Crítica | Luzes no Céu: Fireworks

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Luzes no Céu será exibido hoje (20 de março) na Anime Night do Cinemark. Obra dirigida por Akiyuki Shinbo e Nobuyuki Takeuchi. Escrita por Shunji Iwai e Hitoshi Ône. Os dubladores principais são Suzu Hirose, Masaki Suda, Mamory Miyano, Takako Matsu. Nomes que não são conhecidos fora do círculo de aficionados por Anime.

📷 Divulgação

Sobre o filme

O filme é uma história de amor que tem como personagem principal Norimichi Shimada, um adolescente que vive em uma pequena cidade japonesa. Focado em mostrar os dissabores adolescentes dos personagens, a trama se prende nas pequenas nuances entre o personagem de Shimada, Azumi (seu melhor amigo) e Nazuna, uma garota que ambos estão apaixonados.

Azumi e Shimada formam uma dupla escolar típica, são uma espécie de líderes do seu grupo de amigos e amarram tudo com as brincadeiras entre si. A relação entre eles e  os amigos não apresenta nada de diferente. Nazuna é a menina reclusa e invisível da sala. Fechada em si mesma, ela é aquela personagem misteriosa capaz de cativar apenas os mais sensíveis entre os alunos.

Envolta em problemas particulares, Nazuna encontra um globo de vidro na praia onde vai para refletir. Esse objeto insere um elemento de fantasia na história, quando arremessado, é capaz de fazer com que o portador vá parar em uma outra versão da própria vida. Certamente, em algum momento da sua vida você se perguntou “e se tal coisa não tivesse acontecido?”, pois bem, a esfera de vidro transporta o personagem para um mundo paralelo, lá ele pode conhecer o que teria ou não acontecido.

Um jovem sensível, um amigo apaixonado pela mesma garota, uma menina com problemas particulares e um elemento de fantasia. Temos tudo necessário para uma boa história, pena que…

📷 Divulgação

O primeiro problema está nas animações. Eu não vou entrar no mérito do investimento ou tentar discutir à respeito da equipe técnica, vou apenas comentar o que eu vi na tela. Algumas animações simplesmente não funcionam. Falta fluidez, falta um cuidado extra com elas. O filme não é sempre assim, mas em diversos momentos você será arrancado da história graças a uma animação sem qualquer senso estético de movimento. É nítida a dificuldade da equipe técnica para tornar algumas cenas mais atraentes, um exemplo aparece logo no inicio do filme, quando os personagens estão andando de bicicleta.

Agora vamos falar sobre as escolhas dos diretores

Se um personagem está calado e contemplativo sobre alguma coisa dramática do filme, coisa essa que é reforçada por um close e pela trilha sonora, então isso funciona, torna aquela cena mais intensa, joga a força da cena lá no alto. Agora, quando esse recurso é repetido uma, duas, cinco vezes, aí realmente fica cansativo.

O diretores não souberam dosar o que era para ser intenso ou não no filme, chega um momento em que a impressão que dá é que era para ser tudo dramático. A repetição de cenas com a mesma intenção narrativa acaba cansando o expectador e tirando a força de todas elas.

Isso sem contar que em alguns momentos as escolhas estéticas dos diretores são de péssimo gosto. Uma cena que mistura elementos 3D e animação convencional quase me tirou da sala.

O roteiro apresenta problemas estruturais básicos. Coincidências que facilitam a narrativa tornam a história toda insossa. Em geral, o filme apresenta boas ideias, mas as soluções escolhidas pelos diretores acabou tirando todo o brilho. O resultado é uma história que não cativa.

A trilha sonora não apresenta problemas. Quem conhece o gênero está habituado com canções bonitas acompanhando cenas singelas e tocantes, e o filme conta com esse elemento e o faz bem, da primeira vez. O maior problema mais uma vez está na insistência em utilizar uma mesma ferramenta até a exaustão.

📷 Divulgação

O filme é repetitivo em todos os aspectos. O último ato é praticamente um looping de uma mensagem apresentada de 4 ou 5 jeitos diferentes. É um ato cansativo. São os diretores falando “hei, olhe para isso que intenso, e isso, e isso, ah! e mais isso, nossa, e isso…” então você começa a bocejar.

Por fim, Luzes no Céu é para convertidos. Se você é um aficionado por animações japonesas e gosta de conhecer vários filmes do gênero, então encontrará qualidades. Agora, se você for um expectador “convencional”, aconselho a deixar passar esse filme e esperar pelas próximas animações, pois, Luzes no Céu não apresenta nada novo ou cativante que vá te agradar na sala de cinema.

📷 Divulgação