Crítica | A Freira

Filme da franquia Invocação do mal, dirigido por Corin Hardy, novamente traz às telas o terror tão bem trabalhado em um roteiro bem construído, cenas que oferecem medo e tensão, mas que também utiliza o alívio cômico ao longo dos acontecimentos. Em A Freira (2018) o objetivo da narrativa é explicar a origem da criatura das vizões de Lorraine Warren (Vera Farmiga), a qual sempre aparecia quando a investigadora paranormal estava em confronto com alguma força maligna.

(📷WARNERBROS)

Em uma parte isolada da Romênia há uma antiga abadia, envolvida por muitos mistérios e temida até pelos moradores da redondeza. Ali acontece o suicídio de uma freira enclaudurada, o que faz com que o Vaticano inicie um processo de investigação no local. Para isso, o padre Burke (Demián Bichir), experiente em casos de possessão maligna e eventos sobrenaturais é convocado para ir até a abadia, acompanhado pela noviça Irene (Taissa Farmiga) quem também possui uma ligação com o sobrenatural desde muito pequena. A princípio o padre não compreende o motivo por sua escolha, já que nunca havia sequer pisado naquele local, muito menos tido qualquer contato com as freiras que ali habitavam, e Irene (Farmiga) também não entende porque teria que acompanhar o padre nesta missão. Sem muitas respostas eles viajam até o vilarejo, encontrando com Frenchie (Jonas Bloquet), um jovem e carismático agricultor que oferece alimentos para a abadia há anos e o único a encontrar o corpo ainda pendurado da freira suicída. Como ele sabia o caminho para chegar até a abadia acompanha o padre e a noviça até lá. Durante o caminho o clima de tensão se faz presente, tanto nos diálogos entre eles sobre a relação entre os habitantes da região e a abadia como dos próprios recém chegados.

(📷WARNERBROS)

Como parte da investigação Irene (Farmiga) entra em contato com as freiras quase que instintamente, mas percebe que não conseguiria muitas informações sobre o ocorrido por causa do medo e do silêncio de todas. Em uma das únicas conversas que ela consegue lhe é contada a história do lugar, carregada de eventos sobrenaturais e macabros, fazendo com que se trace uma relação com o passado e com o presente. A noviça é envolvida neste mistério, tendo as mesmas vizões das outras freiras, sentindo a mesma criatura maligna a cercando, até que fugir já não é mais uma opção.

Fica claro que a única pessoa capaz de enfrentar a entidade e conseguir resolver tantos mistérios é Irene (Farmiga), auxiliada pelos outros. Isso pode ter afetado o roteiro quanto a velocidade em que os enigmas presentes são compreendidos por ela e pelo padre, muitas vezes apresentados de modo escancarado, não precisando de muito raciocínio.

Outro aspecto que pode ser um contraponto quanto ao nível de terror presente no longa é o fato de que a entidade, representada pela freira, aparece muito mais vezes do que precisaria. Mesmo que não diretamente, ela sempre esta presente nos enquadramentos ambientados na penumbra, ou atrás de quem esta buscando pelo barulho que ouviu, ou vagando pelos corredores. Essas aparições constantes afetam um dos principais propósitos do filme que é o de causar medo e pegar o público de surpresa. Da mesma forma que o alívio cômico também esta presente, ficando por conta de Frenchie (Bloquet), que usa seu medo para fazer a maioria de seus trocadilhos. O problema é que o excesso desses momentos durante o filme fez com que algumas cenas que não teriam qualquer graça caíssem nesse papel, novamente interferindo no andamento do que se é proposto.

No geral, os fãs da franquia poderão ficar satisfeitos com A Freira, mas a vontade de se ter um desenvolvimento maior tanto da história como das personagens permanecerá.

Assista ao trailer: 

A Freira, Corin Hardy, Demián Bichir, Invocação do Mal, Jonas Bloquet, Taissa Farmiga, Terror, The Conjuring, The Nun, Vera Farmiga


Júlia Tezza

Amante da literatura e da sétima arte.

  • cineramaclube
  • cineramaclube
  • cineramaclube
  • cineramaclube
  • cineramaclube
  • cineramaclube
  • cineramaclube
  • cineramaclube
  • cineramaclube
  • cineramaclube
"O cinema é um modo divino de contar a vida"
Federico Fellini

© 2018 Cinerama Clube.

Todos os direitos reservados.

[email protected]

Desenvolvido e Hospedado por Vedrak