Crítica | A maldição da casa Winchester

Dirigido pelos irmãos Michael e Peter Spiering (O predestinado, Jogos Mortais: Jigsaw), A maldição da casa Winchester (2018) propõe contar sobre todos os eventos sobrenaturais que ocorriam na imponente casa de William Wirt Winchester, dono da marca de armas, e de sua esposa Sarah Winchester (Helen Mirren). Após a morte de seu marido, Sarah (Mirren) começa sua incessante reforma na mansão, onde contrata um extenso número de trabalhadores que constroem, dia e noite sem cessar, novos cômodos a pedido da senhora Winchester. Ela fazia isso como forma de se redimir com os espíritos de todas as vítimas de suas armas, para que eles encontrassem a paz e a perdoassem. Mas para a diretoria da empresa Winchester a viúva teria enlouquecido, por isso mandam um médico para diagnosticá-la afim de que ela perdesse todos seus direitos como dona de tudo. O doutor Eric Price (Jason Clarke) vai até a mansão para investigar e entender o que estava acontecendo ali, certo de que tudo aquilo não passava de loucura ocasionada pela tristeza da senhora Winchester. Com o passar dos dias Price (Clarke) é envolvido nos eventos sobrenatuais que ocorrem na casa, colocando sua própria vida em risco e começa a acreditar que tudo o que estaria acontecendo é real.

Crédito: 📷 Ben King / Lionsgate Films

A história dos Winchester é fascinante, mas a narrativa do filme não soube aproveitar isso. Quando se desenvolve o drama pessoal do doutor dentro da casa, como forma de justificar sua presença ali, uma vez que não precisaria ter um motivo além da provável insanidade da senhora Winchester, a trama se perde. Com isso, uma série de aparições fantasmagóricas e possessões acontecem como forma de dar aquela tensão esperada dos filmes de terror, mas não surpreendem. O medo é muito mais psicológico, com toda a ambientação pensada para se ter o peso do sombrio e do oculto. Dessa perspectiva fica claro que perante tantas possibilidades o foco acabou se perdendo e ofuscando a história central.

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Júlia Tezza

Amante da literatura e da sétima arte.