O Círculo (The Circle), filme de 2017 do diretor James Ponsoldt, adaptado da obra literária de Dave Eggers, tendo no elenco Emma Watson, Tom Hanks, Ellar Coltrane, Bill Paxton e John Boyega é um longa sci-fi (ficção científica) que traz o questionamento sobre o papel e o espaço que a tecnologia junto às mídias sociais possuem na vida de cada um, bem como suas consequências. Mae (Emma Watson) é uma jovem que sonha em trabalhar na maior empresa de tecnologia do Vale do Silício, uma realidade totalmente inversa à sua vida simples e tranquila que tem junto aos seus pais. Quando consegue o emprego Mae passa a ser de um total desconhecida a uma figura pública, rodeada de amigos e afazeres que em grande parte significa não se desconectar quase em nenhum momento.

Com o decorrer de sua experiência a jovem percebe que existem muitos conflitos acontecendo com os membros da empresa, segredos que não estão sendo mostrados e com isso ela começa a se questionar sobre o programa. Percebe como tanta exposição acabou causando reações negativas com sua família e amigos, o que poderia também estar acontecendo com ou outros funcionários.

Se pararmos para analisar o quanto nossas vidas estão conectadas quase que integralmente com as inovações tecnológicas poderia ser mais fácil tentar explicar o quanto isso é altamente perigoso, não somente para o indivíduo em particular, mas para todos aqueles que já foram “infectados” por vícios os quais há alguns anos simplesmente não existiam. Qual seria a necessidade real por trás de tanto apego ao smartphone? Pode-se pensar que, da mesma forma que se tem os vícios por drogas legais e ilegais também há o vazio a ser preenchido com o constante deslizar de dedo na tela do celular, com os inseparáveis fones de ouvidos que abafam não somente todos os ruídos presentes na cidade, mas também inibe qualquer chance de aproximação daqueles que cruzarem seu caminho, ou ainda com jogos que te prometem passar o tempo durante um trajeto e outro feito diariamente. Tanta tecnologia nos foi oferecida com o intuito de melhorar e facilitar nossas tarefas diárias, mas a verdade é que esse fato não condiz com a realidade. Nos perdemos em meio a tantas novas formas de desenvolver atividades rotineiras, de passar o tempo ou de apenas viver. Tudo acabou de tornando tão descartável, imparcial e apático que nossa privacidade não possui valor algum, tudo está exposto, escancarado para todo verem, sendo nossos conhecidos, amigos ou não. A falsa ideia de proteção nos fez sermos reféns de nós mesmos. Essa crítica está presente no roteiro, mas os meios e situações em que aparece poderiam ser melhores desenvolvidos, da mesma forma que os personagens.

Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=yI_av33WY8k

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