Adolescência é a parte mais difícil da vida: Não sabemos quem somos, nem o que vamos ser. Não sabemos do que gostamos e muito menos do que não gostamos. Não sabemos o que é certo e o que é errado. É nessa complexidade que se desenvolve o filme “ Eu, Christiane F. – 13 anos, Drogada e Prostituída”. Na cidade de Berlim, nos anos 70, a adolescente Christiane (Natja Brunckhorst) é uma jovem comum que mora com a mãe e a irmã caçula. Ela sonha em conhecer a “Sound”, discoteca mais moderna e badalada do momento. Menor de idade, ela consegue entrar com a ajuda de uma amiga, conhece Detlev (Thomas Haustein) e começa a se aproximar das drogas. Primeiro álcool, depois maconha, calmantes, LSD, heroína. Imersa no submundo do vício, ela passa a prostituir-se.

É interessante notar o brilhante roteiro do filme, que desenvolve de maneira coesa as diversas fases da protagonista no mundo das drogas e prostituição. Motivada por uma paixão repentina, Cristiane F. começa apenas como uma inofensiva usuária de maconha, que rapidamente passa para o vício em cocaína, que leva ao vício em heroína, culminando catastroficamente na prostituição da garota para sustentar os diversos vícios próprios e do namorado.

Extremamente realista na sua abordagem, a obra definitivamente não é para todos os públicos. Somos inseridos numa Berlim Ocidental totalmente assolada pelas drogas e prostituição, e por isso, ver jovens se drogando em banheiros públicos e se prostituindo em estações de trem são cenários rotineiros na ambientação da trama. As manchetes de jornais mais parecem obituários, mostrando todos os dias novas notícias de pessoas mortas pelo consumo de drogas.

Principalmente no primeiro ato do filme, as referências ao lendário e falecido cantor e compositor David Bowie são várias, desde as roupas usadas pelas personagens, até cartazes colados nas paredes. Suas músicas embalam uma das cenas mais icônicas da projeção, além de fazer uma participação especial interpretando a si mesmo.

Não podemos deixar de destacar a brilhante atuação da jovem atriz Natja Brunckhorst. Observar sua deterioração física, que se reflete no olhar e na mudança de postura, é fascinante. Mesmo nas cenas mais difíceis, a jovem atriz consegue chocar com uma carga de realismo e entrega impressionantes, evidenciando as diversas facetas e dores de uma garota de 13 anos que se vê sozinha no mundo e encontra nas drogas uma maneira de mudar sua realidade.

“ Eu, Christiane F. – 13 anos, Drogada e Prostituída” se propõe em chocar e esfregar a realidade de maneira nua e crua na cara do espectador; E tem sucesso nessa proposta. São pouco mais de duas horas de uma história real que, mesmo depois de vários anos, continua sendo relevante e objeto de reflexões e debates.

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