Sugestão | “Mãe” – A polêmica alegoria de Darren Aronofsky

Mãe, o último trabalho do cineasta Darren Aronofsky te levará ao ódio ou ao amor imediato, mas jamais te deixará indiferente.

O americano Darren Aronofsky (Cisne Negro) é um cineasta diferenciado. Para o bem ou para o mal, seus filmes nunca passam por nenhum espectador sem levantar questionamentos, e nunca deixam ninguém indiferente. 

Seu último trabalho, intitulado de “Mãe!” talvez seja o mais crítico, questionador e polêmico filme realizado pelo diretor até agora. Antes de mais nada, é preciso atenção e dedicação por parte da platéia, para retirar as camadas superficiais do filme e enxergar além…caso contrário…o que se verá, será um desfile de cenas aleatórias e aparentemente sem sentido.

Tudo começa com um escritor (Javier Bardem) e sua jovem esposa (Jennifer Lawrence) confinados em uma casa. Ele tem bloqueio criativo, e busca uma inspiração para tocar seu novo projeto. Ela é uma típica “dona do lar” : tímida, servil, e vive para atender as necessidades do marido.

A paz do casal é interrompida com a chegada de um homem, que se diz fã do escritor. Logo adiante a esposa do tal homem também aparece…e a partir daí o que se vê é uma aflitiva invasão de desconhecidos na rotina do casal…que acaba já entregando algumas pistas para quem estiver atento.

Depois da confusão, os dois voltam a ficar sozinhos e tem um momento de paz. A esposa do escritor descobre estar grávida e a tão esperada inspiração vem à ele como um raio, o ajudando a conceber e concluir seu novo projeto literário.

Com o novo trabalho publicado…o casal volta a receber a visita de desconhecidos, também ditos fãs do trabalho do escritor. A multidão de pessoas se avoluma…e tudo vai caminhando numa crescente até se transformar numa cacofonia barulhenta e irritante.

Não é raro em alguns momentos do filme a sensação de perplexidade. Chega-se até a se pensar : “Mas…o que está acontecendo??!”
Com o caos instalado…o filme vai se aproximando de seu desfecho e se tornando auto explicativo.

Tudo está lá…basta se atentar.
O que parecia um desfile de cenas sem nexo ganha sentido num estalar de dedos…e deixa um rastro de queixos caídos em quem se propõe a entender a proposta.

É preciso registrar aqui que este não é um filme comercial, e também não é um filme fácil de se digerir ou compreender. O diretor usou um método um tanto curioso para criticar de forma voraz a sociedade e suas crenças, e justamente por este motivo foi amplamente criticado e solenemente ignorado em todas as premiações (menos o Framboesa de Ouro). 

“Mãe!” é em sua essência uma alegoria…uma crítica…religiosa e social…e mostra o quão inventiva e brilhante pode ser a mente de um diretor de cinema. Carrega a marca de Aronofsky, com toda certeza.

O projeto divide opiniões e gera as mais variadas reações, mas jamais passará desapercebido por quem o assistir. 

Trailer

Darren Aronofsky, Javier Bardem, Jennifer Lawrence, Mãe!, Paramount


Adriano Rezende

Apaixonado por cinema e televisão. Espectador assíduo. Cinéfilo assumido.

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