Crítica | Um Lugar Silencioso

Com ideia original, "Um Lugar Silencioso" deixa o espectador inquieto e, acredite, é uma trama satisfatoriamente agonizante

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O diretor e produtor Michael Bay é conhecido pelo barulho, uma verdadeira sinfonia da destruição, como vista em na franquia Transformers e suas explosões e ferros retorcidos. Há também o estrondo da guerra mundial e destruição de Pearl Harbor, no fim do mundo em Armageddon e até mesmo no biográfico de guerra 13 Horas: Os Soldados Secretos de Benghazi, todos esses filmes, dirigidos por Bay, tem em sua semelhança o barulho e gravíssimos efeitos sonoros: Boom!.

No seu currículo como produtor, Bay e sua Platinum Dunes, produziu Sexta-Feira 13, Ouija: O Jogo dos Espíritos e a franquia Uma Noite de Crime, entre muitos filmes do gênero. Agora, o famoso cineasta vem com uma grande novidade: um filme onde o barulho não tem vez. Trata-se do novo lançamento da Paramount Pictures, o aclamadíssimo pela crítica, Um Lugar Silencioso, que estreia nesta quinta-feira, dia 05 de abril, em circuito nacional.

O longa-metragem narra a história de uma família que precisa se manter em total silêncio para sobreviver a uma ameaça que pode atacá-los, ao menor sinal de barulho. Para se comunicar, eles recorrem a linguagem de sinais e aos sussurros.

O diretor John Krasinski oferece uma incrível experiência agonizante ao espectador, onde os sustos não vêm dos estrondosos sons que Bay tão bem sabe realizar, mas dos sussurros e dos gestos, aqui a edição e mixagem de som, merecem todos os importantes prêmios e a atenção do espectador.

📷 Jonny Cournoyer / Paramount Pictures

Além de dirigir e atuar, Krasinski assume outra competente função no longa: é o colaborador do roteiro ao lado de Scott Beck e Bryan Woods. Que todos saibam, por não apresentar tantos diálogos como em qualquer bom filme, não significa que não seja um ótimo roteiro. A construção da trama é muito bem desenvolvida e, recorrendo a linguagem de sinais, traz comunicações interessantes.

John Krasinski atua ao lado da esposa, a atriz Emily Blunt, mas não pense que o critério adotado foi o nepotismo, muito pelo contrário, aqui impera o grande talento da atriz e, sem falsa modéstia, Krasinski, conhece a ótima desenvoltura da esposa. O que na tela, serviu para apimentar ainda mais a química do casal, apesar das circunstâncias em que vivem.

O elenco é enxuto e formado, em sua maioria, por crianças, filhos do casal. Mas que elenco! A emoção de uma família em lutar pela sobrevivência, em um cenário devastador e com criaturas malignas sensíveis ao som, mexe com o espectador que, tenso, vai torcer e se contorcer muito para que todos se salvem. As crianças estão incríveis.

Com uma técnica sonora magnífica, apesar do silêncio mortal, Um Lugar Silencioso não é uma produção cinematográfica qualquer. É, na realidade, uma experiência agonizante que testará a resistência do espectador. O cenário pós-apocalíptico e devastador, tem o objetivo certeiro de aterrorizar. É uma experiência dolorosa, porém entusiasmante. Michael Bay pode ter sentido muita falta da sua impactante zoada, mas ficou satisfeito com o resultado final. Ideia original e imperdível de se assistir na tela gigante com uma deliciosa pipoca caramelada ao azeite de oliva e refrigerante bem gelado.

Assista ao trailer: