O Estranho que nós Amamos – Original x Remake

Contém Spoilers!

Remakes são sempre perigosos as mudanças feitas podem alterar drasticamente a história dos originais. Semana passada estreou o tão esperado ”O Estranho que nós Amamos’’, que dirigido pela Sofia Coppola adapta o filme de 1971 estrelado pelo Clint Eastwood. O remake possui as marcas registradas de Sofia, e é uma boa adaptação que sofreu algumas mudanças que fariam muita diferença no resultado filme. Abaixou estão as maiores diferenças entre o remake e o filme original.

Miss Martha é mais humana

Talvez essa seja a mudança que mais fez diferença no filme pra mim, a Miss Martha do original, interpretada pela ótima Geraldine Page, era uma mulher sem coração, frustrada sexualmente e que vivia em uma relação incestuosa com seu falecido irmão. Ela dirigia a escola com mão de ferro e frieza indiscutível. Nicole Kidman fez um ótimo trabalho no papel, mas ela trouxe ao papel uma humanidade que caiu bem a Martha, uma mulher que quer proteger as meninas dos horrores do mundo real. O incesto e a frieza foram deixados de lado, mas a Miss Martha de Coppola ainda é uma personagem forte e memorável.

A Casa

A casa usada na versão de 2017 é a mesma usada por Beyoncé em diversos clipes. A Madewood Plantation House já foi usada em diversas produções. A mansão encarna perfeitamente o clima gótico sulista e opressor da história, o que contribuiu para a situação sufocante que as protagonistas se encontram. Diferente do filme original, onde a casa e a fazenda são apenas o cenário, a mansão usada do Coppola  ambientou a história de forma única.

Alicia

Alicia (Elle Fanning) é a versão de Carol (Jo Ann Harris) do novo filme. Desde o momento que o soldado pisa na mansão a garota tenta de todas as formas se atirar pra cima dele. No original, Carol era vingativa e possessiva com relação a McBurny. Elle Fanning traz uma atuação poderosa e ousada em sua Alicia que imprime super bem o teor da personagem, só que sem suas paranoias.

A cena da amputação

Sem dúvida o ápice do clássico é quando após uma confusão, Miss Martha decide amputar a perna de McBurny, e todas as garotas da casa a ajudam. No remake, a cena é cortada de forma brusca e o que era pra ser o ponto alto do filme se torna mais uma cena.

Ponto de vista

A versão de 1971 é contada pela perspectiva de John McBurny, então todos os acontecimentos o colocam numa posição de certa forma compreensível. No remake temos a história pelo ponto de vista das moradoras da mansão, onde podemos perceber (mais) que o soldado é aproveitador, chantagista e perigoso.

O estranho que nós amamos está em cartaz e traz no elenco Nicole Kidman, Kirsten Dunst, Elle Fanning e Collin Farrell.

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Gabriel Neves

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