O Bem Amado (filme) – Melhores Frases e Diálogos

O Bem Amado é um filme filme brasileiro de 2010, do gênero comédia dramática dirigido por, Guel Arraes com roteiro baseado na peça de teatro Odorico, o Bem-Amado ou Os Mistérios do Amor e da Morte, de Dias Gomes.

SINOPSE 

O filme conta a história do prefeito Odorico Paraguaçu, que tem como meta prioritária em sua administração na cidade de Sucupira a inauguração de um cemitério. De um lado é apoiado pelas irmãs Cajazeiras. Do outro, tem que lutar contra a forte oposição liderada por Vladmir, dono do jornaleco da cidade. Por falta de defunto, o prefeito nunca consegue realizar sua meta. Nem mesmo a chegada de Ernesto – um moribundo que não morre – e a contratação de Zeca Diabo, um cangaceiro matador, lhe proporcionam a realização do sonho. Odorico arma situações para que alguém morra, mas o primeiro corpo a ser sepultado em Sucupira será o do próprio prefeito, que de caçador se torna caça e passa de vilão à mártir.

FRASES

“Povo de Sucupira, meus conterrâneos, vim de branco pra ser mais claro.”;

“Eu sou homem de uma palavra só, não sou bivocabulário.”;

“Viva Odorico Paraguaçu! O homem mais gostoso de Sucupira.”;

“Eu não preciso de calmante, preciso de revoltante.”;

“É um indivíduo de duas caras, é um bifacial.”;

“Vai ter uma confabulância político-sigilista sobre as nossas candidaturas.”;

“É com a alma lavada e enxaguada que lhe recebo nesta humilde cidade.”;

“Esta obra entrará para os anais e menstruais de Sucupira e do país.”;

“Isto deve ser obra da esquerda comunista, marronzista e badernenta!”;

“Se eleito nas próximas eleições, meu primeiro ato como prefeito será o de cumprir o funéreo dever de mandar fazer o construimento do cemitério municipal.”;

“Vexame para o nosso prefeito, agora em estado de defuntice compulsória, ter que andar três léguas para ser enterrado.”;

“Quem é que pode viver em paz mormentemente sabendo que, depois de morto, defunto, vai ter que defuntar três léguas pra ser enterrado?”;

“Calunismos. Eu também sou meio socialista. Não da ponta esquerda… do meio de campo, caindo pra direita!”;

“Como diria o rei dos persas, Dario Peito de Aço, pra cada problemática tem uma solucionática. Se não disse, perdeu a oportunidade de ser citado por mim.”;

“Meu caro jornalista, isso me deixa bastantemente entristecido, com o coração afogado na daceptude e no desgosto. Numa hora em que eu procuro arrancar o azeite-de-dendê do estágio retaguardista do manufaturamento (…), me vêm com esse acusatório destabocado somentemente porque meia dúzia de baiacus apareceram mortos na praia.”;

“Vamos botar de lado os entretantos e partir para os finalmente.”;

“Pare com esse perguntório e essa cara de disenteria. Temos é que tratar dos providenciamentos inauguratícios do cemitério.”;

“Seu Dirceu, não fique aí com essa cara de seu-Malaquias-cadê-minha-farofa! Tome os providenciamentos necessários!”.

DIÁLOGOS 

Vladmir: Moral e política são duas coisas diferentes.

Neco: Que se completam!

Vladmir: Ninguém vence uma eleição dizendo só a verdade. Odorico vive mentindo para se manter no poder. Por que eu não posso falar uma mentirinha de vez em quando?

Neco: Porque é isso que nos diferencia dos nossos adversários.

Vladmir: O que nos diferencia dos nossos adversários é que eu minto por uma causa justa!

Neco: Nem tudo é permitido a um homem de bem, ainda que seja para defender uma causa justa!

Violeta: Pai, o senhor acha que a gente pode se apaixonar mais de uma vez na vida?

Odorico: O amor tal qualmente bananeira  dá um cacho só!

Violeta: Então, quando a gente se apaixona por alguém, deve ficar com essa pessoa.

Odorico: E se perdê-la (como aconteceu comigo), não deve se casar nunca mais.

Violeta: Pois devia!

Odorico: Você é a única companhia que ainda pretendo ter em minha vida.

Violeta: Mas eu posso me apaixonar e querer casar com alguém…

Odorico: Casar? Com quem?

Violeta: Vamos por parte… primeiro o senhor me diz o que acha da ideia, independente do noivo.

Odorico: AINDA É CEDO! Quando você se apaixonar por alguém, aí, a gente vê.

Violeta: Eu já me apaixonei.

Odorico: Por quem?

Violeta: Pelo Neco, meu pai. Eu estou namorando com ele.

Odorico: Nem que chova cabelo de sapo! Não quero você de namorinho com aquele elemento subversivo, esquerdizante da imprensa maldita!

Violeta: O senhor devia separar as coisas.

Dirceu: Vão dizer que a cidade está um caos, que o senhor enviou um milhão de cruzeiros do orçamento da prefeitura para construir esse cemitério.

Odorico: Um milhão e cem cruzeiros! Nosso partido tem direito a 10% de comissão para os gastos de campanha.

Dirceu: Caixa dois? Dr. Odorico, isso é totalmente irregular.

Odorico: Todo mundo faz. Minha eleição foi caríssima. O senhor quer que eu gaste do meu bolso?

Dirceu: Mas é dinheiro público, não podemos desviar para eleições.

Odorico: Como não? Sem eleições não há democracia. O senhor é contra a democracia?

Dirceu: O orçamento do cemitério já está apertadíssimo! Se desviarmos 10%… não concluímos as obras.

Odorico: Então veja um jeito de economizar nos materiais de construção e superfaturar.

Dirceu: Mas, Senhor Prefeito…

Odorico: Qual é o problema? Não vamos pegar mais dinheiro, só vamos evitar de gastar. É irregular também economizar dinheiro público?

 

Vladmir: Camarada, Zeca Diabo!!

Zeca Diabo: Me chame de Capitão.

Vladmir: ‘Camarada’ quer dizer que somos todos iguais…

Zeca Diabo: E “Capitão’ quer dizer que não!

Odorico: Quero que o senhor faça o levantamento da declaração de pagamento de imposto da Trombeta.

Dirceu: Podem nos acusar de perseguição política.

Odorico: Não vivem dizendo que eu esvaziei os cofres públicos? Pois vão nos ajudar a encher pagando os impostos atrasados.

Dirceu: Vão dizer que estamos querendo obstaculizar o livre exercício da imprensa.

Vladmir: Querem obstaculizar o livre exercício da imprensa!

Neco: Mas se você não pagar a justiça fecha o jornal!

Vladmir: Odorico que tente, que eu continuo denunciando o dinheiro que ele rouba dos cofres públicos.

Neco: Mas sonegar imposto também não é roubo?!

Vladmir: É diferente: Odorico rouba em benefício próprio, eu sonego impostos para combater os que como ele roubam do povo.

Dirceu: A oposição acaba de entrar com o pedido de impeachment contra o senhor.

Odorico: Esses comunistas não vão conseguir cassar o meu mandato. Nós temos a maioria de vereadores na câmera.

Dirceu: Não, agora estamos empatados. Os vereadores governistas agora estão passando para oposição, para não afundar com o senhor.

Odorico: Traidores, ingratos!

Dirceu: O senhor tem que ir lá na Assembléia se defender…

Odorico: Para ser vaiado? Bem se vê que o senhor não navega nos rodamoinhos e nos sobreventos da alta política. Providencie uma confabulância político-sigilista com Dr. Vladmir.

Violeta: Você não é contra a moral burguesa?

Neco: Eu não quero ficar com a fama de ter lhe desencaminhado

Violeta: Não vai ficar… eu já fui desencaminhada.

Neco: Você não é mais virgem?

Violeta: Isso não é mais moda na capital…

Neco: Mas aqui ainda é.

Violeta: Está deixando de ser!

Neco: Oxe, fale por você!

Violeta: O que que foi?

Neco: Eu não acho certo isso que você tá querendo fazer.

Violeta: Você nunca ouviu falar da revolução sexual?

Neco: Isso é coisa de filhinho a burguesia!

Violeta: Você tá com raiva de mim porque eu não sou mais virgem.

Neco: Não posso dizer que tenha sido uma grande contribuição ao meu amor por você.

Violeta: Você não queria dormir comigo porque eu era virgem, agora, não quer casar porque eu deixei de ser?!

Neco: Eu não queria bulir contigo pra tu casar virgem.

Violeta: Tarde demais!

Neco: Oxe…

 

ANÁLISE

A obra de Dias Gomes já havia sido transformada em novela, minissérie e peça teatral. Ao chegar às telas cinematográficas, a história busca se resumir e se atualizar, sem superar ou negar as versões anteriores.

A narração da comédia faz alusão à história política brasileira. Odorico assume o cargo na mesma data que o presidente Jânio Quadros.
De início, já observamos alguns fatores que nos dão direcionamento ao que o filme vai abordar: administração pública, ideologias (direita e esquerda), manipulação midiática, discussões filosóficas, cultura, costumes, paixão etc.

A trama traz aos espectadores a explicação sobre como a história de Odorico teria influenciado o golpe e a ditadura civil-militar que se instalou no país, em 1964.

Seu maior personagem é o Odorico, ele é a caricatura do político brasileiro. Odorico mantém romance secreto com 3 irmãs, elas vão sempre ao seu gabinete, transformam a prefeitura em um palco de libertinagem.

Tudo acontece na cidade de Sucupira, mas com o desfecho da história, fazemos uma analogia mais ampla. A vergonha e a indignação que o povo de Sucupira sofre, são as mesmas que todo brasileiro passa diariamente. A política brasileira tem sido vista não só no Brasil, mas no exterior, como uma piada. Alguns anos atrás, países do oriente fizeram vídeos satirizando os candidatos a vereador do Brasil. Os Três Poderes, no Brasil, é de fato uma vergonha nacional; e o Poder Executivo vem se destacando por sua falta de ética e moral. Com a ajuda da modernização dos veículos de comunicação, o Brasil virou chacota dos estrangeiros.

O personagem de Odorico foi criado com base nas figuras políticas dos anos 60, mas como podemos observar, os políticos atuais não são muito diferentes. Os comícios, as promessas, os jingles, os gestos, as ofensas, tudo parece, não por acaso, familiar ao espectador. Os discursos verborrágicos característicos do personagem, com neologismos exagerados e alto poder de enrolação, trazem ao filme sua carga mais cômica. O secretário Dirceu Borboleta e as “Cajazeiras”, complementam o quadro satírico.
Vladimir de Castro, por sua vez, é uma oposição não menos corrompida e criticada pelo filme. Dirigente do jornal “A Trombeta”, o jornalista e candidato concorrente mostra a princípio um discurso progressista. Aos poucos, seu comportamento vai mostrando que ele não é tão diferente de Odorico.

Pode-se criticar o filme de Guel Arraes, entre outros motivos, por seus momentos cartunescos e exageros nos diálogos e montagens (minha crítica, neste ponto, é positiva). Isso se explica ao considerarmos o filme como uma caricatura do Brasil e de sua falsa democracia. Uma “democracia” onde, como diz o personagem de Vladimir, “ninguém vence eleição dizendo a verdade”.
Talvez este seja o maior mérito do filme. Mostrar como funciona o jogo viciado das eleições, que favorece notórios picaretas e antigos corruptos envolvidos em famosas maracutaias.

ELENCO 

Marco Nanini – Odorico Paraguaçu
José Wilker – Zeca Diabo
Maria Flor – Violeta Paraguaçu
Caio Blat –  Neco Pedreira
Andréa Beltrão – Dulcinéia Cajazeira
Drica Moraes –  Judicéia  Cajazeira
Zezé Polessa – Dorotéia Cajazeira
Matheus Nachtergaele – Dirceu Borboleta
Bruno Garcia – Ernesto
Tonico Pereira – Vladmir
Edmilson Barros – Chico Moleza

TRILHA SONORA 

  1. Essa Terra – Caetano Veloso
  2. A Vida É Ruim – Zélia Ducan
  3. Carcará – Zé Ramalho
  4. Nossa Canção – Mallu Magalhães
  5. Jingle do Odorico – Nina
  6. Boggie Sem Nome – Bob Galo
  7. Chacha das Cajazeiras
  8. Cajazeira Tentação
  9. A Bandeira do Meu Partido – Jorge Mautner
  10. A Vida É Ruim – instrumental

 

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Paula Priscila de Melo Barbosa

24 anos; De JP/CG-PB com o ❤ no RJ; Estudante de Direito; Pesquisadora e apaixonada por Chico Buarque, Tom Jobim e Nelson Rodrigues. "A arte é o desencadear da nossa dor. Tanto para quem faz, quanto para quem contempla" — sim, essa citação é minha!

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