Crítica | Círculo de Fogo: A Revolta

A ausência de Guillermo del Toro no roteiro e direção faz o longa deslizar feio.

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Quando Guillermo del Toro assume um projeto, as expectativas dos fãs são elevadas, afinal o diretor raramente deixa estúdios e produtores interferirem no seu trabalho. Por esta mesma razão, ele sempre perde algumas oportunidades em Hollywood.

Em Círculo de Fogo (Pacific Rim) lançado em 2013, as expectativas foram alcançadas. O filme tem tudo o que o espectadores querem ver quando se fala de monstros: batalhas épicas, aventura, e o frio na barriga de ver criaturas tão gigantescas em tela. Uma sequência é anunciada e o diretor mexicano aparece apenas como produtor. Eis que o sinal de alerta é tocado.

📷 Divulgação / Universal Pictures

Círculo de Fogo: A Revolta (Pacific Rim Uprising) é dirigido por Steven S. DeKnight (este é seu primeiro longa-metragem) e narram os eventos que acontecem dez anos após a grande guerra entre Kaijus e Jaegers. O planeta vive uma aparente harmonia, ainda que o lado marginal exista. E neste lado marginal vive Jake Pentecost (John Boyega), filho de Stacker Pentecost (Idris Elba), um promissor piloto que não segue os passos do pai e vive no mundo do crime. Quando uma ameaça desponta, ele é recrutado por sua irmã Mako (Rinko Kikuchi) para ajudar a salvar a Terra.

Tudo o que o público espera de um filme com essa premissa é muita porradaria entre gigantes, destruição e diversão. O grande pecado desta sequência é estabelecer novamente tudo o que já havia sido falado ou mostrado no primeiro filme. O longa apresenta um cara rebelde que precisa novamente ser recrutado, o público precisa aprender novamente que os jaegers são controlados principalmente por pessoas que tem equilibro emocional, e outra vez flashbacks de infância perturbam um personagem em momentos cruciais, neste caso a adolescente Amara Namani (Cailee Spaney), órfã com habilidades especiais que conhece de maneira autônoma o submundo dos jaergers piratas. Soa muito familiar, não é mesmo?

📷 Divulgação / Universal Pictures

A primeira parte do filme perde tempo demais com essa trama. O núcleo adolescente criado para estabelecer os novos pilotos não convence e os kaijus são mostrados de maneira muito escassa. Há diálogos caricatos, para não dizer muito ruins, que tentam dosar humor em momentos que obviamente não encaixam. Vale dizer que a maneira que o real vilão é apresentado é eficaz mas acontece tarde demais e quase de maneira piegas. A tal da revolta do título é confusa e sem muito a dizer. Fato é que inventaram subtramas demais.

Outro exagero é a parte técnica. Ela é competente mas desta vez parece que a poluição visual tomou conta das batalhas. Muita destruição, pouco entendimento em tela e a grandiosidade outrora vista, nem de longe, parece dar as caras.

📷 Divulgação / Universal Pictures

Círculo de Fogo: A Revolta, é um filme que em nada lembra seu antecessor, tem um roteiro absurdamente confuso, personagens descartáveis, poucas aparições das “estrelas” que são os kaijus, nem o carisma de John Boyega (Star Wars: Os Últimos Jedi) conseguiu angariar simpatia. Fica claro que haverá um terceiro episódio dado o encerramento convencional. Porém a pergunta que fica é: sem Guillermo del Toro a franquia Pacific Rim conseguirá sustentar-se? Este segundo episódio deixou dúvidas e preocupações de que futuros filmes sejam vistos apenas como um derivado de Transformers, e isso seria muito triste.

O  filme estreia nos cinemas brasileiros no dia 22 de março, produzido e distribuído pela Universal Pictures.

Assista ao trailer: