5 filmes “baseados em fatos reais” que mentiram pra você

0
2794
Anúncio Publicitário

É difícil achar alguém que não goste de filmes baseados em histórias reais. Seja pelo potencial de dramatização dos fatos ou pelo sentimento de visceralidade que a noção de realidade nos transmite, parece que todos adoramos filmes que retratam acontecimentos verdadeiros.

"O Último Rei da Escócia"
“O Último Rei da Escócia”

Acontece que muitas vezes o que vemos em um filme não é exatamente o que aconteceu na vida real. Distorções, adaptações para encaixar melhor à linguagem cinematográfica ou até mesmo mentiras. Hoje você vai descobrir que esses cinco filmes “baseados em fatos reais” não foram totalmente honestos com você.

5 – Fargo

A comédia negra dos irmãos Coen é muito cultuada, até os dias de hoje por seu sarcasmo e perspicácia. No começo do filme vemos uma mensagem que diz “Essa é uma história real. Todos os eventos retratados nesse filme aconteceram em Minnesota, em 1987”.

"Essa é uma história real..."
“Essa é uma história real…”

Acontece que em 1996, quando o filme foi lançado, a internet já tinha começado a se popularizar. Então alguns críticos resolveram checar a história por trás do filme, e adivinha o que eles descobriram? Isso mesmo, NADA do que nos foi mostrado aconteceu de verdade. Nenhum marido falido planejou o sequestro da esposa, nenhuma policial grávida cuidou do caso e muito menos uma mala cheia de dinheiro foi enterrada na neve (Diz-se que a mala foi procurada de verdade por algumas pessoas e isso acabou inspirando outro filme, Kumiko, a Caçadora de Tesouros). Os irmãos mantiveram a palavra, reafirmando que a história era real durante a divulgação do filme. Em março de 1996 Joel Coen disse em uma entrevista que eles queriam tentar algo com uma história real, depois dizendo que “o roteiro é muito próximo dos verdadeiros eventos”.

Ainda há quem defenda a existência da mala.
Ainda há quem defenda a existência da mala.

No entando, Ethan revelou no roteiro publicado do filme que a obra tenta ser caseira e exótica, “fingindo ser verdade”. A justificativa, de acordo com os diretores é que a liberdade criativa dos dois era muito maior se o público acreditasse na história, os permitindo brincar com o absurdo. Ok, estão perdoados.

4 – Titanic

Embora exista um filme de 1958 chamado “Somente Deus por Testemunha” que também retrata o naufrágio do transatlântico, vamos focar no filme de 1997 dirigido por James Cameron: Titanic. Algumas liberdades foram tomadas em relação à tragédia de 1912 que matou mais de 1.500 pessoas. A mais famosa é o jovem casal, Rose e Jack, que é puramente fictício (me desculpa por acabar com seus sonhos).

Foi mal mesmo
Foi mal mesmo 🙁

Uma das imagens mais marcantes do filme é a banda do navio tocando o hino “Mais perto, meu Deus, de ti” durante o naufrágio, para acalmar as pessoas. Isso de fato aconteceu e os músicos foram homenageados na capa do jornal Daily Mirror de 20 de Abril. Nenhum deles sobreviveu, porém, não se sabe como morreram, já que de acordo com Simon McCallum, curador do arquivo do British Film Institute “O passageiro que relatou ter ouvido o hino sendo tocado deixou o navio muito antes do naufrágio.”

"Senhores, foi um prazer tocar com vocês"
“Senhores, foi um prazer tocar com vocês”

Outra imprecisão do filme é o status de herói atribuído ao capitão Smith, que supostamente ignorou os avisos sobre gelo na rota e não reduziu a velocidade da embarcação. Paul Louden-Brown, da Sociedade Histórica do Titanic, foi consultor de James Cameron durante as gravações do filme e disse “Ele sabia quantos passageiros e quantos espaços havia em cada bote salva-vidas e permitiu que eles fossem lançados ao mar com apenas metade da capacidade preenchida”. Além disso, o empresário J. Bruce Ismay foi retratado (mais uma vez) como vilão, tendo passado à frente de mulheres e crianças para embarcar nos botes salva-vidas, quando na verdade, de acordo com o líder do inquérito britânico sobre o Titanic, Lord Mersey, Bruce ajudou muitos passageiros antes de ele mesmo se salvar em um dos botes.

ismay-turns-back
O J. Bruce Ismay de James Cameron

3 – O Último Rei da Escócia

Esse é um caso curioso. O filme foi baseado em um livro de mesmo título, lançado oito anos antes, e conta a história de um jovem escocês, Nicholas Garrigan, que após se formar em medicina se muda para a Uganda, cujo governo está sofrendo um golpe militar e sendo assumido por Idi Amin. Por acaso, Nicholas acaba socorrendo o ditador depois de um acidente de carro e se tornando seu médico particular.

À esquerda, James McAvoy como Nicholas Garrigan e no centro, Forest Whitaker como Idi Amin.
À esquerda, James McAvoy como Nicholas Garrigan e no centro, Forest Whitaker como Idi Amin.

O cerne do filme é real; Idi Amin realmente existiu e cometeu até mais atrocidades do que nos é mostrado pelo longa, porém, Nicholas não. O personagem que move a trama foi vagamente baseado em Bob Astles, um aventureiro inglês que trabalhou para Amin enquanto administrava uma fazenda de abacaxis e um serviço de aviação. O premiado filme é constantemente acusado de ser desonesto, já que usa os eventos verdadeiros até onde lhe é conveniente, para criar uma experiência de entretenimento ao público dos países desenvolvidos, amenizando o sofrimento das pessoas daquela época e nunca se aprofundando em questões políticas.

Idi Amin e Bob Astles
Idi Amin e Bob Astles

 

2 – Sniper Americano

Aos 84 anos Clint Eastwood dirigiu este longa, que tecnicamente é quase impecável, mas cuja história é pura propaganda militar. O contexto que torna esse filme tão controverso é o das guerras no Iraque, já enraizadas na cultura norte-americana.

Bradley Cooper como Chris Kyle
Bradley Cooper como Chris Kyle

Aqui vemos uma “biografia” de Chris Kyle, o mais letal atirador de elite da história do exército americano. Acontece que tentam nos fazer acreditar que o conflito no Iraque foi desencadeada pelos ataques de 11 de setembro, ignorando completamente a ilegalidade da real motivação dos Estados Unidos naquela época: Petróleo. São criados vilões que jamais existiram para reforçar a ideia de que todas as pessoas naquela região eram “selvagens” (palava usada na vida real por Kyle para descrevê-los) além da uma glamourização excessiva nas ações do soldado, que fazem com que o filme destoe, quase completamente, da realidade.

1 – À Procura da Felicidade

Você conhece e você adora. A história do empresário americano Chris Gardner ficou famosa nas mãos do diretor Gabriele Muccino e sensibilizou espectadores ao redor do mundo. De todos os filmes na lista, esse é provavelmente o mais fiel aos fatos em que é baseado. Ele de fato teve que dormir com seu filho em um banheiro, também falou com o homem na Ferrari e traiu sua mulher. Pera, o que? Sim, na realidade Chris Gardner traiu sua primeira esposa, Sherry, com quem mantinha um relacionamento à distância, com Jackie, que deu a luz ao seu filho.

Will Smith em sua tocante interpretação de Chris Gardner
Will Smith em sua tocante interpretação de Chris Gardner

Outro aspecto marcante do filme é a relação de Chris com as máquinas de escaneamento de ossos, que quase o levam à falência, algo que não aconteceu exatamente assim. Ele trabalhou com vendas de suprimentos médicos, mas jamais acabou com suas economias comprando os tais aparelhos de escaneamento. Por fim, há uma cena em que, numa viagem de Taxi, Chris ganha a atenção de um executivo da Dean Writter resolvendo seu cubo mágico, um feito que o motiva a conseguir uma entrevista para Chris no programa de treinamento da empresa. Na vida real, porém, ele fez amizade com um corretor chamado Marty, que o ajudou. O cubo foi apenas um elemento fictício colocado no filme pelo roteirista Steven Conrad. https://www.youtube.com/watch?v=V8Dm3OfSn4w   Breve bônus: O Regresso No filme, Hugh Glass tem seu filho morto por John Fitzgerald, que também o tortura e o deixa para morrer. O filho de Glass jamais existiu e ele sequer foi torturado.

Leonardo DiCaprio como Hugh Glass
Leonardo DiCaprio como Hugh Glass

Outra licença poética do filme é o desejo de vingança, que na realidade Hugh jamais teve. Ele percorreu as 80 milhas em 6 semanas, sim, mas perdoou os dois homens (Fitzgerald e Jim Bridger) que o deixaram para trás.   Esses foram 5 dos filmes que não foram totalmente honestos com você, leitor(a). Sempre atente-se ao assistir a um filme que se diz baseado em eventos reais e se souber de algum outro, comente aí embaixo. Bons filmes!