A internet abriu espaço para todos opinarem e darem pontos de vista sobre todos os assuntos, e provavelmente o que mais gera polêmica é o consumo de proteína animal. E como levar isso para as telas sem ofender um lado ou outro? A Netflix firmou parceria com o excelente diretor sul coreano Bong Joon Ho (Expresso do Amanhã) para o projeto Okja.

Lucy Mirando (Tilda Swinton) apresenta ao mundo uma nova espécie, que segundo ela foi encontrada no Chile, denominada super-porco. Com isto decide enviar 26 animais ainda filhotes para viverem em lugares distintos, e em 10 anos promoverá um concurso para eleger o “melhor super porco”. Mikha (Seo-Hyun Ahn), a garota sul coreana que convive com Okja desde a infância fará tudo para proteger o animal sentindo o perigo iminente com a chegada da competição. A sinopse parece simples, mas com o desenvolvimento do roteiro a crueldade aliada aos interesses comerciais das corporações Mirando vão mostrar uma face muito mais brutal da história.

Bong Joon Ho sabe mesclar de maneira orquestrada os gêneros em um mesmo filme. Em Okja você vai encontrar aventura, ação, fantasia e drama sem nunca se perder na narrativa. Ele abre o filme com uma enxurrada de informações sobre os super-porcos e o consumo animal, a propaganda sempre muito bem feita pelas empresas que faz o consumidor adorá-los, e o frenesi causado por algo novo. No próximo corte você é literalmente transportado para outra realidade criando empatia imediata pela dupla protagonista: Mikha e Okja. O gigantesco animal é muito carismático e a amizade entre elas é muito tátil, você realmente acredita em tudo aquilo. Quando Okja é retirada da garota, os grandes acontecimentos começam: os planos de filmagem são expandidos, mais personagens aparecem, os cenários que outrora estavam apenas em uma floresta, agora estão no centro comercial de Seul e o ápice é a cidade de Nova Iorque.

O elenco de apoio é de peso porém nenhum com uma atuação marcante, isto devido ao roteiro. Paul DanoSteven Yeun e Lilly Collins vivem ativistas de proteção aos animais que ajudam a garota Mikha,  Jake Gyllenhaal é um biólogo/apresentador de TV sem muito o que dizer, na verdade fiquei em dúvida o que ele realmente queria e Gian Carlos Esposito (o eterno Gus Fring de Breaking Bad) é uma espécie de conselheiro de Lucy. O filme sem dúvida é da Tilda Swinton, que está excelente como sempre e a grande surpresa é a garota Seo.

Os efeitos visuais são excelentes, a começar pela Okja. O animal é muito bem construído com sombras, secreções, a textura da pele e dos pelos. E isto fica muito mais visível nas cenas com a garota Mikha.

O primeiro ato é ótimo, com ritmo alucinante. O segundo perde um pouco de energia e as cenas começam a ficar longas demais. E tudo volta aos trilhos no terceiro ato que é muito violento e as discussões sobre o consumo animal são jogados sem pudor na cara do espectador.

Okja é a porta de entrada do diretor para o grande mercado do cinema, pois esta foi a primeira vez que ele trabalhou com tantos atores renomados, com um orçamento maior e ainda assim não perdeu sua liberdade criativa. É um filme com duas protagonistas femininas muito fortes, com convicções e paixões diferentes porém com a mesma garra. E é um alerta para a humanidade repensar quão brutal é o mercado/consumo de animais. Será impossível não se emocionar com Okja e Mikha.

Depois de assistir, a decisão fica nas suas mãos: o que você fará?

Formado em produção audiovisual, fotógrafo, e me arrisco fazendo uns videoclipes musicais. Amante de cinema, defensor do cinema nacional e apreciador de uma cerveja gelada. Não gosto de fazer lista de diretores favoritos e sim de filmes: Trilogia do Anel, Cidade de Deus, Forrest Gump, O Rei Leão, O Menino e o Mundo... e por aí vai.
Loading Facebook Comments ...