após o fim de Private Practice, a rede confirmou um novo spin-off da série. Voltada para uma equipe de bombeiros de Seattle, a série será escrita por Stacy Mckee (Grey’s Anatomy, How to Get Away with Murder e Scandal).

O presidente da ABC, Channing Dungey, manifestou-se sobre:

“Ninguém consegue entrelaçar o perigo que os bombeiros enfrentam no trabalho com o drama em suas vidas pessoais tão bem quanto Shonda, e a Seattle de Grey’s Anatomy é o cenário perfeito para este spin-off emocionante.”

A série ainda não tem título, ou data definida para a estréia, mas deve chegar às telas em 2018.

Fonte: TV Line/IMDb

The Witcher não ficará limitado aos games e livros, a saga vai ser levada para as telas em formato de seriado. As obras de Andrzej Sapkowski, na verdade, serão adaptadas em forma de série exclusiva da Netflix, isso foi confirmado agora pouco.

Contudo, vale salientar que a história seguira os livros e não os jogos da CD Projekt Red.

“Estou muito empolgado que a Netflix vai fazer uma adaptação das minhas histórias, se mantendo fiel ao material de origem e aos temas que eu levei mais de trinta anos escrevendo.”

Isso será muito bom para o autor, pois apesar do enorme sucesso dos games de The Witcher, Sapkowski não recebe nada pelas vendas deles. Já no caso da série ele vai trabalhar diretamente em conjunto, agindo como consultor criativo. Outro grande nome que se junta à produção é o de Tomas Baginski, quem dirigiu as aberturas dos três games da série e também o fenomenal teaser para Cyberpunk 2077.

Ainda temos poucos dados sobre o elenco. Pela descrição inicial, pode ser que o protagonista não seja o Geralt, inclusive:

“As histórias de The Witcher seguem uma família não convencional que se une para lutar pela verdade em um mundo perigoso. Os personagens são originais, engraçados e nos surpreendem constantemente e nós não podemos esperar para trazê-los à vida na Netflix, o lar perfeito para contar histórias inovadoras.

Fonte: IGN

Apesar da série estar com os dias (episódios) contados rumo ao fim, parece que não iremos parar de falar dela tão cedo.

Será a primeira vez que a emissora estende o conteúdo de uma de suas produções.

No dia 4 de Maio, foi anunciado o planejamento de quatro spin-offs que estão sendo desenvolvidos pelos seguintes roteiristas: Max Borenstein (Kong: A ilha da Caveira), Jane Goldman (X-Men: Primeira Classe), Brian Helgeland (Los Angeles: Cidade Proibida), Carly Wray (Mad Men) e claro, com o apoio de George R.R. Martin. A produção executiva ficará por conta dos atuais criadores e produtores da série, David Benioff e D.B. Weiss.

Em comunicado a HBO disse:

“Weiss e Benioff continuam trabalhando para terminar a sétima temporada e já estão escrevendo e se preparando para a oitava e última temporada. Nós os mantivemos atualizados em nossos planos e eles serão anexados, juntamente com George R. R. Martin, como produtores executivos em todos os projetos. Nós iremos apoiá-los neste período em que terão férias mais do que merecidas da escrita sobre Westeros, assim que a temporada final estiver completa”

Não foram divulgadas muitas informações sobre o conteúdo das produções, apenas que irão “explorar diferentes períodos de tempo do rico e vasto universo”

Por fim, “Não há um cronograma definido para esses projetos vamos ceder o tempo necessário que estes escritores precisam e iremos avaliar as opções assim que os roteiros estiverem prontos”

Estamos ansiosos, claro! E claro que vocês têm palpites sobre as possíveis histórias! Arriscam? Apostam? Torcem por alguma? Contem pra gente!

Conhecido pelo uso do travelling 360 graus em “Marta”, foi indicado ao Oscar três vezes na categoria “Fotografia” por Os Bastidores da Notícia (1987); Os Fabulosos irmãos Baker (1989) e Gangues de Nova York (2002).

Firmou parceria com Martin Scorsese nos filmes Depois de Horas, A última Tentação de Cristo, Os Bons Companheiros, A Cor do Dinheiro, Gangues de Nova York e Os Infiltrados.

Também trabalhou com Francis Ford Coppola em Drácula de Bram Stoker.

Não foi especificada a causa da morte pelo seu agente.

 

 

A Chegada dos Primeiros Homens

 

Alguns alertas:

O objetivo aqui é realizar um resumo norteador para iniciantes ou para aqueles que estão apenas familiarizados com a série da HBO sobre as principais histórias/curiosidades do mundo de gelo e fogo que sejam pertinentes para um entendimento mais interessante sobre a saga literária e a série. (Respire… é assim mesmo a frase!).

Tendo em vista finalidades didáticas, os textos de curiosidades do Mundo de Gelo e Fogo, serão divididos em ordem cronológica de acordo com a história conhecida da presente literatura.

Neste primeiro texto, serão expostas curiosidades da Era da Aurora, situada dentro da História Antiga. Tais curiosidades serão apresentadas por meio da pergunta “Quem habitava Westeros antes da chegada dos Primeiros Homens?” e por dois eventos importantes: “A Chegada dos Primeiros Homens” e “O Pacto”.

É conveniente alertar que diversos detalhes apresentados no decorrer do texto possuem o caráter de lenda, dentro do que constituí “o saber” acerca da história do Mundo de Gelo e Fogo. Muitas dessas curiosidades são confirmadas como “verídicas” ao longo do avanço dos acontecimentos nos livros da saga “Crônicas de Gelo e Fogo” e durante as temporadas da série “Game of Thrones”.

As curiosidades não serão ligadas com eventos atuais da série. Optei por não fazer. Há três citações dos livros (spoilers) – mas vá adiante, amigo, só fomentará mais sua vontade de começar ou continuar com a série / livros. SIM, é spoiler! Melhor dizer que sim, já que tudo é spoiler hoje em dia! Rs

Também oportuno dizer que todas as datas descritas referem-se à Chegada dos Dragões em Westeros, salvo quando a data refere-se à Rebelião de Robert Baratheon, o que será expresso quando ocorrer.

 

O UNIVERSO FORJADO NA LITERATURA FANTÁSTICA

É costumeiro dentro do gênero “literatura fantástica” a criação de universos próprios com o intuito de respaldar a narrativa particular a ser desenvolvida. Isto é, o gênero em questão demanda um terreno específico a ser forjado, que leva em conta locações e culturas nas quais seus personagens e tramas serão desenvolvidos. É claro que, na maioria dos casos, são encontradas aspirações da História “real”, seja ela a História oficial ocidental e de outras civilizações conhecidas, como também, aspirações mitológicas de culturas singulares.

No caso do universo criado por George R.R. Martin, “nosso” bom velhinho que está com os presentes atrasados (deixem o hómi trabaiar), em “As Crônicas de Gelo e Fogo”- que deram vida à série televisiva “Game of Thrones”- é óbvio que a característica mencionada do gênero literário não fica em dívida (criação de universo). Antes de finalmente iniciar os pontos curiosos, cabe salientar que as informações contidas neste texto foram tiradas em grande parte do livro “O Mundo de Gelo e Fogo: A História Não Contada de Westeros”, uma espécie de enciclopédia lançada em Novembro de 2014.

 

OS PERÍODOS HISTÓRICOS DO MUNDO DE GELO E FOGO (1)

Assim como a narrativa da nossa história ocidental, no mundo de gelo e fogo também podemos dividir a história do “mundo conhecido” em eras ou fatos importantes que culminaram em mudanças paradigmáticas dentro do contexto da história. São os períodos:

 

  • A Era da Aurora
  • A Era dos Heróis
  • A invasão dos Ândalos
  • A Era de Valíria
  • Os Sete Reinos
  • Dinastia Targaryen
  • Dinastia Baratheon

 

História Antiga: o denominado recorte temporal História Antiga divide-se em duas eras (A Era da Aurora e a Era dos heróis) e sete ocorrências importantes (A Chegada dos Primeiros Homens, A Longa Noite, A Ascenção de Valíria, Os Filhos de Valíria, A Chegada dos Ândalos, Dez Mil navios, e, por fim, A perdição de Valíria).

A História Antiga, em especial a Era da Aurora, é pouco precisa em muitos acontecimentos. Isso devido à ausência de escrita tanto dos povos orientais, quanto dos habitantes nativos de Westeros. Não é conhecida a data da origem do mundo, estima-se que entre quinhentos mil e quarenta mil anos antes do período relatado “atual” nas “Crônicas de Gelo e Fogo. O que é sabido está contido em textos redigidos pelos Ândalos e outros povos posteriores à era. Afirma-se que os povos de todo o mundo, em geral, eram tribais e viviam diretamente da terra, sem o domínio da agropecuária ou metalurgia.

 

QUEM HABITAVA WESTEROS ANTES DA CHEGADA DOS PRIMEIROS HOMENS?

Certo que o termo Primeiros Homens será abordado de maneira mais cuidadosa logo adiante, é conveniente, agora, ainda que de forma bem breve, dizer quem são esses.

Os Primeiros Homens: como o próprio nome sugere, foram os primeiros homens a pisarem no continente Westerosi, tendo em mente que os nativos não eram o que poderia ser chamado de “homem”. Desembarcaram há mais de doze mil anos, sendo os Starks descendentes desse primeiro grupo.

Somente dois povos eram nativos de Westeros, desde a costa do Mar de Verão até As Terras de Sempre Inverno, durante o nebuloso intervalo de tempo denominado “Era da Aurora”: Os Filhos da Floresta e Os Gigantes.

Os filhos da floresta, ou crianças da floresta, são designados como “humanoides”. De pele escura e de uma beleza exótica, possuem baixa estatura, comparam-se à altura de uma criança humana. Apesar de não dominarem a arte da metalurgia, desenvolveram habilidades na utilização da obsidiana (vidro de dragão). Faziam arco e flecha e roupas de cascas e folhas de árvores. Suas músicas eram belas e assim é sabido através de fragmentos de composições que atravessaram séculos. Há até uma especulação sobre uma canção feita pelos filhos da floresta que narrava a suposta “Construção da Muralha por Brandon, o Construtor”.

Os Gigantes, também categorizados como humanoides, possuem cerca de três a quatro metros de altura, face achatada, visão rude devido ao globo ocular pequeno, providos de grandes braços com pernas menores que os membros superiores e sola do pé espessa. Desconheciam a agricultura, metalurgia e não construíam habitações (viviam em cavernas). São considerados mais primitivos que os filhos da floresta. Não possuem senhores ou líderes.

 

RELIGIÃO DOS FILHOS DA FLORESTA – A FÉ ANTIGA/DEUSES ANTIGOS

O mundo de gelo e fogo abarca inúmeras religiões, sendo elas manifestações de épocas e povos distintos. Exemplos: a fé antiga, a fé dos sete, o deus afogado, o deus vermelho (R´hllor), A fé dos Dothraki, o deus de muitas faces, entre outras.

Será falado em outros textos sobre essa maravilhosa temática!

A religião dos filhos assemelha-se, em muitos aspectos, às religiões animistas e célticas no que se refere à base de adoração dos “espíritos da natureza”.

Não há literatura normativa acerca da prática desta religião, nem a necessidade de líderes religiosos: a natureza basta. Nesse sentido, os deuses antigos são espíritos da natureza, não nomeados e não contados. A famosa figura do Represeiro, também denominado Árvore Coração, muito constante nos livros e na série, é a mais famosa manifestação/materialização da Fé Antiga.

Os represeiros devem ser entendidos como totem. Segundo o conceito, totem significa o mesmo que “símbolo sagrado” de um povo (tribo, clã), sendo considerada uma divindade protetora. Na história das crônicas, essas árvores de folhas vermelhas e troncos pálidos eram consideradas, pelos filhos da floresta, sagradas para os deuses, o que levou esse povo a esculpir faces em seus troncos. Sendo assim, os deuses podiam observar e protege-los. Portanto, tudo que era considerado importante era feito diante do represeiro, uma vez que era inadmissível mentir diante dos deuses. Na atualidade do mundo de gelo e fogo, os represeiros são encontrados no norte, e, mais ao sul, apenas na Ilha das Faces, tanto que é afirmado que no sul não há a proteção dos deuses antigos. Os deuses dos filhos das florestas seriam mais tarde os deuses dos Primeiros Homens.

 

Vidente Verde

Dentro da cultura peculiar e interessante deste povo nativo do ocidente primitivo, há a importante figura/habilidade do Vidente Verde. Esses eram os indivíduos detentores de aptidões mágicas (poder sobre a natureza, sonhos proféticos e viagem ao passado). Os videntes verdes enxergam através dos olhos dos represeiros, uma vez que as árvores não possuem a noção de tempo: aí nasce a possibilidade de viagem ao passado. Eis a Visão Verde e os Sonhos Verdes.

“Só um homem em mil nasce troca-peles – disse Lorde Brynden um dia, depois de Bran aprender a voar – e só um troca-peles em mil pode ser um vidente verde”. A Dança dos Dragões –  Capítulo 13, Bran.

 

Troca-Peles X Wargs

“Sob as árvores estavam todos os selvagens do mundo; corsários e gigantes, wargs e troca-peles, homens das montanhas, marinheiros do mar salgado”. A Tormenta de Espadas – Capítulo 55, Jon.

Com a passagem acima, percebe-se que Martin quis distinguir Troca-Peles de Wargs.

Troca-pele: A capacidade de um homem ou humanoide entrar na mente/corpo de qualquer animal. “Skinchanger” foi usado por Tolkien e Herman Hesse com significado parecido ao ocorrido nas Crônicas.

Warg: Na obra de Martin, que é o que nos interessa aqui, é uma variante de troca-peles. Aplica-se aos casos onde a habilidade consiste em entrar na mente/corpo de lobos. Sendo o lobo considerada uma criatura mais difícil, é necessário um vínculo entre o warg e o lobo. Desse modo, todo warg é um troca-peles, mas nem todo troca-peles é um warg.

“Eu sonho às vezes com uma árvore. Um represeiro, como aquele que há no bosque sagrado. Ele me chama. Os sonhos de lobo são melhores. Farejo coisas, e às vezes consigo sentir o gosto de sangue” A Fúria dos Reis – Capítulo 4, Bran.

No mundo real (rs), é uma figura mitológica nórdica. É um termo que remete aos lobos Fenrir, Skool e Haiti. Fenrir é filho de Angrboda, uma gigante, com Loki (um deus ou um gigante – há divergência entre os estudiosos da área, já que a categoria “semideus” não existe nesta mitologia).  No sueco contemporâneo “varg” é a tradução de lobo. Em norueguês antigo, “vargr” significa “lobo” e no alemão arcaico, igualmente, porém, é análogo aos significados de “assassino”, “estrangulador”, e “espírito maligno”.

Na literatura de J. R. R. Tolkien, warg é uma espécie de lobo singularmente feroz.

Um troca-peles ou um warg podem viver várias mortes através da vida de um animal. Em grosso modo, se o animal morre, o troca-peles ou warg não morre, mas, se ocorre o contrário, a consciência humana continua no animal “wargado”. Ambos podem entrar em animais enquanto estão dormindo na forma de sonhos.

O prólogo de “A Dança dos Dragões”, o POV (Point of View), é narrado por Varamyr, conhecido como Varamyr Seis peles, pois consegue entrar na pele de seis animais. Esse troca-pele é um membro do Povo Livre, ou seja, as pessoas que vivem além da muralha, os selvagens para os westerosis. No prólogo em questão, são postas três regras que não devem ser quebradas por troca-peles e wargs, são elas: 1- não comer carne humana; 2- não fazer sexo com outros animais; 3- não entrar no corpo de outro humano. Para entrar na mente de uma pessoa é mais difícil que entrar na mente de animais.

 

A CHEGADA DOS PRIMEIROS HOMENS

Conforme relatos da Cidadela, (sede educacional de Westeros, local para a formação de Meistres, situada em Vilavelha, precisamente nas terras da Campina – sudoeste do continente), entre doze e oito mil anos atrás, um povo originado do leste (Essos) cruzou a faixa de terra (braço de Dorne, que ainda não era partido) que atravessava o Mar Estreito e conectava os continentes.

Os primeiros homens eram mais fortes, numerosos e tecnicamente mais avançados que os filhos da floresta. Assim que invadiram Westeros, começaram a cortar os represeiros para a construção de fortes e iniciar a agricultura, o que culminou em uma guerra entre esses dois povos.

Os representantes caçadores e dançarinos dos filhos da floresta tornaram-se guerreiros com o intuito de barrar o avanço dos invasores. Porém, conta a lenda que, apesar disso, e, mesmo com a habilidade mágica dos nativos com seus esforços de convocar os animais para lutar na guerra, eles só conseguiram atrasar o avanço dos primeiros homens.

A guerra perdurou por gerações. Todos, já exaustos, convocaram seus líderes de guerra para selarem a paz, o que ficou registrado como O Pacto.

 

O PACTO

Há cerca de dez mil anos – lembrando que todas as datas aqui citadas referem-se à Chegada dos Dragões em Westeros – os filhos da floresta e os primeiros homens reuniram-se na região das Terras Fluviais, precisamente na ilha do Olho de Deus, situada em um lago próximo ao que ficaria conhecido como Harrenhal com o objetivo de dar fim à guerra. O pacto constituía na abdicação por parte dos nativos em favor dos primeiros homens de todas as terras do continente, com exceção das áreas de florestas densas; também foi acordado que cessasse a derrubada dos represeiros. Foram esculpidas faces em todos os represeiros da ilha, para que os deuses antigos pudessem testemunhar o acordo, o que levou o local a ser conhecido como Ilha das Faces, tornando-se um lugar sagrado e vigiado pela Ordem dos Homens Verdes. O pacto teve eficácia até a Invasão dos Ândalos, séculos mais tarde, isto é, perdurou por toda a era seguinte e pela Longa Noite.

Com o selar do pacto, chega ao fim A Era da Aurora, e inicia-se A Era dos Heróis.