Dirigido por Christopher B. Landon, o filme com data de estréia para o dia 12 de Outubro no Brasil, é uma obra que correlaciona concepções características de clichês, a um roteiro que prova pouco a pouco que apesar de não ser excelente, é suficiente para afastar o mesmo do espaço comum que seria esperado.

O enredo do filme se passa em um mundo atual, abertamente demarcado numa realidade típica de universidades americanas, no qual a personagem principal, Tree Gelbman, é apresentada como um arquétipo idealizado da tão conhecida figura da menina popular, mimada, e almejada por todos. O desenvolvimento da trama se dá no dia do seu aniversário, quando a mesma se mostra resguardada quanto a essa data, e opta por levar a situação com regularidade, sem divulgar abertamente para ninguém o que o dia de fato representa.

Até esse ponto, não existe nenhum elemento que quebre a logística base que fomenta a noção de clichê, o que gera um pouco de angústia da decisão, principalmente porque o ponto de partida da história acaba se mostrando muito interessante, mas pouco trabalhado em relação ao crescimento da personagem.


Ao final do dia, a personagem é misteriosamente assassinada por uma figura mascarada, muito habitual em filmes de terror slasher, que basicamente é o estilo de terror que conta como premissa básica em vários trabalhos, a existência de um serial killer que utiliza máscaras/fantasias.
Ao assassino, por sinal, não foi atribuído nenhum grande valor no roteiro, haja visto que seu semblante só é evidenciado no final, e a motivação primária para a realização do ato é completamente aleatória, sendo obviamente criada para cumprir o papel de atribuir mais dinâmica a história.

As coisas começam a ficar mais interessantes a partir da morte da personagem, quando por algum motivo (não explicado no filme), a mesma termina por aparecer novamente em sua cama, no exato dia do aniversário dela, com memórias muito recorrentes de tudo que iria vir a acontecer, sem entender ao certo se aquela experiência havia sido fruto de um sonho ou não.
Com o passar do tempo, o roteiro não mais esconde da personagem nem do público que ela se encontra aprisionada em um único dia, sendo fadada a vivenciar o mesmo durante uma quantidade infinita de vezes, sem conseguir concluir o propósito desse fenômeno.

O decorrer do filme se delimita basicamente a um compilado de possibilidades e atitudes tomadas por Tree Gelbman para tentar acabar com o pesadelo que está vivendo, confinada em um universo de repetição e de dor (uma vez que ela é assassinada de diferentes modos em todos os dias).
O roteiro comete alguns deslizes ao se projetar de modo muito superficial, ainda que termine por conferir a personagem elementos mais humanizados, mas que ainda que bem apontados, não servem para solidificar uma noção mais intimista da psiquê da mesma, inclusive porque esse trato voltado para a resolução do problema, indiretamente remodela a linearidade do filme, o que termina por aumentar o seu teor cômico e diminuir a parte trágica.

Construído sobre uma atmosfera que oscila entre a comédia e o terror, não fosse a abordagem pioneira da temática, o filme cairia fatalmente no mesmo contexto em que filmes de paródia caem, justamente por se predispor ao risco de tratar gêneros tão fortes, o que naturalmente pode tender a conferir a obra uma percepção muito estereotipada.
Em relação a atuação, não existe nada que possa ser precisamente apontado como negativo ou positivo, mas isso se dá porque o enredo não foi permissivo com os atores na hora de lhes conceder um roteiro mais forte, e que demandasse mais dos mesmos.

Divertido, a obra está longe de ser um grande simbolo da produção audiovisual, mas cumpre o seu papel ao prender o telespectador diante da tela, ora angustiado, ora excitado tanto com as possibilidades, quanto com o desenrolar da história, que apesar de não ter sido o melhor possível, foi eficaz em relação ao encerramento, sobretudo por apresentar um desfecho leve, e culminar, de algum modo, no crescimento da personagem.

Um jovem estudante do cinema e de toda a sua complexidade, que se debruça diariamente diante daquilo que mais ama, e se entrega com eloquência a 7ª Arte. Aprendiz de cineasta, amante de uma profusão de diretores e pseudo cinéfilo.
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