“Vida” é competente, mas sem surpresas

Reunidos em uma estação espacial, seis astronautas de diferentes nacionalidades têm a função de estudar amostras coletadas no planeta Marte por um satélite. Dentre as amostras está uma pequenina forma de vida unicelular.

Despertada em laboratório, é celebrada como a primeira forma de vida extraterrestre coletada com sucesso para análise. O pequenino ser interage à sua maneira com reações que num primeiro momento se mostram inofensivas…e até “fofas”, o que logo faz com que ganhe status de “pet” espacial.

Batizado de “Calvin”, o ser se desenvolve rapidamente, ao mesmo tempo que muda seu comportamento…o que trará muitas surpresas.

A premissa é familiar, afinal o que não falta são filmes de sucesso nessa mesma linha, e justamente por isso, “Vida” tinha tudo para trazer frescor e novidade ao gênero…mas talvez tenha falhado nesse aspecto.

Jake Gylenhall como o doutor David Jordan

Um belo plano sequência de abertura situa o espectador junto ao longa, mas a calmaria espacial logo é abalada através do desenvolvimento rápido de “Calvin”.

A partir daí o filme assume o suspense como gênero, o que fragiliza um pouco o roteiro. Vertentes que poderiam ser mais exploradas acabam ficando de lado, como por exemplo a “humanidade” dos tripulantes, que acabam se tornando personagens rasos, sem muito conteúdo emocional. Temos por exemplo o personagem de Jake Gylenhall, que é um astronauta solitário prestes a quebrar o recorde de um humano vivendo no espaço, além de outras particularidades de cada personagem expostas e com potencial para serem desenvolvidas…mas isso acaba ficando cada vez menor ante a ascensão do estilo “gato e rato” que o filme pega para si.

Rebecca Ferguson como a doutora Miranda North

Porém…uma vez tendo assumido o papel de “filme de suspense”, até que o longa consegue se manter, prendendo o espectador de forma competente.

Com uma trilha sonora marcante e cenas um pouco clichês, mas eficientes, “Vida” em alguns momentos lembra “Gravidade”, além de outros sucessos semelhantes, tenta surpreender com um final inesperado, e se mantém dentro do lugar comum.

Não chega a ser um ótimo filme, mas também não é ruim.

Apaixonado por cinema e televisão. Espectador assíduo. Cinéfilo assumido.
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