The End of The F***ing World – Despretensão gerando conteúdo

Sinopse: A série segue James, um jovem de 17 anos que acredita ser um psicopata e mata animais regularmente, e Alyssa, uma colega de classe rebelde que vê em James uma chance de escapar de sua vida doméstica tumultuada.

Baseada nos quadrinhos The End Of The Fucking World, de Charles S.Forsman, a série de mesmo nome lançada recentemente na plataforma de streaming Netflix, é carregada de uma abordagem um tanto quanto satírica, e conta com um formato característico do humor negro inglês, dotado de acidez, ironia, e, nesse caso em particular, uma perspectiva aprofundada em elementos do imaginário juvenil.

O grande triunfo da série nasce no fato de que a mesma é construída rodeada de despretensão, e não se propõe em momento algum em  se consolidar enquanto uma narrativa realística tão bem estruturada quanto termina sendo. O drama, que em alguns momentos é reduzido a uma percepção satírica, se desenvolve progressivamente pra culminar, graças ao roteiro, ao que seria na realidade algo muito próximo de uma trama digna de atenção das grandes corporações cinematográficas. Em alguns momentos remete a uma junção entre Bonnie e Clyde (1967), Assassinos por Natureza (1994), e Não sou eu, eu Juro (2008).

Com personagens muito bem desenvolvidos, o roteiro navega por temáticas como abuso, relações familiares conturbadas, impulsos juvenis, problematização por trás da sociedade de modo geral e da adultização da infância, promovendo uma trama bem consolidada, que mergulha e que perpassa tranquilamente de um jeito fluído e bem elaborado em todo um universo, sem trazer de fato o peso por trás de cada contexto. Um ponto alto do trabalho, é o poder da narrativa que é conferido a ambos os personagens, permitindo que eles interajam e exponham abertamente seus pensamentos ao público, em uma espécie de promoção contínua da quarta parede.

Despojada, com uma atmosfera cenográfica bem marcada com tons fortes, que é um tanto quanto característica das séries que mergulham nessa temática ~adolescente europeu~, como Skins, e com uma das trilhas sonoras mais incríveis que já puderam ser observadas em séries, The End of the F***in World é o tipo de série que é consumida quase instantaneamente: Basta se predispor a começar o primeiro episódio, que todo o resto flui com absoluta rapidez, você nem sente que acabou. A equipe do Cinerama já está ansioda pela próxima temporada!

 

 

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William Diniz

Um jovem estudante do cinema e de toda a sua complexidade, que se debruça diariamente diante daquilo que mais ama, e se entrega com eloquência a 7ª Arte. Aprendiz de cineasta, amante de uma profusão de diretores e pseudo cinéfilo.