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O Cinema brasileiro passa por constante ressignificação. Já foi alvo de críticas por sua “nudez excessiva”, ou sua “mania de falar apenas da favela”. Todas essas críticas injustas e até preconceituosas. Hoje, para o olhar desatento, ele se divide entre Cinema de Arte e comédias besteirol. E qual é a grande questão em relação ao documentário Todos os Paulos do Mundo? É que, através da vida de Paulo José, ator com 60 anos de carreira, é possível criar uma narrativa sobre o cinema e a televisão brasileira e assim desenvolver um vinculo, uma autorreflexão, sobre o conteúdo, analisando o que significam e quem são as produções nacionais.

Paulo atuou em peças, novelas e lógico no Cinema. Entre as suas obras mais conhecidas – para as novas gerações – está o filme O Palhaço (com Selton Mello). Em Todos os Paulos do Mundo é possível acompanhar como o ator preparava as suas atuações e incorporava o seu personagem. 📷 Vitrine Filmes / Divulgação

Além disso, o filme transita por toda a evolução das produções nacionais, apresentando as suas transformações e reformulações. Pelos olhos e pela voz de Paulo, pode-se acompanhar o caminho que o cinema nacional percorreu até chegar aos aclamados filmes de hoje. Se algum dia o Brasil ganhar um Oscar – indiscutivelmente um prêmio de grande visibilidade – documentários como esse serão fundamentais para as gerações futuras aprenderem de onde vinheram e para onde irão.

O documentário é narrado por grandes nomes do Cinema e da Televisão – Fernanda Montenegro, Selton Mello, Matheus Nachtergaele – o texto foi escrito pelo próprio ator e as cenas foram retiradas de diversas produções e programas em que ele participou.

O ritmo do filme é lento e os textos apresentados possuem um carácter mais reflexivo do que narrativo, o resultado é um filme que possa não agradar a todos os públicos.

Uma dica: faça um esforço. Conhecer o Cinema brasileiro é mergulhar na identidade de um povo do qual você faz parte. Não adianta o espectador assistir a todos os filmes estrangeiros, ouvir as musicas gringas e consumir apenas mídia importada. Você ainda é brasileiro e conhecer as produções locais faz parte do processo de autorreconhecimento como um povo. 📷 Vitrine Filmes / Divulgação

O filosofia apresentada no texto está polida de toda autoindulgência, não se trata de reflexões vazias sobre temas sem sentido. O filme busca uma verdadeira conexão com o espectador, apresenta o ator sem vernizes, sem sobras ou contos ficcionais.

Paulo José interpreta o último personagem da sua vida, a si mesmo. E nas palavras do ator “interpretar é fácil, a vida real é que é difícil . Um pouco sobre quem somos.”

Filme obrigatório para todos àqueles que se dizem cinéfilos e para todos os outros que apoiam o Cinema nacional. Peça fundamental no processo de criação desse Brasil, e por que não, uma ferramenta para entender, não apenas o momento cultural, como também o social e o politico brasileiro. Filme denso, e como tal, cheio de ótimas lições e reflexões.

Todos os Paulos do Mundo, a historia de um grande ator. Um personagem fundamental criação artística nacional e um espelho para que todos aprendam a reinterpretar essa qualidade que se tem em comum, ser brasileiros.

Trailer oficial:

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Estudante de jornalismo, escrevo por compulsão e vejo filmes pelo mesmo motivo, às vezes é o contrário. Me arrisco em curtas metragens, até já me deixaram gritar "corta" e me chamaram de diretor em um set de filmagem, vai entender.