Crítica | Paris 8

Paris 8 é o filme para quem gosta de Cinema Europeu e está acostumado com o seu ritmo incomum e as suas atuações diferenciadas.

O filme francês, dirigido por Jean Paul Civeyrac é indicado a todos os cinéfilos originais e dedicados.

Afirma-se isso sem qualquer sobra de autoindulgência, pois, por se tratar de um filme em preto e branco, e com um ritmo quase monótono e toda uma atmosfera de silêncio e contemplação, a experiência pode deixar a desejar para os públicos habituados ao cinema de Hollywood. 

Em Paris 8, os personagens discutem e se relacionam com situações filosóficas e socioculturais intensas. Toda a tensão da narrativa caminha através dos sub-textos e das trocas intelectuais entre os personagens.

Uma atmosfera bucólica e carregada mantém o filme com um ar sempre presente de angústia. Forçosamente, é possível dizer que o filme tem ares de sonho (ou pesadelo).

Não é uma grande produção, os atores demonstram interpretações sofríveis, contudo, esse não é o primeiro plano da narrativa. É preciso vencer a barreira inicial e mergulhar na realidade do filme para depois poder digerir as suas mensagens.

Um filme verdadeiramente para cinéfilos, daqueles que assistem aos filmes iranianos com um sorriso de orelha a orelha. Não estará presente nos grandes circuitos e em momento algum o diretor se preocupou em agradar ao grande público.

Suas mensagens intelectualizadas e os questionamentos levantados, além da visão crua sobre a realidade, torna o filme um tanto incômodo. Sem floreios, sem falsas promessas, uma vida de dores e escolhas aparece diante do personagem principal.

O presente texto não abordará detalhes sobre esse personagem, e isso é proposital. Você deve ver o filme e fazer um esforço para compreender as suas nuances, só assim conseguirá encontrar elementos de identificação com esse aluno de cinema, que protagoniza o filme.

Talvez essa produção seja uma ferramenta importante como porta de entrada aos grandes filmes de arte europeus. Sim, esse termo “filme de arte” gera infinitas discussões e não cabe aqui definir quem é ou quem não é filme de arte. Contudo, é inegável o distanciamento deste filme em relação a um filme de linguagem voltada ao público em geral.

Como dia final, apenas pode-se dizer que se o espectador já está acostumado com o cinema europeu. Já derrubou bons filmes do gênero e se sente pronto para dar um passo adiante nesse dialeto tão distante dos grandes centros. Certamente encontrará em Paris 8 qualidades e boas reflexões. Estréia no dia 17 de maio, com lançamento pela Cinearte Filmes.

Fica a dica.

Assista ao trailer:

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Vinicios Lombardi

Estudante de jornalismo, escrevo por compulsão e vejo filmes pelo mesmo motivo, às vezes é o contrário. Me arrisco em curtas metragens, até já me deixaram gritar "corta" e me chamaram de diretor em um set de filmagem, vai entender.