Crítica | Vingadores: Guerra Infinita

A frase “fazer história no cinema” pode ser interpretada de inúmeras maneiras. O filme pode ser muito ruim e ainda assim ser lembrado, ter uma bilheteria gigante mas não ser tão convincente, ou ainda ser muito premiado e não atingir o grande público.

Existe ainda, uma outra fórmula secreta de fazer história e esta somente a Disney/Marvel Studios possui e começou a ser moldada há exatos 10 anos, quando em 2008 estreava o primeiro longa metragem dessa empreitada: Homem de Ferro. Neste período muitas aventuras foram produzidas em 18 filmes, que culminaram em um universo fantástico compartilhado, que agora desembarca em Vingadores: Guerra Infinita, filme que estreia nesta quinta-feira, 26 de abril, em circuito nacional. 

Nesta jornada Os Vingadores e os super-heróis aliados precisam estar dispostos a sacrificar tudo em uma tentativa de derrotar o poderoso Thanos, antes que ele coloque as mãos nas “Joias do Infinito” e sua onda de devastação e ruína coloque um fim em metade do universo.

📷 Marvel Studios / Divulgação

A direção é dos irmãos Anthony e Joe Russo, responsáveis pelos excelentes Capitão América: Soldado Invernal e Capitão América: Guerra Civil. E a tarefa deles aqui era muito difícil, afinal, como inserir em um filme inúmeros personagens, situações, enfrentamentos destes 18 longas-metragens? Tinha tudo para ser uma grande bagunça jogada na tela e felizmente não é.

O maior acerto está no roteiro, pois ele situa o espectador em núcleos já que, desta vez, a aventura se passa na Terra e em muitos outros lugares do Universo, ficando mais compreensível e didático (não entenda ruim). Existe o núcleo do Thor e os Guardiões da Galáxia, Homem de Ferro, Homem AranhaDoutor Estranho, Capitão América e Pantera Negra, para falar de maneira bem sintética. Parecem histórias isoladas, porém de maneira alguma o público fica perdido ou sente falta de algo. Todos tem importância, alguns muito mais no decorrer dos acontecimentos. Provavelmente o núcleo mais monótono, entretanto extremamente necessário, é do Visão com a Feiticeira Escarlate.

A maneira como a narrativa segue lembrou em alguns momentos a trilogia O Senhor dos Anéis (calma, não é uma comparação dos filmes), no qual haviam muitas histórias acontecendo em vários lugares, no mesmo momento.
Tecnicamente o padrão permanece elevado, com efeitos visuais deslumbrantes com destaque para as batalhas em Wakanda, com tomadas aéreas abrangendo uma quantidade enorme de personagens, dando uma sensação de grandiosidade jamais vista em filmes da franquia, e a batalha em Titã, que possui um ar pesado e a tonalidade pastel dando um aspecto de urgência.

A marca mais do que registrada dos filmes da Marvel é o humor e claro que ele não ficaria de fora na nova produção. Quase todas as tiradas cômicas funcionam principalmente as protagonizadas pelo Homem Aranha e Thor em alguns momentos o perigo iminente não deveria abrir brechas para risos mas os roteiristas não aguentaram. É verdade que quase simultaneamente é possível sorrir e ficar tenso, coisa que raramente aconteceu em filmes passados, separando cada momento. 

📷 Marvel Studios / Divulgação

E se muitas pessoas reclamavam dos vilões, chegou a hora de conhecer o poderoso Thanos (Josh Brolin). Ele vem do planeta Titã disseminando qualquer civilização à sua frente para dominar o universo. Parece clichê, porém a motivação dele faz sentido, ainda mais depois de alguns flashbacks. Desta vez, existe um medo real potencializado pela voz grave, o vigor físico e as ameaças que realmente se tornam palpáveis. É um vilão com camadas, ora brutais, ora sentimentais (os fãs já provaram desse gosto com Killmonger no filme Pantera Negra). Vale ressaltar o belíssimo trabalho na concepção gráfica de Thanos, minuciosamente detalhada.

📷 Marvel Studios / Divulgação

E a explicação para a aparição da “Joia da Alma” é isoladamente especial (sem mais explicações, para não dar spoiler).

Vingadores: Guerra Infinita é um marco na cultura pop, afinal encerrará um ciclo importante da Marvel Studios para outro surgir. Muito corajoso em relação aos personagens, brilhantemente bem executado, engraçado e dramático ao mesmo tempo, com um final espetacular jamais visto em nenhum dos outros 18 filmes, deixando o campo aberto para Vingadores 4, marcada para estrear em 02 de maio de 2019.

Uma dica importante: O que resta depois das letras subirem? Uma cena pós-créditos muito relevante e a ansiedade para assistir a continuação. Aliás, já começou a pré-venda para 2019?

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Erivelton Camelo

Formado em produção audiovisual, fotógrafo, e idealizador de videoclipes musicais quando o tempo permite. Amante da sétima arte, defensor do cinema nacional e apreciador de uma cerveja gelada. Não gosto de fazer lista de diretores favoritos e sim de filmes: Trilogia do Anel, Cidade de Deus, Forrest Gump, O Rei Leão, O Menino e o Mundo... e por aí vai.