Livro | Joyland | Stephen King

Lançado no Brasil em 2015, Joyland é um livro de suspense com toques de terror. Os personagens atuam como investigadores e a tensão é gradativa. Distante do horror de um Louca Obsessão ou das cenas frenéticas de um Novembro de 63, nesse livro, King trabalhou mais os aspectos psicológicos do seu personagem principal. Contudo, ainda é um livro de suspense e ainda é um livro do Stephen King.

A história se passa em um parque de diversões sazonal e na cidadezinha ao redor desse parque. Fonte de trabalho para jovens em período de férias, o parque tem o seu auge durante o verão, quando diversos adolescentes são atraídos pela grana extra.

David Jones é um desses jovens que foi contratado para trabalhar apenas pelo período de férias. Angustiado pela perda de um relacionamento recente, Jones usa o parque como válvula de escape para as suas frustrações.

Contudo, ao ser inserido na vida da comunidade ao redor do parque e receber elogios vindos do dono do lugar, Jones acaba criando um sentimento de pertencimento que faz com que ele fique apegado ao local. Assim, resolve ficar trabalhando pelo resto do ano, ou até que consiga decidir o que fazer da vida.

Stephen King é um autor que sabe transformar as questões comuns do cotidiano em matéria prima para personagens honestos e cheios de contradições. Jones é um pedacinho de cada um de nós, aquele pedacinho que sabe que algumas porradas da vida são doloridas para caramba.

Passando longe dos clichês e concentrado em uma boa trama, o autor desenvolveu bem os personagens secundários, de modo a inserir Jones e um mundo estranhamente familiar.

O cotidiano descrito pelo autor é muito palpável, é possível acreditar que a rotina de um parque seja daquela maneira – e o autor pede desculpas, caso ele tenha escrito alguma bobagem. A narrativa é contada com tanta confiança, que você cria um vínculo com aqueles personagens e suas tarefas. Você vira um colega de trabalho ali no parque de diversões. É o poder de um bom livro, fazer você testemunhar coisas incríveis apenas com as palavras.

A trama é direcionada em 2 caminhos. Em primeiro plano estão um assassinato e a busca, ou as lendas envolvendo, o assassino. Em segundo plano está o folclore em volta do fantasma da vítima. Os alicerces dessa trama são as dores da perda e a negação – presente no personagem principal e em uma personagem secundária.

King pega aqueles sentimentos que nós aprendemos a soterrar aos 17 anos e expõe tudo no papel. Cria diálogos francos sobre perder um namoro adolescente, fala claramente sobre a morte de uma pessoa querida e diz, sem passar a mão na cabeça, que está tudo bem, e que é normal sentir-se frustrado sobre os caminhos que a vida toma.

Se durante o livro King segurou todas as tensões e foi distribuindo elas gradativamente. O final é um Thriller de ação. O autor deixou todas as cenas potentes e dinâmicas para os momentos derradeiros da história. Prepare-se para chegar nos últimos capítulos e esquecer de comer, de conversar ou de responder o celular.

Um livro curto, com uma tradução bem agradável e leve – tanto em conteúdo, quanto fisicamente haha, fácil de levar daqui para lá e de lá para cá – Joyland é uma ótima escolha para todos aqueles que quiserem desligar as telinhas por 5 minutos.

Curtiu o livro? Gosta do autor? Deixa um comentário, Stephen King é sempre uma ótima fonte de discussões.

joyland, Stephen King


Vinicios Lombardi

Estudante de jornalismo, escrevo por compulsão e vejo filmes pelo mesmo motivo, às vezes é o contrário. Me arrisco em curtas metragens, até já me deixaram gritar "corta" e me chamaram de diretor em um set de filmagem, vai entender.

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