Retrospectiva Indie 2016 – Parte 1

O ano de 2016 enfim acabou. Muitas coisas ruins aconteceram, muitas pessoas morreram, mas também muitos filmes estrearam. Claro que os blockbusters você já sabe quais foram, mas e aqueles patinhos feios, excluídos… Não tema, porque com o Oitavo Anão, defensor dos filmes indies e oprimidos, não há problema. Minha função hoje é fazer aquela retrospectiva de praxe lhes apresentando alguns filmes que você provavelmente perdeu e eu não me posso deixar que esse ultraje ocorra, outros, são só filmes que merecem aquela mençãozinha leve do tipo “Ah, teve esse filme aqui também, só como questão informativa mesmo”.

Novíssimo Testamento

Muita coisa pode ser dita desse ano que passou, mas filme bom não faltou, pode não ter passado no cinema perto da sua casa, na sua cidade ou no Brasil, mas que teve filme bom, isso teve. O ano então começou com o pé direito e O Novíssimo Testamento nos cinemas, filme belga que acabou concorrendo ao Oscar de melhor filme estrangeiro.
O filme conta a história de uma garotinha, filha de Deus, resolve fugir de casa após divulgar a data da morte de todas pessoas do mundo e escrever um novíssimo testamento. Uma fábula lindíssima, delicada, angelical que acaba convidando o público a levantar da cadeira e lutar por seus sonhos. Uma bela mensagem de início de ano.

Mais Forte Que Bombas

2016 foi o ano também que tivemos Isabelle Hupert até dizer chega, 4 filmes que eu consegui contar. Tivemos desde o super elogiado e premiado Elle de Paul Verhoeven até os menores independentes, mas não piores por isso, Louder than Bombs e O que está por vir. O primeiro que passou despercebido mesmo com ela no elenco junto com Gabriel Byrne e Jesse Eisenberg, mas que deixou sua marca no jovem ano de 2016. O filme com a temática clássica dos filmes independentes acompanha um jovem tentando viver após a morte de sua mãe. Digo temática clássica, porque os filmes independentes acabam sempre frisando na ideia dos sentimentos, emoções muito mais do que as falas ou grandes acontecimentos como é o caso desse filme e de outro filme de 2016 também, Ponto Zero.

Ponto Zero

Ano esse, em que muito se falou de Aquarius, mas Ponto Zero outro filme que merece ser visto por seus conterrâneos brasileiros. Ele também acompanha a vida de um garoto excluído da sociedade tentando fugir da sua vida que nada o agrada. O filme conta com uma excelente direção e técnicas de fotografia bem interessantes e engenhosas na hora de passar uma ideia sem precisar falar muito.

A Qualquer Custo

Hell or High Water, um dos filmes indie com maior arrecadação do ano que passou, trouxe uma história de faroeste moderno para os cinemas. Se você é fã de filmes como Onde os Fracos não tem Vez, Sicario, esse é o filme para você. História simples de um policial já velho (Jeff Bridges) que se recusa a se aposentar e 2 irmãos que “não estão ali pra roubar seu dinheiro, só o banco”. Você já ouviu isso antes, certo?! Então porque devo assistir?! Porque ele é um filme independente em sua essência, ou seja traz um respiro nessa indústria cada vez mais saturada e trazendo filmes de fórmula pronta. Hell or High Water consegue isso com atuações que se destacam, fotografia diferente do comum e ótima trilha sonora.

Eu não Sou um Serial Killer

Falando em filmes que trazem ideias novas, preciso falar de Eu não sou um Serial Killer. O filme está longe de ser um grande ganhador de prêmios, mas é um filme que traz os anos 80 em sua essência, seja na fotografia, no absurdo ou na temática. Por isso deixo essa dica aos nostálgicos, oitentistas ou órfãos de Stranger Things. O filme tem um plus a mais também por trazer no elenco Christopher Loyd e Max Records, o garoto de Onde Vivem os Monstros no papel principal.

Certas Mulheres

Quando falamos de filmes independentes, vamos muito além do fato de ter recebido investimentos ou não. Ser independente está no estilo, está no cerne, assim como quando falamos em indie rock por exemplo. Ser independente é ser subversivo, diferente, inovador, porém esses filmes acabam recorrendo quase sempre a um pequeno grupo de temas (não que isso seja ruim), como o faroeste moderno, a liberdade (carpe diem) e a vida como ela é. Certas Mulheres, outro filme que passou no festival do rio, é um daqueles que se encaixam nessa última categoria e que também se encaixam num espacinho abaixo do meu mamilo esquerdo, chamado coração. Poucos em Hollywood conseguem fazer a humanidade tão presente em uma tela de cinema quanto Richard Linklater e Kelly Reichardt (diretora desse filme). O filme conta a história de 3 mulheres em suas imperfeições, em suas realidades. Além disso, assim como Scorsese tem seu trunfo na manga seja com Harvey Keittel, depois Robert de Niro e agora Leonardo DiCaprio, Kelly (minha bff) tem como trunfo ninguém mais ninguém menos que Michelle Williams, uma das melhores atrizes da atualidade. Assim fica difícil competir também Kelly.

Um Cadáver Para Sobreviver

Swiss Army Man, também conhecido como Canivete Humano, foi uma grata surpresa do ano que passou. Um filme à la road movie e apesar da aparência de um filme bizarro, trash, toca em temas como auto conhecimento e aceitação. O filme que conta com as atuações absurdas de Daniel Radcliffe e Paul Brilhante Dano. Canivete Humano traz uma trilha sonora mágica e um argumento sobre se aceitar, se valorizar, colocar sua opinião na frente da opinião dos outros. Lembrando um pouco o incrível filme Her, no que diz respeito a solidão, mas com uma pegada mais nonsense.

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Gabriel Neves

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